Desafio Literário | Lady Dorinda / Rosa do Oriente

Sinopse
Dorinda renunciara à felicidade e ao amor, mas isso fora antes de conhecer Maximus Kirby!
Em sua fria e escura mansão, Dorinda era uma sombra, sempre se esgueirando pelas escadarias, sempre correndo para se esconder quando um convidado chegava. Não suportava ver a repulsa dos que olhavam para seu rosto, deformado por uma doença que nenhum médico conseguia curar. Era Lettice, sua linda irmã, que estava destinada a ter um futuro brilhante como esposa do riquíssimo Maximus Kirby, o homem mais poderoso de Cingapura. Mas, por ironia, a irmã se recusava a cruzar o oceano ao encontro do noivo que a esperava. Só concordou com uma condição: que Dorinda a acompanhasse. Assim, as duas partiram a bordo do Osaka, rumo ao oriente desconhecido. E, em pleno Mar Vermelho, um milagre aconteceu!

Coleção Rebeca

Coleção Rebeca

Dame Barbara Cartland reclinava-se no sófá do seu estúdio todos os dias às 13h30 e ditava seus romances para uma secretária e um gravador durante duas horas. Eram oito mil palavras por sessão: um romance a cada duas semanas. Era tão prolífica que, quando faleceu aos 98 anos em maio de 2000, deixou 160 livros inéditos.” [Times Online, tradução livre]

Cartland é conhecida ainda hoje como a Rainha do Romance, com 723 livros publicados em vida e mais os 160 que estão a sair pela Pink Collection, editados pelo seu filho, ao ritmo de um por mês. Aliás, pink é a cor associada à escritora e jornalista porque era o tom de rosa que ela usava nas roupas e acessórios, destacados fortemente contra o cabelo platinado e a maquiagem pesada.

Sua família não fazia parte da nobreza que ela gostava de retratar nos romances, mas vivia com conforto de classe média alta até que seu avô paterno, banqueiro, foi à falência e se suicidou. Seu pai era miltar e foi morto na 1ª Guerra Mundial; seus dois irmãos foram mortos na 2ª Guerra. Para prover o sustento da casa, sua mãe abriu uma loja de costura.

Barbara supostamente rompeu o primeiro noivado quando descobriu os segredos do intercurso carnal [awww] – nada surpreendente, aqui. Ela nasceu no ano em que a Rainha Victoria morreu, então sua mãe devia guiar-se pelos princípios vitorianos na criação da menina: não falar a respeito. É claro que eventualmente a jovem Barbara superou tais pruridos, vsto que ela casou-se duas vezes e teve três filhos. Não apenas casou-se duas vezes, mas seu primeiro marido acusou-a de ter um affair com o que viria ser o segundo e que era primo dele. Oh, fofoca suculenta! E de fofoca ela entendia, pois seu primeiro emprego foi como colunista da seção de fofocas do jornal Daily Express.

Capa original

Capa original

Todo esse background de certa forma ajuda a compreender as tramas de seus livros, que li poucos perto do quase um milhar de títulos, mas que mesmo assim deixam perceber que adotam temas comuns: a nobreza empobrecida casando-se com o dinheiro mas que no fim revela-se ser amor verdadeiro, “aventuras alucinantes, suspense e a vitória do amor sobre todas as adversidades” [cit. na página oficial da autora].

É o que acontece em Lady Dorinda ou Rosa do Oriente – que são o mesmo livro, lançado em coleções diferentes no Brasil. No post sobre o tema Escritor[a] Latino-Americano[a] comentei que Isabel Allende tinha o hábito de alterar as traduções que fazia dos romances ingleses para dar mais substância às heroínas. Não creio que ela tenha sentido a necessidade de fazer isso neste caso, se tivesse lhe caído nas mãos.

Lady Dorinda Burne tem limitações provocadas por ser mulher, pobre, e por sofrer de um eczema “desfigurante”, mas não é uma tola balbuciante que só pensa em encontrar seu amor verdadeiro na pessoa de alguém rico o bastante para mantê-la confortavelmente e ser sua escrava pelo resto da vida.

Ela é inteligente e, talvez porque não tem vida social e nem esperança de casar-se, dedica-se a estudar de forma autodidata, já que o seu nobre papai acha que é um desperdício educar meninas. Quando ele arranja o casamento de sua irmã mais jovem com o arrojado Maximus Kirby, administrador da então colônia do Império Britânico em Cingapura, Lay Dorinda viaja disfarçada de dama de companhia da irmã [como nobre, esta era uma ocupação proibida para ela].

