Sobrevivente de caso real que inspirou Agatha Christie lança livro

Atenção: o texto a seguir pode conter spoilers da peça de teatro A Ratoeira/The Mousetrap e do conto Três Ratos Cegos/Three Blind Mice.

O texto é a tradução livre de um artigo publicado no dia 23 de fevereiro no The Independent [leia o original em inglês clicando no link].

The Mousetrap é a peça de teatro recordista em longevidade e apresentações: é encenada há mais tempo do que a própria Rainha Elizabeth 2ª tem de coroação. Three Blind Mice, a peça de rádio que originou a peça teatral The Mousetrap, aliás, foi criada a pedido da avó da Rainha Elizabeth 2ª, Mary of Teck, Rainha Consorte do Rei George 5º (da dinastia Windsor), para a comemoração dos seus 80 anos de idade. A peça de rádio foi ao ar o dia 30 de maio de 1947.

Conforme o acordo estabelecido por Agatha Christie, nenhuma adaptação cinematográfica será feita em lugar nenhum do mundo enquanto a peça estiver sendo encenada em Londres, e o conto Three Blind Mice não será publicado no Reino Unido também enquanto The Mousetrap estiver em cartaz. A tradução brasileira foi feita a partir da edição norte-americana.

“Um livro de não-ficção baseado nos eventos que inspiraram A Ratoeira de Agatha Christie está previsto para ser publicado pela HarperCollins, anunciou o The Bookseller no dia 17 de fevereiro. Escrito por Terrence O’Neill, cuja história e testemunho à corte inspirou a peça de Christie, Someone To Love Us [“Alguém Para Nos Amar”, em tradução livre] será publicado em 4 de março [na Inglaterra; e no dia 1º de abril na Austrália].

Terence O’Neill e seu irmão, Dennis, foram levados para um lar adotivo em 1945 na fazenda de Reginald e Esther Gough no Shropshire, Inglaterra. Os dois sofreram espancamentos e falta de cuidados, e mais tarde naquele ano Denis morreu com a idade de 12 anos devido aos ferimentos que havia recebido.

Quando tinha 10 anos, Terence O’Neill testemunhou no caso de homicídio culposo contra seus pais adotivos. Os Gough receberam sentenças de prisão, e o caso ganhou as manchetes nacionais e internacionais e levou à criação de providências para proteger as crianças da negligência e crueldade.

O caso também tornou-se a inspiração para a peça de rádio Three Blind Mice [Três Ratos Cegos] de Agatha Christie, que Christie mais tarde alterou e desenvolveu na peça teatral de longa duração de morte e mistério The Mousetrap [A Ratoeira]. Conhecida pela sua reviravolta final, A Ratoeira vem sendo encenada ininterruptamente desde 1957, a carreira mais longa de qualquer peça da história.

Atualmente com mais de 70 anos, Terrence O’Neill publicou seus textos sobre os acontecimentos no Authonomy, um website da HarperCollins para escritores não publicados, onde foi descoberto por editores. De acordo com a HaperCollins, O’Neill vive atualmente com sua família em South Wales.”

Hotsite do livro na HarperCollins.

O livro está em pré-venda na Amazon.UK por £5,49.

Detalhes do produto
Paperback: 320 pages
Publisher: Harper Element (4 Mar 2010)
Language English
ISBN-10: 000735018X
ISBN-13: 978-0007350186

“Terence O’Neill tem agora 74 anos, casado, com filhos, netos e bisnetos. Depois de viver com os Gough, Terence ficou sob os cuidados das autoridades locais até os 18 anos. Ele então juntou-se ao Exército por vários anos, antes de se aposentar. Agora ele vive, cercado pela família, em South Wales.” [do site da Amazon.UK,em tradução livre]

“”Nós estamos muito excitados por publicarmos isso”, disse Laura Summers pela HarperCollins. “Nós publicamos alguns romances selecionados do Authonomy que se tornaram bestsellers, e esperamos que aconteça a mesma coisa nesse caso.” [The Guardian, 19/02/10, em tradução livre]

A trama tem diversas reviravoltas e o final é tradicionalmente um segredo guardado com típica educação inglesa: a platéia é convidada a não revelar quem é o assassino. Pedido que é respeitado até mesmo em resenhas, grupos de discussão e verbetes enciclopédicos. [Livraria da Folha, 22/02/10]

Para saber mais
Time: Foreign News: Child Victims
Faceless Innocence: Dennis O’Neill
Community Care: What have we learned? Child death scandals since 1944
Wikipedia: Dennis O’Neill case
Google Books: Britain in the Second World War: a social history

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11 comentários sobre “Sobrevivente de caso real que inspirou Agatha Christie lança livro

  1. Uau!

    Já havia ouvido falar sobra a longevidade dA Ratoeira, mas desconhecia os detalhes sobre a origem da história e as restrições contratuais. Agora fiquei curiosa para saber a história, vou atrás do livro…

    Parabéns pelo ótimo artigo, Naomi!

    Beijocas!

  2. Será que já fizeram um filme da obra? Já que li tão pouco da Agatha Christie, procuro acompanhar os filmes ao menos, sentadinha no sofá à noite, com pantufas quentinhas, enqto tricoto um cobertorzinho para a minha neko. Depois que te conheci, Naomi, fiquei tbém tarada pelo gênero. Já vi TUDA da Miss Marple e Poirot. Por tabela, sigo o Sherlock, aquele com Jeremy Brett. Beijin

  3. nada a ver com o post, mas olha que interessante essa noticia no ig:

    “A tradutora e blogueira Denise Bottmann, do site Não Gosto de Plágio, precisa de ajuda. Caçadora mais ou menos solitária de picaretas editoriais, está sendo processada pela editora Landmark, que pede ao juiz indenização mais a retirada de seu blog do ar – informa Alessandro Martins, do blog Livros e Afins. Tudo por ter denunciado que a tradução de “Persuasão”, de Jane Austen, lançada pela Landmark com a assinatura de um de seus proprietários, Fábio Cyrino, seria praticamente um xerox de uma antiga – e fraca – tradução portuguesa da lavra de Isabel Sequeira, até em seus numerosos erros. A blogueira Raquel Sallaberry, do Jane Austen em Português, também está sendo processada pela editora.”

    parece que andam requentanto traduções de outras pessoas e colocando nomes de outras para não pagar direitos

    • nossa, eu lembro de ter lido os posts da discórdia no blog da denise. foi por causa disso que desisti da edição bilíngue de persuasão. esse processo é um absurdo enorme, e o campo dos direitos autorais é tão cheio de lacunas que espero que caia nas mãos de juiz esclarecido e não partidário [por causa do nicho da landmark].

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