[TrueBlood] Behind Here Lies Nothin’

Você tem alguma dúvida sobre quem escolher?

Você tem alguma dúvida sobre quem escolher?

Terceiro – e o gancho real para mim pessoalmente, é o uso excepcionalmente arguto da cultura e das crenças sobre vampiros como um mecanismo para debater as questões dos direitos civis. É bastante universal e pode se traduzir na discriminação baseada em raça, gênero, religião, orientação sexual, ou praticamente qualquer segmentação demográfica ou psicográfica. Trata tanto da ignorância sutil quanto da visível de uma forma realmente inteligente e original. […] Muito, muito arguto e bem feito – o que é uma exceção enorme na maioria dos programas de TV, e bem longe das regras. [Lunch, 27/12/08]

A autora do artigo donde retirei o trecho acima fez uma lista dos motivos pelos quais ela assiste à série True Blood. O terceiro motivo é o que mais me atrai na série de livros também. Dá pra perceber que é do ano passado e não levou a segunda temporada da série de TV em consideração mesmo se eu não tivesse indicado a data em que foi publicado.

Depois de ver o último episódio da segunda temporada [e de dar uma relida rápida nos reviews anteriores], essa empolgação diminui um pouco. Fico matutando se eu teria acompanhado a temporada inteira se não tivesse lido os livros ou se teria abandonado na metade [não tenho muito pudor de largar séries que me empolgaram no começo e depois viraram um porre]. Em todo caso, assisti à temporada inteira, último episódio ontem.

Maxine: Quem é você para manter sua mãe presa dentro de sua própria casa, Norman Bates?

A partir deste ponto há spoilers.

Charlaine Harris no Merlotte's

Charlaine Harris no Merlotte's

Sookie: Esta é a minha casa e estes são meus amigos… e Jane Bodehouse.

Li comentários em outros blogues de pessoas que curtiram o arco da bacante MaryAnn. Eu não consegui gostar por alguns motivos: pra começar, pegaram os elementos de várias mitologias e transformaram tudo numa nova mitologia que não serve pra nada. Isso é o tipo de coisa que tem que ter talento pra fazer direito. Se você não é o Terry Pratchett, por exemplo, fica na sua.

Mitologias, contos de fadas, servem para nos deixar lidar com nossos temores e valores. O que o mito de MaryAnn nos trouxe que nos ajuda a entendermos a nós mesmos? Se alguém puder jogar uma luz no assunto [e um desifetante] eu agradeço.

Ela também reforçou a visão de que as crenças baseadas na Natureza são demoníacas, o que sempre me irrita. Ela fez isso com o uso dos símbolos mais associados a essas crenças [o ovo, o punhal, os chifres, a árvore, etc.] e com o desprezo pela vida, alma e livre-arbítrio dos outros.

A trama dela era tão incongruente que foi necessário ter os outros personagens explicando suas origens, motivações, objetivos e crenças didaticamente. Pelo menos não a colocaram botando o ovo, que isso seria demais.

Para resumir rapidamente e passar logo para o próximo tópico, MaryAnn esperava o retorno do seu deus. Para isso ela precisava de um sacrifício ritual [Sam] e de um receptáculo. Disseram que tinha de ser um ser [ops] que transita entre dois mundos, mas no fim serviu um ovo de avestruz.

Sookie foi capturada para servir de isca e atrair Sam [a história da vida dela]. Para salvá-la, Bill e Sam conjuram um plano que inclui o animorfo ser apunhalado no coração, tomar sangue do vampiro pra se recuperar, animorfozear-se num touro para chifrar a iludida mênade. Digo isso no sentido literal.

Adeus, MaryAnn.

