Cruel Intentions / Segundas Intenções

Pôster do filme

Pôster do filme

Quando comentei o livro Avalon High mencionei duas adaptações de clássicos que foram modernizados no cinema e esqueci de outras duas: O Morro dos Ventos Uivantes da MTV e Segundas Intenções. Ventos Uivantes cheguei a postar , Segundas Intenções tou corrigindo a falha agora. 😉

O filme é uma adaptação do livro As Ligações Perigosas, do francês Choderlos de Laclos. O livro de 1782 segue o gênero epistolar, isto é, a história é contada através de cartas trocadas entre os protagonistas, não há uma narração. As cartas são escritas pela Marquesa de Merteuil e pelo Visconde de Valmont e são carregadas de cinismo, maldade e malícia.

Merteuil e Valmont têm dinheiro, inteligência e tempo sobrando, e eles gastam tudo isso tramando planos de sedução para humilhar, comprometer, subjugar, ou apenas porque podem, para passar o tempo. Num desses planos, Merteuil desafia Valmont a deflorar a noiva de um homem que foi amante da marquesa. Gercourt dispensou Merteuil para comprometer-se com Cécile Volanges. Valmont dedica-se ao desafio com a promessa de ganho duplo: uma noite com Merteuil e o coração da virtuosa e casada Madame de Tourvel.

A história foi adaptada em diversas mídias – teatro [Alan Rickman interpretou Valmont], rádio, ópera, balé, TV [Rupert Everett foi Valmont numa adaptação francesa modernizada para se passar nos anos 1960] e cinema. Eu gosto especialmente da versão de 1988 dirigida pelo Stephen Frears [com o roteiro baseado na peça teatral], com a Glenn Close, o John *ai ai* Malkovich, a Uma Thurman e a Michelle Pfeiffer nos papéis principais.

Já esta versão modernizada de 1999 se passa num colégio exclusivo em Nova York, com a Sarah Michelle Gellar [Buffy, A Caça-Vampiros], o Ryan Phillipe, a Selma Blair [Hellboy] e a Reese Whiterspoon no elenco principal. Foi o primeiro filme realizado pelo diretor Roger Kumble [que mais tarde voltou a dirigir Selma Blair em dois episódios de Kath & Kim – não é muito meritoso]. Kumble também assina o roteiro deste filme e da sequência lançada em 2000.

Alerta de spoiler.

Selma Blair e Sarah Michelle Gellar em cena do filme, vencedor da categoria Melhor Beijo no MTV Movie Awards de 2000.

Selma Blair e Sarah Michelle Gellar em cena do filme, vencedor da categoria Melhor Beijo no MTV Movie Awards de 2000.

O roteiro mantém o espírito do livro, IMHO. A crueldade da mente ociosa, o desdém pelo outro, a libertinagem [mesmo para os padrões mais liberais do final dos anos 90, comparados com os do século 18] tudo isso tá no filme, mas o que eu realmente gostei mais foi do final. O diretor não se contentou om o desfecho original ou com o do filme do Frears – ele expandiu a ideia.

Kathryn: Eat me, Sebastian! It’s okay for guys like you and Court to fuck everyone. But when I do it, I get dumped for innocent little twits like Cecile. God forbid, I exude confidence and enjoy sex. Do you think I relish the fact that I have to act like Mary Sunshine 24/7 so I can be considered a lady?

Não lembro nonde eu li uma vez que a pessoa que gosta de romance policial na verdade gosta de ver a justiça sendo feita, que isso lhe dá uma sensação de que o mundo está em ordem de novo. Além disso, acho que já comentei antes, eu sou contra a pena de morte – não por motivos humanitários, e sim porque acho que matar alguns tipos de pessoas é misericórdia demais. Acho que o diretor concorda: há que se fazer justiça, mas a morte redime.

O que não parece ter mudado nesses séculos de intervalo entre o lançamento do livro e o do filme é como a sociedade continua a exigir da mulher uma postura casta, condenando a liberação sexual feminina como se fosse um crime ou um pecado mortal. Aliás, é, nué? Luxúria tá na lista de pecados capitais… Bão, voltando ao tópico.

No final do filme eu me senti – não vingada, e muito menos como se fosse um triunfo do bem sobre o mal [porque, embora eu entenda o ponto que a Kathryn citou acima, ela é uma bitch destrutiva], mas mais como dentro de um mundo em que vale a pena lutar pelo que é certo, não importa o quanto seja difícil ou o quanto o inimigo seja poderoso e ardiloso. Outro detalhe em que essa versão me ganhou foi o empoderamento das duas vítimas mulheres, Annete [Whiterspoon] e Cecile [Blair]. Elas saíram da história toda muito mais espertas e fortes do que no livro e na versão com a Pfeiffer e a Thurman e eu adorei.

Reese Whiterspoon em Segundas Intenções

Reese Whiterspoon em Segundas Intenções

Adorei também a metáfora final em homenagem à cena em que a Glenn Close retira a maquiagem branca no filme do Frears, quando a heroína de Kathryn se espalha. Como curiosidade, a atriz que interpreta a psicanalista do jovem Sebastian, logo no início, interpretou a mãe da Cecile em 1988 – ou seja, praticamente o mesmo papel. Claro que não exatamente, já que a mãe da Cecile é interpretada pela Christine Baranski [The Good Wife, The Big Bang Theory] mas cê entendeu.

