[LieToMe] The Best Policy | Depraved Heart

...

E tem aquela do papagaio...

Eu já disse antes que tenho um coração frio e duro, certo? Então não vai te chocar se eu disser que torci para que matassem o personagem Marcus, do sétimo episódio de Lie to Me. Ele é aquele turista típico que acha que o mundo tem que se conformar a ele em vez de respeitar os costumes do lugar para onde vai. No episódio, Marcus vai ao Iêmen visitar a irmã.

O Iêmen é um país árabe de maioria muçulmana cujo governo mantém relações com o Iraque. O consumo e o tráfico de drogas são crimes graves no islamismo.  Já pelo lado político, o sofre com o sequestro de turistas para negociação com o governo. Portanto, quando o espectador é apresentado ao personagem-clichê do idiota que viaja a um país muçulmano portando drogas na bagagem e se faz de bobo quando a irmã manda ele jogar fora e calar a boca, apavorada ao ver uma patrulha se aproximar, a gente já adivinha o que vem por aí.

Por mim, ainda torço muito para que o tal dork apanhe bastante e morra também. Falando nisso, que fim levou aquele surfista brasleiro que foi condenado à morte por tráfico num país asiático? Tinha esquecido totalmente dele, só lembrei agora por causa do episódio.

A partir deste ponto há spoilers.

O Grupo Lightman entra no caso a convite do governo dos EUA, que tem dificuldades para ler o negociador iemenita. A Dra. Gillian e Loker se dedicam ao caso que envolve muito mais psicologia e estudo da cultura do que propriamente análise de microexpresões e de postura.

A segunda investigação é solicitada pelo melhor amigo de Lightman, um investidor envolvido com um novo medicamento. O computador do laboratório foi invadido e ele quer descobrir o responsável, para que possam retirar uma versão adulterada do mercado negro que provocou a morte de quem consumiu.

Torres teme que a amizade de Lightman interfira na isenção da investigação quando descobrem que a companhia famacêutica adulterou os resultados dos testes e o que está matando as pessoas não é uma adulteração da fórmula, e sim o próprio medicamento. Ao contrário dos senadores que nós conhecemos, conflito de interesses não é problema para Lightman.

Aqui a gente chega à metade da primeira temporada e eu começo a perceber uma tendência nos roteiros que me incomoda cada vez mais, que é a visão utilitarista dos personagens principais. Lightman e Gillian usam subterfúgios e manipulam pessoas e situações para obter respostas ou induzir uma reação/atitude, tudo em nome do Bem Maior. É meio assustador, pra te dizer a verdade.

tristeza

tristeza

O primeiro caso do oitavo episódio começou parecendo mais um em que se analisaria as diferenças culturais mas não, creio que o caso foi bem universal, de certa forma. Foi diferente desde o início porque Lightman meio que tropeçou nele enquanto levava a filha pro colégio e se interessou a ponto de investigar o caso sem ser contratado por alguém.

O que chamou a atenção dele foi o fato de duas jovens irmãs indianas suicidarem-se num curto espaço de tempo, no mesmo lugar. Além disso o tema suicídio tem um interesse pessoal para ele. Torres flagra Lightman assistindo a um antigo videodepoimento de uma mulher britânica. Loker conta que Cal deve ter visto o filme mais de mil vezes, que ele diz que é uma paciente de seu antigo professor. Ninguém percebe que a mulher está em agonia até que ela se mata depois de conseguir um passe da clínica psiquiátrica para visitar os filhos – o vídeo mostra a paciente dizendo que está bem e excitada para comemorar o aniversário do marido.

Este seria o caso que despertou o interesse de Cal Lightman no estudo das microexpressões faciais, conclui a espertíssima e ligadíssima Torres.

Gillian Foster: Só porque você enxerga tudo não significa que compreenda tudo.

No segundo caso, Gillian e Loker investigam um megainvestidor acusado de ocultar dinheiro após a quebra do mercado na crise financeira para não pagar os dividendos aos pequenos investidores.