Eric e Sophie-Anne

Eric e Sophie-Anne

Q: Qual é a da obsessão da Rainha com o Yahtzee?
Ball: Você tem 400 anos de idade. Vai fazer o quê? [Gargalhadas] É algo que nos veio à cabeça na sala e achamos que seria engraçado. [Entertainment Weekly, 14/09/09 -LOTADO DE SPOILERS]

Sophie-Anne mantém Eric em sua companhia do mesmo jeito que fez com Bill: jogando Yahtzee. De novo, perceba como ela trata de Sookie com familiaridade, revelando saber coisas que até sua prima Hadley desconhece. Será que é pelo mesmo motivo que no livro? Com o mesmo desenrolar? Tererá a mesma motivação? Por que ela fornece sangue para a rede de tráfico Eric/Lafayette? Será que ela tá namorando mesmo o Alex Scarsgard?

*Caham*

A pequena cena entre eles me trouxe o melhor e o pior do episódio: o melhor foi a carinha confusa do Eric depois de rrolar os dados e o pior foi a jogadinha de cabeça pra trás pra retrair os caninos da Rainha. Tosco toda vida. Bom, o catchim metálico que as presas dos vampiros de True Blood fazem ao sair e retrair é muito pra minha cabeça. São feitas de quê, adamantium?

Uma das coisas que gostei foi o desenvolvimento dos personagens e do relacionamento entre Andy e Jason. O Andy desta temporada está mais fiel ao livro; o Jason é bem mais burro do que o original, mas combina com o ator e a série. Jason é o tipo de cara que precisa sempre de um sidekick; com Rene morto e Hoyt às voltas com uma vida própria, Andy é uma boa opção.

Jason: Diga olá para o meu amiguinho.
Andy: Hasta la vista, baby.
Jason: Adoro o cheiro de esmalte de unha pela manhã.

Napalm, nailpolish… Esse é o tipo de engano que Jason cometeria!

Beeeul e Suck

Beeew e Suck

Até certo ponto, True Blood é confuso e confunde quando o assunto é sexo. Mas o show parece se inclinar mais na direção de uma descrição de sexualidade mais natural e variada, não apenas das mulheres mas para todos na cidade lotada de vampiros de Bon Temps. Se a série fosse apenas furor bacanal e adoração aos corpões sarados, [Latoya] Petersen estaria certa: teríamos um problema. Mas enquanto pudermos encontrar uma centelha de espírito entre o profano, assistir True Blood pode ser um prazer sem culpa. [Nerve, 14/07/09]

O artigo de Latoya Petersen a que James Brady Ryan se refere no texto acima foi comentado e está linkado no post do episódio Never Let Me Go. Ambos tratam mais ou menos do mesmo tema: a sexualidade e a liberação femininas vistas pelas obras no universo vampírico.

Nos livros da Charlaine Harris isso é algo que é bem trabalhado e com um ponto de empoderamento da mulher. Na série, isso foi retirado da Sookie e realocado na Jessica – e não apenas em relação à sexualidade mas principalmente no controle que cada uma exerce sobre suas próprias vidas [ou não-vidas, no caso da Jessica].

Aliás, qual a tradução mais acurada para undead, undeath, unlife? No livro Undead & Philosophy tem tata variante e só penso em “morto-vivo”, mas é impreciso em alguns casos.

Jessica briga com o namorado e não fica sentada em casa. Antes de sair, ela e Bill protagonizam uma cena de que eu gostei muito porque leva a relação deles a um patamar superior e redime o paspalho Bill da atitude indiferente e impaciente anterior.

Já Sookie, depois de ser resgatada mas uma vez, tem que decidir se aceita o pedido de casamento do vampirinho [gente, até a Jess é mais alta do que ele]. Depois de checar se o anel combina com o pingente da correntinha no banheiro, ela resolve aceitar mas aí… Oh, noes, alguém raptou o noivo!

Eu esperava alguma discussão prévia em que debatessem as condições diferentes, os planos de vida, enfim, os temas do primeiro artigo lááá em cima durante a próxima temporada antes da Sookie aceitar mas, como a maiora das coisas nesta temporada, isso foi tratado de forma superficial.

