Desafio Literário | A Volta Ao Mundo Em 80 Dias

Sinopse
Seja bem-vindo á mais fascinante viagem de todos os tempos! Phileas Fogg, um aristocrata inglês, leva uma vida de luxo e ao mesmo tempo solitária.
Até o dia em que resolve fazer uma aposta com os amigos do clube ao qual pertence: dar a volta ao mundo em 80 dias na companhia de seu fiel criado. Nessa jornada ele passa por aventuras sensacionais e tem que correr contra o tempo para completar a tarefa e chegar de volta a Londres no horário estipulado. Um dos livros mais lidos de todos os tempos, filmado várias vezes e citado em diversas obras e desenhos, a ponto de se tornar sinônimo de Júlio Verne e suas histórias visionárias. A experiência de ler esta obra o levará a lugares nunca imaginados. Trata-se de um livro inesquecível e de fácil leitura, que o deixará com a sensação de querer mais.

Capa do livro

Capa do livro

Antes de falar da história em si, xeu comentar um aspecto desta edição que tenho em mãos desde 2003, parte da coleção Obras-Primas da Nova Cultural: durante a leitura, me bateu um incômodo. Eram palavras e construções que me soavam – se não lusitano, pelo menos muito, muito vetusto. Tive até de desenterrar este adjetivo para dar uma ideia mais acurada do que eu senti. :lol:

Diversas vezes eu parei a leitura, voltava e relia, e exclamava: “mas hein?” Sei que é um clássico e, mais, um clássico indicado para jovens. Assim, eu sugiro aos interessados que procurem outra edição. No Skoob achei 30 – alguns são edição condensada, mesmo assim tem muita alternativa. Não sei dizer qual, mas deve ter alguma menos obsoleta – embora, é claro, o vernáculo clássico seja precolendo.

Tá bom, tá bom, parei coas gracinhas.

Outra curiosidade desta leitura é que a história se passa quase na mesma época e nos mesmos lugares que os dois primeiros livros lidos para o Desafio Literário: o período vitoriano, Cingapura, Hong Kong, San Francisco… Parecia até aula de reforço pra fixar bem o conteúdo da matéria, sabe?

O livro do francês Jules Verne foi lançado em 1873, com a trama se passando entre 2 de outubro e 21 de dezembro de 1872 – os tais 80 dias [ou os quatro-vintes do original francês - além de geografia, geopolítica e história, ainda aprendemos matemática, ora pois!].

Phileas Fogg é um cavalheiro inglês fleumático e imperturbável, membro do Reform Club em Londres, onde passa os dias na mesma rotina: almoço, jornais, chá, mais jornais, jantar, uíste [um predecessor do bridge]. No dia 2 de outubro a conversa na mesa de jogo gira sobre o roubo de 55 mil libras de um banco. Fogg defende que o ladrão já deve estar longe, pois o mundo diminuiu de tamanho: com as novas rotas de trem e de navio as viagens ficaram mais rápidas e era possível circundar o mundo em 80 dias.

O itinerário de Phileas Fogg e Passepartout

O itinerário de Phileas Fogg e Passepartout (ampliável)

Vale lembrar que, independente de quem o leitor acredite que tenha inventado o avião, seja os Irmãos Wright ou Santos Dumont, isso só aconteceu no início do século seguinte. Mesmo o primero voo tripulado de planador só ocorreu dez anos depois do lançamento o livro. A única opção de viagem aérea tripulada à época era o balão – que não foi usado no livro.

Os colegas de jogo duvidam de Fogg, que só tem sua fleuma britânica perturbada quando mexem numa coisa, a sua honra. Ele então aposta com os outros que faria a volta ao mundo em 80 dias e parte para sua casa, a fim de apanhar seu criado – que começara a trabalhar com Fogg na manhã daquele mesmo dia porque procurava um patrão caseiro e metódico, ao contrário dos patrões anteriores que ele julgava ingleses excêntricos.

Assim, Phileas Fogg e Passepartout dirigem-se a Suez. O canal que liga o mar Mediterrâneo ao Mar Vermelho foi aberto apenas três anos antes – antes disso era necessário dar a volta por toda a África para ir ao Oriente [lembra-se que Fogg disse que o mundo diminuiu?]. Em Suez eles encontram-se com o Detetive Fix da Scotland Yard. Fix viu Phileas Fogg desembarcar para carimbar o passaporte [e portanto comprovar que esteve ali, embora, como Suez fizesse parte do Império Britânico, o súdito da Rainha não fosse obrigado a apresentar-se no consulado].

O detetive ficou com a ideia fixa de que Fogg era o ladrão do roubo do banco porque a sua imagem correspondia à descrição dos jornais – ainda hoje, com a Internet e tudo o mais, ainda tem gente presa no lugar de outro, imagine quase 150 anos atrás! Fix passou a persegui-los enquanto aguardava o mandado de prisão.

O francês Jean Passepartout iniciou a viagem muito confuso com a ideia de que seu patrão, tão famoso pelo amor à rotina, de repente desabalasse pelo mundo numa viagem contra o relógio mas aos poucos foi se entusiasmando com a aventura. Finalmente, na Índia, Passepartout sente aflorar uma admiração devotada ao patrão quando Mr. Fogg sai de seu trajeto para salvar a jovem viúva parsi [zoroastrista] de um rajá, que estava para ser cremada viva junto com o corpo do esposo, segundo os costumes da religião e da região. E assim a Sra. Aouda une-se ao trio na volta ao mundo.