Boa parte do livro se passa dentro do navio que as leva para Cingapura. Lettice logo cai de cama, prostrada pelo balanço do mar e por pirraça, já que não quer se casar: ela tem um medo irracional de homens , de ficar íntima de um deles [lembra bastante o episódio do tal noivado de Cartland]. Lady Dorinda, ou Miss Hyde, faz amizade com o médico de bordo e com Irmã Teresa, outra passageira do navio, que ajuda Dorinda om Lettice para que ela possa descansar um pouco.

Um dos motivos pelos quais este livro se destaca é que a autora se esforçou para ampliar os horizontes: ela comenta a geografia e a arte oriental, inclui aqui e ali algumas referências históricas que permitem localizar a trama no tempo da Rainha Vitória e até  se arrisca na área da medicina. É bem verdade que o ponto de vista sociológico do livro é tendencioso: duvido que, em condições reais, os nativos reverenciassem o administrador do jeito que foi retratado no romance, por mais que ele fosse justo e com altos valores éticos.

Nota da autora [prólogo]
É um fato médico que o eczema pode desaparecer no clima quente e úmido do sul da Ásia. Eu mesma vi isso acontecer em Cingapura e Bangcoc.
Embora Maximus Kirby e Dorinda sejam personagens imaginários, o cenário de Cingapura e parte da história da cidade são completamente reais, inclusive a descrição dos piratas. Mordidas de cobra, tanto na Inglaterra quanto nas colônias, eram tratadas, há vinte e cinco anos atrás, do modo aqui descrito.

Neste ponto [a ideia de como os nativos devem ter visto os colonizadores britânicos] acho que o livro de Isabel Allende se aproxima mais da verdade, mas num ponto Cartland e Allende concordam: para elas, o ato de fornicar deve ser devidamente apreciado. 😆

Serviço
Verbete na Wikipedia – biografia
Comunidade brasileira dedicada à Barbara Cartland no Orkut

Barbara Cartland corta a fita pink no lançamento de seu website, com o seu computador pink


Link http://www.youtube.com/watch?v=iRlJnNB6CnQ

Artigo O que é eczema?
Answers.com Did Queen Victoria ever set foot on Singapore?
Artigo História de Cingapura
Post Rainha Vitória uma governante a frente de sua época

Lady Dorinda [Coleção Rebeca nº 5325] ou Rosa do Oriente [Coleção Barbara cartland nº 72]
Título original: The Magnificent Marriage [Inglaterra/1974]
Autor: Barbara Cartland [barbaracartland.com]
Tradução: Ivany da Silva Nunes
Editora: Tecnoprint
Ano: 1977
ISBN: n/d
Páginas: aprox. 140

Este post faz parte da blogagem coletiva Desafio Literário 2010 [v. lista de livros agendados], tema Romance de Banca.

Blog do Desafio Literário

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9 comentários sobre “Desafio Literário | Lady Dorinda / Rosa do Oriente

  1. Pingback: Blogagem Coletiva | Desafio Literário 2010 « Pensamentos de Uma Batata Transgênica

  2. Adorei, Naomi!

    Só você mesmo para fazer uma resenha tão suculenta e detalhada de um romance “rosa”…

    Lembro de ter lido muitas Barbara Cartlands na adolescência, e era o supra-sumo do romantismo. Ainda assim, eram romances mais bem cuidados que as Sabrinas e Júlias. Sempre se podia aprender algo curioso e interessante nesses romances (ainda que fosse a conclusão em comum de Allende e Cartland – 😉 )

    A semana rendeu bem na leitura, não? Eu estou aqui empacada na minha resenha por conta da trabalheira, quem sabe consigo terminar tudo mais cedo hoje…

    Beijos!

  3. Embora eu fosse obcecada com romances tipo Julia, Bianca, Sabrina e afins (mas mesmo dentro deles tinha um tipo específico que eu gostava), nunca suportei Barbara Cartland. Sempre achei o seu estilo meloso demais, a sua escrita floreada demais para mim. Escorria açúcar das páginas e me deixava enjoada. Nem lembro se consegui chegar ao fim de algum dos livros dela que comecei.
    Vendo o quanto você parece gostar dela me faz pensar em talvez tentar ler um livro dela, mas…já tenho tanta coisa mais interessante na lista que acho que no fundo não vale a pena o sacrifício.

  4. Pingback: Retrospectiva Literária 2010, Top 5, Bottom 3 « Pensamentos de Uma Batata Transgênica

  5. Pingback: Cyrano de Bergerac | Adaptações, versões, inspirações « Pensamentos de Uma Batata Transgênica

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