Como diria Michael Jackson: this is it.

Cá por mim, vou reler o segundo e o terceiro livros para reencontrar a Sookie de quem gosto tanto.

Lafayette: Sookie, sinto muito por você.
Sookie: O quê? Por que?
Lafayette: Porque sabe o que realmente aconteceu e tem de carregar esse fardo hoje. Fico feliz por poder escolher, porque nunca vou querer saber.
Sookie: Uhm…
Lafayette: Fique quieta, não me conte nada, nem que eu implore.

Eric e Sophie-Anne

Link http://www.youtube.com/watch?v=CkRhgd5hYKE

Setlist das músicas do episódio no site TrueBlood.Net

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Southern Vampires / True Blood
Yahtzee

Atualização
E é claro que eu tinha que esquecer de algo: True Blood venceu o Emmy’09 de melhor elenco de série dramática, sábado passado. Se não me engano vai passar no canal E! na próxima sexta, dia 19.

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18 comentários sobre “[TrueBlood] Behind Here Lies Nothin’

  1. Naomi, vc falou exatamente o que eu senti. Nossa, fiquei tão decepcionada com o final de True Blood. E me sentindo o ó, pq todo mundo parece ter adorado.
    Tudo foi muito patético. Só gostei mesmo do Sam matando a Maryann e do Eric. De resto, neca de pitibiribas.

  2. Opa, primeira vez aqui, concordo com algumas coisas que escreveu, mas:

    “Mitologias, contos de fadas, servem para nos deixar lidar com nossos temores e valores. O que o mito de MaryAnn nos trouxe que nos ajuda a entendermos a nós mesmos?”

    Isso é sério? Assisto a série para me divertir, não ligo para como os mitos são lançados, porque são mitos, não existem, cada um pode usá-los como quiser, mas usá-los como metáfora ou algo para lidar com nossos medos e esses valores como você mencionou, já é esperar muito da série, ao invés de crítica-la pelo o que ela é.

    • oi, lucas, bem-vindo!

      eu entendo seu ponto de vista, e relendo agora percebo que não deveria ter usado a primeira pessoa do plural. sou uma pessoa pouco exigente, ficaria satisfeita com qualquer significado mínimo que a personaem trouxesse à série, mas sou uma só.
      😆

      eu comecei a acompanhar a série justamente pela metáfora que a mitologia dos vampiros fazia da segregação na 1a. temporada e esperava que a 2a. apresentasse algo na mesma linha. nem precisava ser muito, qualquer coisa, digamos, na questão do livre-arbítrio.

      chegaram a deixar um caminho aberto quando terry e arlene aderiram à orgia mas fornicaram apenas um com o outro, ou quando jason fez arlene refém para resgatar o sam e o terry retrocedeu.

      tempo e argumento tinham, mas optaram por não usar.

  3. Lu, o pior, é que a Maryann em si era legal (e a Michelel Forbes estava fantástica), mas toda a trama envolvendo-a era muito chata. Arrastada. Usaram muitos episódios para falar de uma coisa que poderia ter sido falada bem mais rápido.
    E todo o estado dos possessos não refletia o que eles eram de verdade. Em tese deveria ser apenas os limites sendo liberados, mas no fundo não foi isso. A Maryann os transformava mesmo. Eles perderam as suas memórias, então tudo o que experimentaram nem ao menos serviu de experiência. É isso o que me tira do sério.