Trailer do filme A Volta Ao Mundo Em 80 Dias [1956]


Link http://www.youtube.com/watch?v=fEqkeNTLrcM

Jules Verne escreveu esta história durante a Guerra entre a França e a Prússia, enquanto trabalhava na guarda costeira. Ele estava em má situação financeira porque, mesmo já sendo um escritor consagrado com vários sucessos literários, naquele tempo não se pagavam direitos autorais. Nos anos anteriores, além da abertura do Canal de Suez, duas outras obras foram notícia e atiçaram-lhe a imaginação: a ligação ferroviária entre diversas linhas indianas, e a primeira ferrovia transcontinental, que ligava San Francisco a Nova York, atravessando os EUA do oeste para o leste até o Oceano Atlântico por terra.

Desde então, muita gente já se aventurou a fazer o mesmo trajeto nas mesmas condições – isto é, sem voar -, dentre os quais o Monty Python Michael Palin [79 dias e 7 horas], que teve sua aventura documentada pela BBC. O livro também deu origem a peças de teatro, revistas em quadrinhos, animações e filmes. As duas adaptações cinematográficas mais conhecidas são a de 1956 com David Niven, Cantinflas e Shilery MacLaine, e a versão Disney de 2004 com Steve Coogan, Jackie Chan e Cécile de France – e os irmãos Luke e Owen Wlson como os Irmãos Wright. Não me pergunte.

E lembro de ter assistido uma versão feita pra TV com o Pierce Brosnan, outro Monty Python [o Eric Idle] e o Peter Ustinov – essa foi a que eu gostei mais, embora também não seja aquelas coisas em matéria de fidelidade, agora que li o livro…

Trailer do filme A Volta Ao Mundo Em 80 Dias [2004]


Link http://www.youtube.com/watch?v=yRyYeg8kR0s

— Mas as malas?… disse Passepartout, que balançava inconscientemente sua cabeça para a direita e para a esquerda.
— Nada de malas. Uma sacola de viagem só. Dentro, duas camisas de lã, três pares de roupa de baixo. O mesmo para si. Faremos compras pelo caminho. Traga para baixo minha capa de chuva e minha manta de viagem. Vá com bons calçados. Apesar de que andaremos pouco ou nada. Vá.

Título: A Volta Ao Mundo Em 80 Dias
Título original: Le tour du monde en quatre-vingts jours [França, 1873]
Autor: Júlio Verne [Jules Verne]
Tradução: Therezinha Monteiro Deutsch
ISBN: 8513011150
Editora: Nova Cultural
Ano: 2003
Páginas: 318

Este post faz parte da blogagem coletiva Desafio Literário 2010 [v. lista de livros agendados], tema Clássico da Literatura Universal.

Blog do Desafio Literário

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23 comentários sobre “Desafio Literário | A Volta Ao Mundo Em 80 Dias

  1. Pingback: Blogagem Coletiva | Desafio Literário 2010 « Pensamentos de Uma Batata Transgênica

  2. Sério que ele não usa balão? De onde vem a minha imagem deles viajando em um balão então?

    E o livro é bom mesmo? Realmente vale a pena? Aiai…estou acumulando interesses com esse negócio de vc estar participando do tal desafio literário. Quero ver tempo para ler essas coisas. (comecei ontem A Valsa Inacabada, já ouviu falar?)

    • sério mesmo, não usam balão. sei que tem edição que até colocou balão na capa, mas aaacho que foi por causa do filme.

      ó, o livro é legal, só não é legal essa tradução que peguei.

      [de quem é a valsa inacabada? depois fa review, plis?]

  3. Aff, repito a pergunta sobre o balão. Acuma?

    Titia Batata, já leu “Um Assassinato, Um Casamento e um Mistério” de Mark Twain? Ele tem uma visão bastante peculiar sobre o Verne e sobre as histórias dos livros dele. É um livro fininho, vale a leitura! ;D

  4. Ótima resenha, Naomi!

    Quer dizer que nada de balão? O charme do filme com o David Niven é mesmo o balão, não vi as outras versões, mas ele é o próprio inglês fleumático, está perfeito no papel.

    Agora quero ler o livro… (minha lista só aumenta, ai!)

    Beijocas!

  5. Naomi
    Eu conheco a historia mas ainda nao li o livro que deve ser fantastico como voce escreveu!!! Estou quase terminando O Laboratorio dos venenos, confesso que tem umas partes muito cansativas, mas estou gostando. Depois te conto mais …. Beijos

  6. Pingback: Retrospectiva Literária 2010, Top 5, Bottom 3 « Pensamentos de Uma Batata Transgênica

  7. Parabéns!!!!òtimo trabalho, adorei a resenha!! È sempre bom ter umas resenhas assim, sem mesmo ter lido o livro, nós ja se interage com ele e queremos ler o livro imediatamente!!!Bom Trabalho!!
    Adorei!!(quero mais resenhas assim) :)

    Beijocasss!!!

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