Cruel Intentions teve duas sequências que saíram direto em vídeo, não vi nenhuma [na verdade o CI2 é uma prequela, só que foi lançado depois].  Whiterspoon e Blair voltaram a contracenar mais tarde em Legalmente Loira, um plot que, pensando agora, lembra vagamente este aqui só que beeem mais suavizado. É como se Whiterspoon fizesse o papel da Gellar, mas em vez de tramar contra os outros ela tenta mudar os preconceitos contra a mulher de iniciativa própria.

O filme tem participações de Joshua Jackson [Fringe] loiro, Eric Mabius [Ugly Betty], Sean Patrick Thomas [o Agente Dupree de Lie to Me], Tara Reid como a filha da psicanalista do Sebastian, e Charlie O’Connel, irmão do Jerry O’Connel.

Ponto por ponto, Segundas Intenções não chega a entrar na minha lista de Top Favoritos Foréva mas fica ali por perto.

Cena final com legendas em pt-br


Link http://www.youtube.com/watch?v=Fj2j_LDw-kg

Serviço
Ficha no iMDB
Verbete na Wikipedia

Dissertação “A sedução libertina como arte do equívoco em Crébillon e Laclos” de Ana Alexandra de Seabra Carvalho (Universidade do Algarve) [PDF]
Ensaio “A Sociedade como um teatro: Relações Perigosas” de Prof. Dr. Luiz Carlos Villalta (UFMG) [documento de texto no formato .DOC]
Ficha do filme de 1988 no iMDB
Livro Les Liaisons Dangereuses de Choderlos de Laclos no Domínio Público

Ficha técnica:
Títuo: Segundas Intenções
Ttítulo original: Cruel Intentions
Gênero: Drama
Duração: 01h37
Ano de lançamento: 1999
Estúdio: Columbia Pictures Corporation / Original Film / Newmarket Capital
Distribuidora: Columbia Pictures / Sony Pictures Entertainment
Direção: Roger Kumble
Roteiro: Roger Kumble, baseado em livro de Choderlos de Laclos
Produção: Neal H. Moritz
Música: Ed Shearmur
Fotografia: Theo van de Sande
Direção de arte: David Lazan
Figurino: Denise Wingate
Edição: Jeff Freeman
Efeitos especiais: Light Matters, Inc. / Pixel Envy

Sinopse:
Em Manhattan, Kathryn Merteuil (Sarah Michelle Gellar) e Sebastian Valmont (Ryan Phillippe), pertencem uma rica família e vivem como irmãos, desde quando seus pais se casaram. Ele tem a fama de ser um incrível sedutor e gosta de manter tal reputação, enquanto que Kathryn, apesar de ser ainda mais amoral que ele, prefere fazer o gênero da jovem boa e comportada. Quando seu namorado a troca pela inocente Cecile Caldwell (Selma Blair), Kathryn decide se vingar e desafia Sebastian a um jogo, em que ele teria que seduzir e acabar com a reputação de Cecile. Sebastian por sua vez diz que o desafio simples e não tem graça e mostra-lhe uma reportagem, na qual Annette Hargrove (Reese Whisterpoon), a filha do futuro diretor da escola preparatória que irão freqüentar, diz que pretende se manter virgem até o casamento, afirmando ainda que seu namorado compreende a situação. Sebastian diz que isto sim um verdadeiro desafio e Kathryn termina lhe propondo um novo jogo: se ele não conseguir levar Annette para a cama até o final do verão, seu carro, um magnífico Jaguar 56, será dela. Mas, se vencer, poderá fazer o que quiser na cama com a única mulher que não pode possuir: ela mesma.

Elenco:
Sarah Michelle Gellar (Kathryn Merteuil)
Ryan Phillippe (Sebastian Valmont)
Reese Whisterpoon (Annette Hargrove)
Selma Blair (Cecile Caldwell)
Louise Fletcher (Helen Rosemond)
Joshua Jackson (Blaine Tuttle)
Eric Mabius (Greg McConnell)
Sean Patrick Thomas (Ronald Clifford)
Swoosie Kurtz (Dra. Greenbaum)
Christine Baranski (Bunny Caldwell)
Deborah Offner (Sra. Michalak)
Tara Reid (Marci Greenbaum)

Trilha sonora
1. Placebo – “Every You Every Me (Single Mix)”
2. Fatboy Slim – “Praise You (Radio Edit)”
3. Blur – “Coffee & TV”
4. Day One – “Bedroom Dancing (First Recording)”
5. Counting Crows – “Colorblind”
6. Kristen Barry – “Ordinary Life”
7. Marcy Playground – “Comin’ Up From Behind”
8. Skunk Anansie – “Secretly”
9. Craig Armstrong (featuring Elizabeth Fraser)- “This Love”
10. Aimee Mann – “You Could Make A Killing”
11. Faithless – “Addictive”
12. Abra Moore – “Trip On Love”
13. Bare, Jr. – “You Blew Me Off”
14. The Verve – “Bitter Sweet Symphony (Album Version)”

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5 comentários sobre “Cruel Intentions / Segundas Intenções

  1. Poxa, eu gosto MUITO deste filme. MUITO MESMO!!

    Gosto mais de ‘Valmont’, com o Colin Firth, lançado à mesma época de Ligações, mas deixado pra trás pela grandiosidade do filme de Milos Forman.

    Fiquei impressionada com a Sarah Michelle, que para mim, não era nada além da Buffy!

    Beijos

  2. Pingback: Cyrano de Bergerac | Adaptações, versões, inspirações « Pensamentos de Uma Batata Transgênica

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