  4. Oh, tava esperando a sua opinião, como sempre vc consegue pegar os pontos, agora que já passou a minha raiva (um pouco), só posso analisar esse episódio sobre dois aspectos pra mim:

    1 – só pela série sem contar com os livros: foi tosco, mataram a Maryann daquele jeito idiota, chifrada pelos Sam, pra que todo aquele ritual? o ovo era pura enganação? tudo aquele vucuvuco pra acabar em menos de 30 minutos, a trama foi muito confusa…não acho que estou sendo exigente, assisto muitas séries, e agora que já foi …. já sabia mais ou menos o que ia acontecer, ou alguem acreditava que não era armação do Bill e do Sam? A tara, a morte do Eggs, que foi aquele tiro do Jason?
    então mais que derrepente tudo volta ao normal…ou eu não prestei muita a atenção como a casa da Sookie, o Bar e a cidade voltaram ao normal, tipo assim deram uma de Smallville???
    o pedido de casamento, o rapto, nem precisa comentar né?
    a mudança de carater dos 3 “principais” é o que mais me irrita, como a Sucker for vampires disse conseguiram destruir a personalidade da Sookie, continuo achando o texto muito misógino e simplista nos desenvolvimento dos personagem, tipo bem x mal….

    2 – Atenção: Spoiler dos livros:

    já esperava é claro, mais uma migalha do Eric, jogando com a Rainha blerghhh (aliás só aquela ceninha e ela já fisgou o bonitão, hummm esperta viu como ela tava checando ele e ainda aproveitou pra lascar umas beijocas hehehheeh), nada de legging rosa, nada de dar uns pegas na Sookie (que virou uma Mary Sue), o Beeewww salvando o dia ou noite, o pedido de casamento nada a ver com o que teve no livro…
    o sequestro só pra termos peninha dele, vou te dizer se fizerem o Eric ser responsável por isso, vai ser o fim pra mim, realmente não tô ansiosa pela próxima temporada, provavelmente não verei, só as cenas do Eric no youtube por que ningue é de ferro… aliás culpo o Alex/Eric, por que se nao fosse por ele eu largaria essa série sem remorso

    bjs

  5. Oh eu por aqui.

    Vamos la…bem…eu confesso que queria tanto que aquela historia sobre baco e cidade dominada termina-se logo que nem me importei com o ejito tosco que foi feita.

    Por isso vou comentar mesmo os momentos finais: gostei da interação Bill e Jess, e da atitude dela, vamos ver as consequencias.

    E vou confessar uma coisa…eu gosto de cenas de pedidos de casamento…e do Bill foi bem feita. A negação inicial da Sookie até me animou, de fato eu esperava que ela pedisse um tempo, que os dois discutissem sobre as condições de casamento. e talz, talvez até falando da possibilidade do Bill a transformar.

    Mas aquela drama sobre ela ser uma aberração foi forçado…quer dizer…ela namora um morto-vivo sugador de sangue e trabalha com cara que pode virar qualquer animal e nem liga dele ficar pelado depois, então pq todo o desespero?

    E bastou uma ida ao banheiro p/ esquecer tudo isso e dizer sim????

    E p/ adiar a decisão e o enfrentamento da realidade, temos o rapto do Bill…bem, boa sorte cara, pq se chegar perto do seu xara do livro passou, vc vai sofrer muito.

    E por ultimo… o Sam bebeu do sangue do Bill…quer dizer que ele tv vai ter um laço…e começar a ter sonhos eroticos???

    eheheheheheheh

  6. Preciso ver esse negócio.

    Uma HQ que também faz muitos desses paralelos com direitos civis é X-Men. Aliás, existe toda uma série dentro da HQ sobre a ‘praga’, uma doença misteriosa e mortal que no início afeta só os mutantes, e que com o tempo começa a afetar pessoas ‘normais’ também.

    É fácil ver do que eles estão falando, não? 🙂

  7. Finalmente acabei essa temporada. Achei uma tranqueira essa história da MaryAnn também. Sem sentido e não acrescentou nada. O Lafayette foi tão maltratado a série toda que não sobrou quase nada do personagem da primeira temporada. Gostei um pouco do conflito em Dallas mas acho que a única coisa legal da temporada toda mesmo foi só a Jéssica. Bom, hoje começo a ver a terceira temporada. Bóra ver se melhora. 🙂

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