Interrompemos nossa programação normal…

Quem acompanha este blogue há algum tempo deve ter percebido que evito comentar catástrofes, desastres, infortúnios e mesmo alguns desencantos. Em parte porque a proposta deste espaço é divertir e em parte porque acho que a exposição contínua apenas às durezas da vida embrutece o cerumano enquanto gente.

Só que tem horas que a coisa urge.

Advertência: a partir deste ponto o tema é chato. Se preferir, retorne amanhã, quando publicarei as Domingueiras antecipadas por conta do SAG Awards.

Se prefere continuar lendo, clicaí no “Leia o resto deste post.”

Esta “interrupção” foi motivada por comentários que tenho lido por aí, alguns feitos por gente que eu gosto e admiro [e outros nem tanto, lol!] que, resumindo, criticam as pessoas que se dispõem a doar e/ou organizar as doações para as vítimas doS terremotoS no Haiti [foram 2 grandes em uma semana]. O argumento usado é que as pessoas do Brasil deveriam doar para as vítimas de desastres naturais no Brasil.

Eu compreendo o que querem dizer. É o que me passa pela cabeça quando a LBV ou o Hospital do Câncer de Sorocaba ligam em casa pedindo doação: respondo que já colaboramos com as instituições da cidade, eles agradecem e ficamos assim. [E nós realmente colaboramos com as instituições de Pedra Lascada, não é desculpa furada.]

Compreendo, sim, mas não concordo. Nesse caso específico do Haiti as coisas são um pouquinho diferentes, no meu parco entendimento. Trata-se de um pessoal que não tinha nada, perdeu o pouco que tinha e não tem um vizinho ou familiar em situação menos miserável que lhe dê um colchonete para passar a noite, um copo d’água ou uma cesta básica. É um povo que depende totalmente da ajuda humanitária internacional.

O Brasil pode se considerar um país rico nesse ponto: uma cidade ou um Estado inteiro sofreu com enchentes ou com a seca? O vizinho ajuda como pode e assim a vida segue. [Por vizinho entenda-se a comunidade da cidade, grupos de voluntários de outras cidades ou Estados, etc. E se a situação for mesmo crítica até o aparelho do Estado - aka governo federal - entra em ação.]

Mas o que fazer quando os mortos contam-se em centenas de milhares numa ilha montanhosa do tamanho de Alagoas, sem água potável, sem gás para cozinhar, sem energia elétrica para examinar os feridos ou esterilizar os equipamentos médicos, sem uma escola ou igreja em pé para abrigar as pessoas durante a noite?

Com todo o carinho e respeito que tenho por quem fez esses comentários, “não doar” não é uma opção válida, IMHO.

É claro que eu concordo que o ato de doar inclui a fiscalização do destino do dinheiro. Ninguém mais quer fazer papel de trouxa e ver o seu ato de boa-fé ser abusado [alimentos não-perecíveis que deveriam ser encaminhados para as vítimas da enchente de SC estragando num galpão no RJ me passam pela cabeça].

Uma alternativa para evitar isso é doar para as entidades internacionais sérias como a Cruz Vermelha, a Oxfam ou a Médicos Sem Fronteiras, eu acho. Devem ter outras instituições igualmente sérias trabalhando lá, é questão de pesquisar.

De mais a mais, se o que argumentei não te convenceu [e reconheço que não sou uma pessoa persuasiva, mas eu precisava compartilhar meu sentimento] tá limpo, direcione todas as suas doações para as vítimas das enchentes no Brasil que é tão meritório quanto doar para as vítimas do Haiti [ou de Ruanda, de Miammar, etc.]. Apenas não critique quem opta por ajudar – geralmente, quem se mobiliza por ajudar gente de fora também ajuda gente de dentro, sem fazer alarde.

O importante é que colabore, não importa qual causa, em vez de apenas criticar.

Agora, se a pessoa disser que esse ou qualquer outro desastre é castigo divino, daí eu sinto muito mas acabou a amizade.

