Desafio Literário | Casório?!

Sinopse
Lucy Sullivan vai se casar. Essa moça de 26 anos, que divide o apartamento com as amigas, não tem dúvidas de que, dentro de poucos meses, estará entrando na igreja durante uma linda cerimônia. Só falta um pequeno detalhe: o noivo! Mas Lucy, que nem ao menos tem um namorado e nunca foi muito bem-sucedida no amor, confia piamente nas previsões de sua cartomante e iniciará uma busca incessante (e hilariante) por um bom partido: ele só precisa ser bonito, inteligente e não lembrar em nada o seu pai. A escritora Marian Keyes – após os imensos sucessos Melancia, Férias! e Sushi – está de volta com Casório?! , um romance contagiante e engraçadíssimo.

Capa do livro

Capa do livro

Quando estava a selecionar os livros pro Desafio Literário tive de pedir ajuda pro tema Chick Lit, caus que só me lembrava de ter lido dois ou três que se encaixavam nos requisitos: o dois Bridget Jones, da Helen Fielding, e o Mulherzinhas, da Louisa May Alcott, que por acaso são meus Top Favoritos Foréva. Escolhe daqui e dali, fui no seguro e optei por um bestseller de uma autora que vejo sempre na lista de mais vendidos.

Ia ler no Miguelito quinem os dois primeiros, só que as costas e os óculos começaram a pedir arrego e daí eu que arreguei na Estante Virtual. Quando o livro chegou me senti como o Ron Weasley em Harry Potter e A Câmara Secreta ao ver Hermione chegar com um livro enorme dizendo que o pegou na biblioteca para uma “leitura leve”: Casório?! é um catatau de mais de 600 páginas.

Fiquei satisfeita por ter o livro físico em mãos – não por causa do tamanho e do transtorno que me poupou de ler tudo no computador, mas porque só terminei de ler pra fazer valer os meus caraminguás. Se dependesse só da história teria largado pela metade, talvez nem isso.

Lucy é uma jovem mulher que trabalha num escritório ganhando pouco e fazendo ainda menos serviço. Ela gasta a maior parte do tempo trocando fofocas com as colegas ou falando mal do chefe, a quem chamam por um apelido maldoso pelas costas. Depois volta para o apartamento que divide com duas amigas, uma mandona e outra de inteligência limitada. Lucy nunca tem calcinhas limpas ou roupas passadas, mas mantém um bom estoque de livros de autoajuda.

Trailer da minissérie britânica Lucy Sullivan Is Getting Married


Link http://www.youtube.com/watch?v=9eaHck3uMBo

Nos fins de semana ela vai a pubs e festas, onde consome grandes quantidades de álcool. Numa dessas festas conhece Gus, o músico que passa a ser  seu namorado irregular. Dennis, o amigo gay de Lucy, as colegas de trabalho e de apartamento adoram Gus, mas Daniel, o amigo de infância, nem tanto.

Daniel é um mulherengo com um bom emprego e um bom carro [batizado de “fodomóvel”] que faz muito sucesso com as mulheres e que gosta de Lucy do jeito que ela é, e é a quem ela recorre quando sua mãe, com quem tem um relacionamento tenso e cheio de cobranças, abandona seu pai para viver com outro homem. Lucy sempre tomou o partido do pai, acreditando que a esposa o oprimia.

A trama segue leve na maior parte do tempo, mas a autora teve coragem de abordar alguns problemas sérios: a depressão clínica, o alcoolismo e “mulheres que amam demais”. Quem leu o livro da Robin Norwood sabe do que tou falando. Nessas horas a tal da leitura leve fica pesada, porque Keyes mergulha mesmo no problema. Esse é um ponto positivo do livro.

Outro ponto a favor é que, nas partes leves, é realmente engraçado – principalmente nas partes em que as coisas dão errado pra Lucy. Quando a Lucy tenta ser engraçada já não é tão divertido, porque ela despeja preconceitos e grosserias demais. Não consegui simpatizar nem criar empatia com nenhum personagem, ou torcer pra alguém nem nada.

Achei que a Lucy tem uma personalidade fraca e acomodada que precisa de um agente externo pra se mexer ou tentar mudar alguma coisa, seja um amigo, familiar, algum desconhecido que acabou de encontrar ou, de preferência, um homem que será o seu interesse romântico.

O canal de TV britânico ITV adaptou o livro numa minissérie de 16 capítulos em 1999 que não teve muita audiência, recebeu muitas reclamações por causa do conteúdo inadequado pro horário e que mudou de horário várias vezes, foi reeditado, redublado, reexibido e continuou com pouco público. Gerard Butler fez o papel de Gus. Pascal Langdale [Daniel] voltou a trabalhar com Butler em O Fantasma da Ópera, num papel sem nome.

Pensei em baixar a série, mas desisti depois que terminei de ler. Pensei em comprar Melancia da mesma autora, que tá em promoção no catálogo da Avon, mas também mudei de ideia. Por enquanto, minha relação com a autora será “oi, prazer, tchau, bjomeliga.”

Serviço
Ficha da minissérie no iMDB
Verbete na Wikipedia [em inglês]
Site Grupo MADA – Mulheres que Amam Demais

Título: Casório?!
Título original: Lucy Sullivan Is Getting Married [Inglaterra, 1996]
Autor: Marian Keyes [mariankeyes.com]
Editora: Bertrand Brasil
Trad.: Renato Motta
ISBN: 8528611302
Ano: 2005
Edição: 1
Número de páginas: 644

Este post faz parte da blogagem coletiva Desafio Literário 2010 [v. lista de livros agendados], tema Chick Lit.

