Livro | Como Água Para Chocolate

Capa do livro

Capa do livro

Isso ainda há de virar meu mantra: sempre é tempo. Finalmente li Como Água Para Chocolate, o romance da escritora mexicana Laura Esquivel que deu origem ao filme do seu marido, Alfonso Arau. O flme é um dos meus Top Favoritos Foréva e o livro acabou indo pelo mesmo caminho – em parte porque foi adaptado fielmente em película.

Durante esse intervalo todo eu matutava no significado do título: trata-se de uma expressão típica do México que Tita menciona no livro. Lá  se prepara o chocolate quente dissolvendo-se a barra caseira de chocolate em água, em vez de leite. Para que o chocolate derreta é preciso que a água esteja fervendo; então, se a pessoa está “como água para [fazer] chocolate” significa que está fervendo – de raiva ou de outra emoção.

O livro é dividido em doze capítulos, cada capítulo correspondendo a um mês do ano embora a história não se passe neste intervalo de tempo: ela começa com o nascimento de Tita de la Garza e acompanha sua vida durante a Revolução Zapatista nas primeiras décadas do século 20 em um rancho próximo da fronteira México-EUA.

A autora principia cada capítulo com uma receita, que pode ser culinária ou não. Em um deles se ensina a preparar fósforos. Li alguns blogs que criticavam esse modelo literário, dizendo que as receitas são dispensáveis e que interrompem o fluxo narrativo. Eu já acho que o livro não existiria sem as receitas, porque as instruções de preparo são o que conduzem a narrativa.

Veja a receita de codornas com pétalas de rosas, por exemplo. Demonstra a diferença entre as irmãs Tita e Rosaura sem precisar de muitas palavras além das tais instruções. É bem verdade que outros blogs ainda criticaram a “violência contra animais” no livro por causa das receitas mas, honestamente, prefiro ignorar esses comentários.

Na contracapa da edição que tenho dizem que a “autora inaugurou um novo gênero literário: a cozinha-ficção”. Minha primeira reação foi de indignação – ei, e O Não Me Deixes – Suas histórias e sua cozinha da Rachel de Queiroz? E o Não É Sopa da Nina Horta? Daí eu lembrei, né, que são não-ficção. Como Água Para Chocolate me lembra muito mais de Pedro Páramo do Juan Rulfo – ambos falam do comal, para começar. E tem o realismo fantástico latino-americano a unir as duas obras, também.

O que o livro de Esquivel tem a mais, no entanto, é uma visão mais feminista e uma trama que pode ser considerada uma parábola da Revolução Mexicana, que derrubou o porfiriato militar-católico para instituir o governo socialista. O livro menciona especificamente os exércitos de Pancho Villa, já que a história se passa no norte.

Também ajuda bastante o fato de que a tradução manteve a mágica intacta: em nenhum momento há uma tentativa de abrasileiramente ou de adaptação. Se alguma coisa não existe no Brasil é mantido no original e se acrescenta uma nota de rodapé.  A tradutora Olga Savary chegou a ser premiada com o Jabuti de Tradução da Câmara Brasileira do Livro por este livro, e eu achei bem merecido.

Sinopse
Neste romance tudo gira em torno da cozinha. Cada capítulo é aberto com uma receita, em torno da qual não só se aglutinam os comensais como também se “cozinham “coalham” amores e desamores, risos e prantos.

Como Água Para Chocolate
Título original: Como Agua Para Chocolate [México, 1989]
Autor: Laura Esquivel
Editora: Martins Fontes
Trad.: Olga Savary
ISBN: 8533602197
Origem: Nacional
Ano: 2006
Edição: 1ª, 9ª reimpressão
Número de páginas: 205

Serviço
Notas e comentários no site SparkNotes
Verbete no Wikipedia em inglês
Comer, beber, viver artigo de Annalice del Vecchio para o caderno G da Gazeta do Povo
A Revolução Mexicana no site História.Net
Olga Savary

Site legal
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29 comentários sobre “Livro | Como Água Para Chocolate

  1. Pingback: Relembrando Como Água Para Chocolate « Cinema é Magia

      • Pois é, todo mundo me fala isso, hehe. Mas eu acho que falta tempo para eu fazer um montão de coisas.
        É até por isso que eu te perguntei esses tempos atrás com o que você trabalhava, pq vc é tão informada, consegue ler e assistir tanta coisa interessante (além de conhecimentos gerais e tal) que eu fico pasma. Dou o máximo de mim e não consigo isso.

  2. eu tenho o livro e vi o filme diversas vezes. o que mais me encanta é a verossimilhança dos personagens; ninguém é perfeito ou herói (bom, o dr. chega muito perto da perfeição, é verdade). crueldade com animais no livro? coisa de gente que precisa matar o monstro da pia. não há como fazer uma cabidela sem matar uma galinha, cortar o pescoço e recolher o sangue; como isso me causa angústia, jamais prepararei uma cabidela. mas não me impede de comê-la 😀

  3. E por falar em cozinha-ficção, temos o Dona Flor e seus dois maridos, que é um verdadeiro livro de receitas junto com o romance!

    Mais um livro e flme interessantes para minha listinha de to-read/to-watch (quanta coisa boa ainda não vi…) e parabéns pela ótima resenha!

    Beijocas!

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  6. Eu achei esse livro encantador concordo com cada cometario teu, sou fascinado por nosso escritores que como você diz relata o realismo latino-americano, gosto muito também de Gabriel Garcia.
    A cada capitulo ficava mais apaixonada por ele, estou dando um tempo pra ver o filme, gosto de curtir o que li durante um tempo antes de ver o filme.

  7. Recomendo também o livro; “Devora-me”e “Clube do biscoito”, seguem a mesma linha; cozinha= experiência de vida.
    Uma dica; quando forem a Santiago visitem o restaurante: “Como água para chocolate”, nota Dez.

  8. Pingback: Comer…palavras | Feministas na Cozinha

  9. O livro se for fiel ao filme é um lixo. Altamente subversivo, com o enfoque claro na revolução e destruição dos valores tradicionais. O adultério é altamente explorado, na mesma técnica das novelas globais, isto é, sempre em nome do amor ( não importa o quanto se machuque o próximo). O Livro e o filme do ponto de vista cinematográfico são mediocres, do ponto de vista político são delinquentes peças de desinformação !!! O antigo guerrilheiro, que ao final do filme aparece de terno, gravata e automóvel ( naquele tempo só os muito ricos tinham auto ), ilustra bem a moral socialista: ROUBAR OS bens dos ricos e dividí-los com os membros do partido, MAS EM NOME DO E PARAO POVO. Leitura obrigatória para petistas, mensaleiros e canalhas.

  10. vc e um louco! o livro e maravilhoso, uma obra prima da seleta lista dos autores latino americanos q escrevem bem, ainda mais quando se trata de realismo fantastico. o seu problema e q vc e um recalcado e mal amado, so pode! pra completar ainda ofende as pessoas…vai se tratar maluco!

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