The Righteous Men / O Código dos Justos

Capa do livro

Capa do livro

Algumas pessoas torcem o nariz para o gênero literário que Dan Brown popularizou com o Código Da Vinci, é direito delas, mas não dá pra tapar os olhos e fingir que ele não gerou um mercado com boa demanda, a julgar pelas listas semanais dos livros mais vendidos. Eu leio, são um passatempo divertido.

Já li, xeu ver… Além do próprio Código Da Vinci, Anjos & Demônios e metade de Ponto de Impacto do Brown, O Segredo do Anel da Kathleen McGowan e O Enigma do Quatro [Ian Caldwell e Dustin Thomaso]. No caso de O Código dos Justos [The Righteous Men, Inglaterra/2003] o autor Sam Bourne segue a receita de bolo do Dan Brown. Ele só muda o recheio.

Foi justamente esse novo sabor que me interessou – o livro tava encostado na estante desque meu pai o enviou seis meses atrás e eu tava à procura duma leitura leve e rápida pra descansar de cinco biografias em sequência. A capa e a sinopse não me atraíram de imediato e fiquei na dúvida entre esse e os outros dois do lote que me faltam ler. Uni-duni-tê resolveu a questão.

Mas voltando ao tal novo sabor, desta vez a religião de fundo é o judaísmo com destaque para o ramo chassídico ou hassídico de New York. O plot do suspense é o sequestro da esposa do jornalista Will Monroe Jr., do New York Times. O pai de Will é Juiz da Corte, mas quem ajuda o jornalista na investigação são a ex-namorada TC, o amigo nerd Tom e um informante misterioso que o guia através de mensagens de texto de celular em forma de charadas.

É legal ou num é? 😆

Capa britâniac

Capa britânica

A base teológca niqui a trama se sustenta [uia] é uma lenda hassídica que conta que, em toda geração, existem 36 homens justos que são os responsáveis pelo mundo continuar existindo, evitando que Deus o destrua. Digo, vou contar a história conforme entendi do livro, belê? Pode não ser muito acurado. A origem deste folclore é a Bíblia, cRaro: quando Deus decidiu destruir Sodoma, Abraão tentou interceder e então Deus disse que pouparia a cidade se ele encontrasse cinquenta homens justos.

Abraão começou a negociar, negociar, até que chegaram a um acordo: se ele encontrasse dez homens justos a parada tava limpa. Bão, ele achou só o Ló e o resto da história cê já sabe e não vem ao caso aqui. A não ser que você tenha um pedaço de pão-de-ló com chá pra gente comer enquanto isso. *Caham* Perdão, isso foi a lombriga Jurema falando.

Em todo caso, dos dez do Abraão aos 36 do judaísmo chassídico vai uma aritmética que tem a ver com o alfabeto hebraico e tem explicação no Talmude, conforme esse verbete no Wikipedia [esse verbete foi usado no livro, com citação e tudo]. Enquanto houver 36 homens justos o mundo está a salvo. Homens, perceba. Não como o genérico significado de “pertencente à raça humana”, e sim do sexo masculino. Um homem justo não reconhece outro homem justo porque o homem justo é humilde, está é uma condição sine qua non [olha, mãe! usei latim!]. Se um homem justo achar que é um homem justo ele deve morrer e ser substituído.

Um homem justo pode ser um pastor evangélico que trabalha numa favela, pode ser um homem pobre e anônimo que monta um abrigo de refugiados em Darfur, sim, mas pode ser também um cracker que inventa um código para destruir todos os sites de pedofilia da Internet, um WASP [branco protestante anglo-saxão] miliciano defensor das armas ou um cafetão. Basta que eles tenham praticado uma única ação boa – ou justa – na vida. Tem a ver com a crença judaica que diz “Salve a cheerleader, salve o mundo.” “Salve uma vida, salve o mundo.”

Capa paperbck americana

Capa paperback americana

Eu gostei demais desse conceito, significa que o homem justo vive no meio dos pecadores e não isolado, em ascese, longe das tentações, em comunidades fechadas só com outros tão devotos e pios como ele. Sim, gostei muito mesmo.

Mais importante ainda, cê tá ligado que para os judeus o Messias prometido ainda não chegou, né? Por isso que a religião não comemora natal, essas coisas. Então. Segundo o livro, em toda geração de 36 homens justos existe um que pode vir a ser o Messias se a ocasião se fizer necessária.

Achei bem bolado [embora obrigue o leitor a acreditar em coincidências num nível acima das probabilidades estatísticas] como o autor encadeou essa crença num suspense de ação e mistério ágil e sem pontas soltas. O livro tem ritmo, tem gancho, tem personagens razoavelmente construídos e rende umas três ou quatro noites de leitura, talvez uma semana até.

A edição nacional carece de uma revisão melhorzinha. Encontrei uns erros gramaticais [vírgula a separar sujeito de predicado, por exemplo]. Não sei se isso foi corrigido em edições posteriores. A tradução do título pro português brasileiro me pareceu um pouquinho de forçação de barra pra associá-lo com o bestseller do Dan Brown – em Portugual a tradução ficou “Os 36 Homens Justos” – mas como a capa da HarperCollins também tentou associá-lla ao desenho do Homem Vitruviano de Da Vinci, tá limpo.

Resenha de Matilda Lisle

Título: O Código dos Justos
Título Original: The Righteous Men
Autor: Sam Bourne [pseudônimo de Jonathan Freedland]
Tradução: Alda Porto
Editora: Record [v. hotsite]
Ano: 2007
ISBN: 9788501075987
Idioma: Português
Tipo de Capa: BROCHURA
Edição: 1
Número de Páginas: 476

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4 comentários sobre “The Righteous Men / O Código dos Justos

  1. Uau!

    Gostei do Código da vinci, apesar de ser leitura pra uma vez só. Adoro esses suspenses que têm uma boa trama e alguma tradição antiga e/ou secreta por trás. Acho que vou gostar desse aí.

    Rolei de rir com seus comentários, tá inspirada hoje, não?

    Mas cá entre nós, se em mais de 6 bilhões de pessoas tá tão difícil assim achar 36 homens justos (tá, 3 bilhões e poucos, são só os que têm o cromossomo Y), estamos a perigo, não?

    Grande beijo!

  2. Pingback: Retrospectiva Literária 2010, Top 5, Bottom 3 « Pensamentos de Uma Batata Transgênica

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