Blog do Desafio Literário – as inscrições para o DL ainda estão abertas, se tiver interesse corre lá. 😉

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35 comentários sobre “Desafio Literário | Casório?!

  1. Pingback: Blogagem Coletiva | Desafio Literário 2010 « Pensamentos de Uma Batata Transgênica

  2. Eu li Melancia e gostei, mas depois li Sushi for Beginners e já não achei lá essas coisas. Dei Casório para minha avó, ela disse que era legalzinho e só. Aí eu também dei um beijomeliga pra Marian Keyes.
    Nem sabia que tinha uma série. Deviam ter feito de Melancia.

    • ‘legalzinho’ é o equivalente de ‘simpático’ quando a gente não quer magoar a pessoa… 😉

      ó, melancia eu não sei, mas desconfio que optaram por adaptar casório por causa de bridget jones. a estrutura é a mesma.

  3. Eu comecei a ler Melancia, mas ainda não me envolvi com o livro (também, né, estou no capítulo 2…). Mas já sinto o que você sentiu lendo Casório: que não vou gostar de nenhum personagem…
    Gostei da sua resenha, de qualquer jeito 🙂

  4. Olha, eu tb estou lendo um livro da Marian Keyes esse mês e definitivamente não estou nadinha satisfeita.

    Essa mesma insatisfação que pude perceber no seu post está estampada em mim. Outro comentário que vc fez e é EXATAMENTE o mesmo que o meu é o tamanho de páginas (peloa amor de Deus, um chicklit consegue passar o recado em menos de 750 páginas!).

    Mas vou esperar terminar o meu para criticar um pouquinho mais.

    E, para terminar estou contigo e não abro: “(…)minha relação com a autora será “oi, prazer, tchau, bjomeliga.”

    • diana, não sei se isso acontece com você tambem, uma impaciência pra chegar logo ao fim mas não de um jeito positivo como “meu deus, o que vai acontecer com tal personagem?”, e sim “mas isso não termina nunca…”

  5. Oi

    Esse foi um dos dois livros da Marian Keyes que não gostei; o outro foi “Um Bestseller para chamar de meu”. Gosto mais de “Melancia” e dos outros que são mais ou menos sequência, pois contam as histórias das irmãs da protagonista de Melancia.

  6. Engraçado, esse é o que eu mais gosto da Marian. O único que eu guardei quando fiz a limpa na estante.

    Adoro quando Lucy Sulivan não quer pensar nos problemas e diz “não quero falar sobre isso”. Uma amiga sempre diz que eu “faço a lucy sulivan” quando tenho problemas.

    E acho fantástica a crise de depressão de Lucy. Quem já passou por isso, se identifica muito, chegando até a rir de si mesm!

    Adorei o blog, já add aos meus feeds 🙂

  7. Pingback: Desafio Literário | Avalon High [reserva] « Pensamentos de Uma Batata Transgênica

  8. Nossa! Vc virou agorinha minha irmã siamesa na questão “Marian Keyes”!!!!

    Perfeito!!! –> “(…)uma impaciência pra chegar logo ao fim mas não de um jeito positivo como “meu deus, o que vai acontecer com tal personagem?”, e sim “mas isso não termina nunca…””

    Ontem mesmo eu escrevi em um email para minha melhor amiga: “o problema é que esse livro não me deixa mais fazer nada, não consigo estudar e nem me dedicar a(…)”. Ai ela: “ah, vc não disse que não estava gostando?” Ai eu: “é justamente isso, eu quero que essa tortura acabe logo para e eu me livrar!”

    E o livro parece que não vai acabar nunca… vc foi perfeita na sua colocação.

  9. Olá Naomi,

    Gostei da resenha, só não sei se gostaria do livro. Chick-lit não é bem a minha praia, ainda mais um catatau desse tamanho… Troco de bom grado por uma Nora Roberts, Danielle Steel ou Rosamunde Pilcher (já leu Os catadores de conchas? – lindo!), se é pra ficar no lado do romantismo. Pelo menos as mocinhas têm mais atitude.

    Bom, estou encarando O Diabo veste Prada pra este mês, até que está indo bem, ainda bem que não escolhi um desses mais populares (Marian Keyes, Sophie Kinsella, Meg Cabot).

    Beijos!

  10. Bacana a tua resenha! Jà li outros livros da Marian e gostei, ainda não me animei com esse, achei o plot meio forçado, isso de a guria acreditar piamente no que diz a cartomante me dá nos nervos rsrrsrsrs!

    estrelinhas coloridas…

  11. É parece que sua escolha para esse mês não foi muito feliz. Mas isso é normal, já errei na mão em dois livros que escolhi pro Desafio. Teve um que eu nem mesmo terminei de ler, rsrsrsrs.

    Sua resenha ficou muito boa, parabéns.

    • é verdade! como os livros têm que ser inéditos pra quem lê, a chance de decepção é grande, inda mais nos gêneros fora da nossa zona de conforto.

      o bom é que têm também as boas surpresas, que foram a maioria até agora 🙂

  12. Oiê! Essa autora é super badalada, né? Talvez por isso nunca cheguei a lê-la. Confesso que é um preconceito do qual não sinto a mínima culpa. Sou um pouco avessa ao chick-lits. Há algo neles que me soa falso…enfim, gostei muito da sua participação.

    Beijocas

  13. Para o Desafio Literário, li Marian Keyes pela primeira vez, mas para isso escolhi “Melancia”. Pelo que senti no seu texto, o estilo que não nos agradou tanto assim, é o próprio estilo típico da autora, pois identifiquei alguns dos mesmos pontos francos tanto em Melancia, quanto no que entendi de sua opinião de Casório.

    Acho que Marian Keyes a gente passa, hehe.

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