Hope For Haiti Now

George Clooney e Elisabetta Canalli no Golden Globes, 17/01/10

George Clooney e Elisabetta Canalis no Golden Globes, 17/01/10

O ator George Clooney está empenhado na produção e organização da maratona televisiva Hope For Haiti, um evento beneficente destinado a arrecadar doações para as vítimas dos terremotos que destruíram o Haiti há uma semana.

O programa de duas horas será transmitidos pelas redes de TV ABC, Bet, CBS, CMT, CNN, Fox, HBO, MTV, NBC, The CW e VH1, nos EUA, e pelos canais internacionais da CNN, National Geographic e MTV pelo mundo. Durante a entrevista no tapete vermelho do Golden Globe, o apresentador Ryan Seacrest disse a Clooney que o canal E!Entertainment também faria a cobertura da maratona.

Algumas das presenças já confirmadas no show: Bono Vox, Alicia Keys, Justin Timberlake, Christina Aguilera, Sting, Brad Pitt, Sandra Bullock, Jennifer Aniston, Courteney Cox, Dave Matthews, John Legend, Stevie Wonder, Taylor Swift, Keith Urban, Sheryl Crow, Kid Rock, Bruce Springsteen, Mary J. Blige, Jennifer Hudson, Shakira, The Edge, Rihanna, Coldplay, Jay-Z, Tom Cruise, Julia Roberts e Carlinhos Brown.

As canções serão postas à venda pelo iTunes e a renda também será revertida para as organizações Cruz Vermelha, Unicef, Oxfam America, Partners in Health e a Yele Haiti Foundation. O rapper Jay-Z e a banda de rock U2 lançarão uma música composta especialmente após o terremoto, ainda sem título.

Hope For Haiti irá ao ar na sexta-feira, dia 22, a partir das 23h. [horário de Brasília]. No Brasil, os canais NatGeo, MTV Brasil, VH1, People+Arts, Discovery Home&Health e CNN Internaional transmitirão o evento ao vivo. Também será possível acompanhar pela Internet no Portal MTV. A apresentação caberá a  por Clooney [Los Angeles], ao cantor de origem haitiana Wyclef Jean [Nova Iorque], ao âncora da CNN Anderson Cooper [Haiti] e ao ator Robert Pattinson [Londres].

Devido à exibição da maratona, a programação das redes de TV envolvidas nas transmissão sofrerão alterações em suas grades nos EUA.

Entre os programas que terão seu horário alterado está toda a grade da CBS, que inclui episódios inéditos de Ghost Whisperer, Medium e NUMB3RS. Na Fox, o episódio final de Dollhouse foi transferido para o dia 29, enquanto a NBC e a CW transferiram, respectivamente, os episódios do dia de Law & Order e Smallville para uma data ainda não anunciada. [Omelete, 18/01/10]

Leia também:
O Fuxico | Artistas se mobilizam e fazem doações milionárias às vítimas

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8 comentários sobre “Interrompemos nossa programação normal…

  1. Eu concordo com você, tia Batata. Também não escrevi extensamente sobre o Haiti no Coruja por uma questão de tentar preservar um certo espaço de delirante alegria… ou febril, a depender do ponto de vista…

    O fato de se solidarizar mais com estados brasileiros atingidos pela chuva ou com o Haiti não tem realmente muita validez. Argumento por argumento, acho que devemos ser solidários à humanidade, e não ficar preso a bairrismos.

    Que tem havido muito sensacionalismo, isso não há dúvida. Estou evitando a televisão para não continuar a ser bombardeada pelas imagens mais terríveis que os produtores podem encontrar ou acabarei entrando em depressão.

