The Third Man / O Terceiro Homem

Capa do DVD nacional

Capa do DVD nacional

Apenas ao escrever o post a respeito do filme Soberba na semana passada percebi que não escrevi um a respeito de O Terceiro Homem [The Third Man, Inglaterra/1949], um dos meus Top Favoritos Foréva. Em comum, ambos têm Joseph Cotten e Orson Welles – este apenas atuando desta vez. É um dos raros filmes de espionagem no pós-Guerra na minha lista de TFF, aliás, caus que não é o meu gênero preferido.

Acho que tem a ver com o fato de que tem mais suspense do que referências à Guerra na trama. Além disso, esteticamente o filme é uma belezura. Até eu, que não manjo nada desse negócio de enquadramento, iluminação, fotografia, prestei atenção nisso. A cena icônica quando Welles surge na tela me impactou um bocado quando assisti pela primeira vez.

O roteiro de O Terceiro Homem é do escritor Graham Greene [autor de O Americano Tranquilo, que também virou filme] e se passa na Viena ocupada após o fim da Segunda Guerra Mundial. A capital da Áustria foi dividida em zonas distribuídas entre os países Aliados que venceram a Guerra, assim como aconteceu em Berlim na Alemanha. Durante dez anos,  Viena esteve sob ocupação dos EUA, da Grã-Bretanha, da França e da União soviética.

Cena do filme

Cena do filme

O personagem de Cotten, o escritor Holly Martins, está a passar dificuldades nos EUA, então seu amigo Harry Lime [Welles] o convida a mudar-se para a Áustria prometendo-lhe um emprego. Assim que põe os pés na pensão em que Harry mora, Holly é informado que seu amigo acaba de morrer.

A partir daí, o personagem passa a ter contato com o submundo corrupto formado pelos ocupantes aliados na cidade e se descobre o inocente útil de um ardil.

Como acontece em toda obra-prima, as histórias fora da tela são muitas e tão interessantes quanto a história dentro dela. No final do post coloquei alguns links que contam essas histórias – a maioria em inglês, mas a única página em português é bem abrangente. Foi publicada no aniversário de 50 anos de lançamento do filme, dez anos atrás.

Harry Lime

Harry Lime

Começa pela teoria de que na verdade o filme seria obra de Orson Welles, com o argumento que O Terceiro Homem era bom demais pra ser do diretor Carol Reed – boato que o próprio Welles alimentava – mas que, afinal, não era.  Welles aceitou atuar no filme porque precisava de dinheiro mas sua única contribuição fora do roteiro se resume ao discurso do relógio cuco.

Cá entre nós, uma das melhores coisas do cinema, o que confirma a genialidade do cara.

You know what the fellow said—in Italy, for thirty years under the Borgias, they had warfare, terror, murder and bloodshed, but they produced Michelangelo, Leonardo da Vinci and the Renaissance. In Switzerland, they had brotherly love, they had five hundred years of democracy and peace—and what did that produce? The cuckoo clock.

Na Itália, por trinta anos sob os Bórgias, eles tiveram guerra, terror, assassinato e derramamento de sangue, mas produziram Michelangelo, Leonardo da Vinci e a Renascença. Na Suíça, eles tiveram amor fraternal, quinhentos anos de democracia e paz, e o que eles produziram? O relógio-cuco.

Tem também as histórias de como os produtores britânicos Reed e Alexander Korda enganaram habilmente o co-produtor norte-americano David O. Selznick [E O Vento Levou] nas escalações dos atores e em outros detalhes em que Selznick tentou interferir. Foram os ingleses quem impuseram Welles; Selznick resistia à ideia porque o considerava um aniquilador de bilheteria, mas o produtor compensou a derrota nesta questão ao impor seus contratadosCotten e Alida Valli no elenco.

Eu acho que eu vi um gatinho

Eu acho que eu vi um gatinho

Existem duas versões disponíveis deste filme, uma britânica [considerada o melhor filme inglês do século 20 pelo British Film Institute] com onze minutos a mais e introdução do próprio diretor. A versão norte-americana é narrada pelo ator Joseph Cotten e os cortes foram decididos por Selznick, que era considerado provinciano e de mentalidade tacanha.

Se não me engano, eu assisti à versão inglesa, mas não tenho certeza…

Selznick foi voto vencido também na questão da trilha sonora: ele achou a cítara de Anton Karas muito esquisita, mas Korda insistiu e hoje a canção-tema é um clássico do cinema. Mentalidade tacanha, realmente.

Por sorte, ele não conseguiu impor uma visão maniqueísta dos filmes do gênero e da época, que glorificavam os Aliados e vilanizavam os perdedores. Há muita dubiedade envolvida, não se trata de uma história sobre heróis e bandidos nem de vítimas e salvadores. O filme pode ser preto e branco mas as ações são ambíguas. Vale muito uma olhada.

Tem em DVD no Brasil [quando acha], só que não tem indicação de qual versão.

Tem também integral no GoogleVideo, sem legenda. Se preferir, utilize um software para baixá-lo como o RealPlayer em vez de aguardar carregar o streaming dos 104 minutos.

Link http://video.google.com/videoplay?docid=-2512255744493239386

Ficha técnica

título original: The Third Man
gênero: Suspense
duração: 01h45
ano de lançamento: 1949
estúdio: London Film Productions / British Lion Film Corporation
distribuidora: Lion International Films / Canal+ / Selznick Releasing Organization
direção: Carol Reed
roteiro: Graham Greene, baseado em estória de Graham Greene e Alexander Korda
produção: Carol Reed, Alexander Korda e David O. Selznick
música: Anton Karas
fotografia: Robert Krasker
direção de arte: Vincent Korda, John Hawkesworth, Joseph Bato e Dario Simoni
figurino: Ivy Baker
edição: Oswald Hafenrichter

Elenco:

Joseph Cotten (Holly Martins)
Alida Valli (Anna Schmidt)
Orson Welles (Harry Lime)
Trevor Howard (Major Calloway)
Bernard Lee (Sargento Paine)
Ernst Deutsch (Barão Kurtz)
Siegfried Breuer (Popescu)
Erich Ponto (Dr. Winkel)
Wilfrid Hyde-White (Crabbin)

Resenha legal
Crítica – O Terceiro Homem de Rodrigo Carreiro no blog Café com Pop

Serviço
Ficha no AdoroCinema
Ficha no iMDB
Hotsite no British Film Institute
Verbete no Wikipedia
DVD, CD e livro – notícia sobre o relançamento no portal Terra
Locações em Viena
Allied Control Council , verbete no Wikipedia em inglês

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8 comentários sobre “The Third Man / O Terceiro Homem

  1. Oi titia batata!

    Já estou baixando o vídeo do Google, depois quero ver com calma. Como disse uma titia amiga, sua resenha é tão boa que dá vontade de ver o filme 😉

    Aliás, Orson Welles é tudo de bom, não? E olha que eu só conhecia o Cidadão Kane, e já gostava do trabalho do rapaz.

    Beijocas!

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