Quem aí teve vontade de bater no Loker nesse episódio levanta a mão.
_o/

O cara prega a prática da honestidade brutal, mas de que adianta isso se ele a pratica com preconceitos e pré-julgamentos? O fato de que ele possa eventualmente comprovar alguns desses pré-julgamentos não é justificativa, IMHO, mas infelizmente isso meio que compromete aquela posição inicial que eu tinha gostado tanto na série, que é a de não influenciar o juízo moral do espectador.

Por outro lado, a atitude dele desafiou aquela tendência utilitarista que comentei no episódio anterior…

Mas no fim eu gostei bastante desse episódio porque esclareceu muita coisa a respeito do personagem de Tim Roth, tanto pela informação da tal paciente [que era a própria mãe dele] quanto principalmente pela interação dele com a filha. A Emily está se tornando minha personagem preferida na série: ela é esperta e compassiva e não é apenas uma muleta para sustentar o personagem de Lightman, está criando uma personalidade tão importante quanto a dele. Sem contar que a atriz Hayley McFarland é uma querida.

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4 comentários sobre “[LieToMe] The Best Policy | Depraved Heart

  1. “O caso do surfista paranaense Rodrigo Gularte, de 36 anos, que foi condenado à morte na Indonésia após ser preso por tráfico de drogas no local em 2005, está sem definição. Mesmo depois de tantos anos preso, não há informações sobre quando ou onde o rapaz seria executado.
    Aliás, é essa a principal dúvida dos organismos de direitos humanos – nacionais e internacionais – que vêm defendendo o retorno do rapaz para o Brasil. A família não dá declarações à imprensa, assim como a advogada dele, Lisiane Gularte. Até agora, o que se sabe é que todo o esforço desses organismos parece ser em vão. A única saída para Gularte, segundo o presidente da Comissão de Relações Internacionais do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Roberto Busato – que acompanha o caso e luta pela volta do surfista ao Brasil – seria o indulto da presidência da Indonésia.

    O caso de maior repercussão envolvendo brasileiros e tráfico na Indonésia é o do instrutor de vôo carioca, Marco Archer Cardoso Moreira, 48 anos. Em agosto de 2003 ele também foi flagrado, no aeroporto de Jacarta, com 13 quilos de cocaína escondidos em seu equipamento.
    Ele conseguiu fugir, mas foi capturado na Ilha de Sunbawa. Ele também já teve pedidos de clemência negado, e ainda não foi executado. Segundo o Ministério das Relações Exteriores, estima-se que haja cerca de três mil brasileiros presos no exterior.”
    Fonte: http://tonyreporter.blogspot.com – 8 de março de 2009

  2. Naomi, eu vi Lie to Me até o episódio 11…pulei o 10 por engano -_-.
    E, confesso, sofri horrores ao ver Locker mentindo. O que eu mais gostava nele era justamente a verdade brutal do rapaz. Foi como se algo se quebrasse em mim.
    Mas no fundo não sei se eu concordo ou discordo da atitude dele. Discordo, é claro, da mentira, mas embora fique injuriada pelo desfecho para os coitados que foram fraudados, a mulher precisava responder por seus atos, caso contrário daqui a alguns anos seriam outros no mesmo lugar, porque ela definitivamente não aprendeu a lição. Tudo indicava que não.
    Mas quem, afinal, tinha contratado a empresa? O governo ou a família?

    Será que esse povo ganha bem para trabalhar nisso? Eles tem um monte de gente no escritório e ele pode se dar ao luxo de investigar por sua própria conta…

  3. Lembra daquele americano que quis transgredir a ordem urbana de Singapura, riscando vários carros (ou grafitou os carros)? Preso, o governo americano pediu clemência para a chibatada (yes, yes, yes!) e no final, em vez de muitas dezenas, levou apenas 20 chibatadas de bambú (cof…cof..tentando esconder o sorriso…). Dizem que uma bambuzada dói muitcho e as marcas nunca desaparecem (cof…cof…).

    Pulei seus parágrafos do dr. Lightman, porque ainda não assistí (ou não passou) AINDA. É que tudo aquí é dublado e a coisa leva tempo para chegar às telas. Cê acredita que a ‘estréia’ de Bruno foi na semana passada aquí?

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