    Acho que não estou mais fazendo sentido. Deve ser o antialérgico. Vou indo, voltar ao fichamento de Bobbio…

  2. A questão é que a “turnê do fim do mundo” (como alguém já disse mas não me lembro quem foi) não tem data nem local para passar. Amanhã pode ser aqui. Angra teve 60 mortes, todas sofridas e trágicas; muita gente perdeu a família toda, casa, tudo. O Haiti teve 100 mil mortes e todo dia morre gente por falta de comida, água e atendimento médico. Pra onde eles olham tem corpos empilhados e moscas. Não há nem como enterrar as pessoas.
    Com cenários desses, ainda tem gente implicando com quem doa? Olha, o que eu digo é o seguinte: não quer fazer, não faça, mas não ponha regras na generosidade ou na comoção dos outros. Se a vida, o bem estar e as condições mínimas do outro (sendo esse outro daqui ou de Burkina Faso) não te interessa, cuide exclusivamente da sua vida e pare de encher o saco.

  3. Assino embaixo. Fico mal quando vejo os que não fazem nada pelo próximo e além disso reclamam. Mas as boas atitudes, como o Teleton, fazem com que eu ainda tenha esperança no ser humano.

  4. Nada contra doações.

    Aliás, os governos já se mobilizam o suficiente para ajudar.
    Já se agregam para atuar em catástrofes dessa envergadura.
    Graças a Deus!

    Em entrevista no GloboNews um auditor de ongs disse que, no primeiro momento de grandes catástrofes, quem ajuda mesmo são os próprios sobreviventes.
    Na sequência, as ongs ajudam, com água, alimentos, vestuários e saúde.
    As ongs e os governos oficiais, claro!

    No caso do Haiti, ao que parece, a ONU tem sido a representante do governo local.
    Porque a grande preocupação é quem está à frente, na organização e no comando desse país.

    Com relação aos atos humanitários de doações, me deparei com a opção de participar de um abaixo assinado em pról da anistia da dívida externa do Haiti.
    Em tese, o Haiti não precisaria mais pagar em dinheiro, sequer os juros que pagam anualmente, pois não conseguem saldar sua dívida externa.
    Achei coerente.
    O link foi divulgado num post da Rosana Hermann. Coloquei no meu blog, com os créditos, e as assinaturas já alcançam a marca de mais de 145 mil assinaturas online.

    Para quem tiver interesse o link direto é: http://www.one.org/international/actnow/haiti/

    Só lamento, sinceramente, ter que dizer que sempre que ajudamos – desde minha infância – às pessoas necessitadas, todas as vezes nos deparamos com os “atravessadores”.
    Pessoas que, ao receber as doações, se achavam no direito de escolher o que queriam para si, e as sobras voltavam então para o rol dos donativos.
    Lamento dizer, mas, no próprio programa da GloboNews foi abordado esse tema.
    Não há como evitar que pessoas insensíveis lucrem com o sofrimento alheio.
    Por isso as ongs se preocupam em ter auditores.

    O tema é sério e polêmico, eu sei.
    Conhecer tais “atravessadores” me fez escolher ficar bem longe deles.
    São hipócritas e egoístas.
    Felizmente, já existem pessoas que fiscalizam as atividades das pessoas sérias, que se fazem representar em ongs sérias.
    Separam o joio do trigo, e pelo menos, minimizam o joio, dando espaço para o trigo, para as pessoas sérias.

    Não tinha focado desta maneira, até então.

    Mas, que eu compreendo a Sandy, também posso dizer que sim.
    Até hoje, recebo convites para abandonar as responsabilidades com minha mãe e com meus familiares, e me “dedicar” aos cuidados dos “necessitados alheios”.
    Como diz a minha terapeuta, todo mundo, no fundo no fundo, quer uma mãe generosa e que dê amor incondicional.
    Todo mundo quer uma madre tereza de calcutá na sua vida…
    Poucos querem ter maturidade, se recusam a assumir responsabilidades e querem permanecer infantis, carentes e necessitados.
    Um horror!

    Só lamento ter que mostrar que existem sim, os aproveitadores.
    Eu os conheci, e conheço, bem de pertinho!
    Por isto, tenho optado por ações diferenciadas, com a da ong ONE.ORG

    Triste, não é mesmo?! :(

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