Indy500 2010

Mike Conway, Indy500, 30/05/10

Mike Conway, Indy500, 30/05/10

A transmissão

Estava na frente da tv desdas 13h20, só que inventei de zapear e parei num canal que mostrava uma receita de fetuccine com frango à indiana; quando lembrei da corrida já passava das 13h45 [mas valeu a pena, a receita parece deliciosa]. Alguém estava terminando de cantar America the Beautiful e o narrador Téo José confundiu com God Bless America, que foi executada em seguida e ele disse que estavam tocando outra vez. Tudo bem.

Téo José é um narrador OK – na minha opinião, fica entre o Celso Miranda e o Luciano do Valle: embora ele torça muito para os pilotos brasileiros, de vez em quando se lembra que existem outros correndo e até traz algumas informações não relacionadas exclusivamente aos brasileiros. Outro ponto positivo é que ele não é mesquinho com o tempo cedido para o comentarista e o repórter de campo. Nem com o tempo, nem com o respeito.

O comentarista e ex-piloto Felipe Giaffone foi quem deu o tom mais profissional, com informações de bastidores e opinião baseada em experiência e conhecimento [e não baseadas em torcida]. Ele disse, por exemplo, que o fato da tv norte-americana reprisar o acidente do Mike Conway era um bom sinal, porque eles não mostram as imagens quando o piloto está muito ferido ou quando não têm certeza da gravidade do estado do piloto. E ele tinha razão, embora o acidente tenha sido chocante Conway teve apenas uma fratura na perna.

* “Apenas” comparado com o que podia ter acontecido, devido à espetacularidade do acidente [v. no Youtube].

Mark Wahlberg e Mario Andretti

Mark Wahlberg e Mario Andretti

Mas nenhum dos dois sabia quem estava no carro com assento duplo atrás dos pace car nas voltas de apresentação. Um deles chutou que Mario Andretti estava lá depois que a câmera conseguiu um close dos olhos atrás da máscara do capacete. O outro era o ator Mark Wahlberg. A experiência está registrada no site http://www.racetotheparty.com/

O repórter de campo – ou de boxes – foi o Celso Miranda, que só entrou na segunda metade da corrida. Entrou pouco mas sempre com informações pertinentes.

O grande problema da transmissão foi a inserção dos patrocínios, aqueles que só aparecem num banner no canto da tela e com um locutor recitando a marca e seu slogan. Essas inserções foram feitas em cima da narração e dos comentários, interrompendo-os sem o conhecimento do narrador e do comentarista, que continuavam falando mas não eram mais ouvidos pela audiência.

Jack Nicholson deu a bandeirada de largada

Jack Nicholson deu a bandeirada de largada

A corrida

Foi legal. O Jack Nicholson tava lá pra dar a largada e até que fez direitinho, duas vezes [a segunda quando os carros voltaram da bandeira amarela provocada pelo acidente do Davey Hamilton logo na primeira volta]. Tinha oito pilotos brasileiros no grid, entre o pole Helio Castroneves [vencedor da prova três vezes] e o último colocado Tony Kanaan. Kanaan chegou a estar na segunda colocação a cinco voltas do fim, mas teve que fazer um splash&go e terminou em 11º; Castroneves ficou em 9º.

Tinha também quatro pilotos mulheres [ou pilotas? eu me cafundo], inclusive a brasileira estreante Bia Figueiredo, que largou na frente da Danica Patrick e da Sarah Fisher, mais experientes. O legal é que a presença dessas pilotos não é mais motivo de espanto, de panfletarismo [se é que um dia o foi]. Elas já são apenas “mais um dos caras”, com direito até a vaia do público pela boca-molice [Danica].

A outra estreante, a suíça Simona de Silvestro, chegou a ser computada como “novata da corrida” no final da prova, mas como ela ultrapassou o brasileiro Maro Romancini na bandeira amarela provocada pelo acidente do Conway na última volta, os comissários analisaram [esse e outro caso] e o prêmio de Novato da Corrida foi mesmo pro brasileiro. Pelo menos alguma coisa, né?

Ashley Judd, esposa do vencedor Dario Franchitti

Ashley Judd, esposa não tão rápida do vencedor Dario Franchitti. Pit stop?

Teve também um brasileiro honorário [o colombiano Saavedra, que correu um tempo no Brasil] e até uma equipe de brasileiro, a De Ferran/Dragon do Gil De Ferran [o primeiro carro a bater].

No fim, venceu o escocês Dario Franchitti, que já tinha ganhado a prova em 2007 quando foi o campeão da categoria, foi pra Nascar em 2008, amargou resultados péssimos, voltou pra Indy em 2009 e venceu o campeonato de novo. Payback is a bitch, isn’t it?

Um comentário bem pessoal

Não foi desta vez que Helio Castroneves venceu as 500 Milhas pela quarta vez, igualando-se a Rick Mears, Al Unser Sr. e A. J. Foyt. Sabe o que isso significa? Que ele já venceu três vezes, coisa que poucos pilotos [e nenhum outro brasleiro, nem mesmo Emerson Fittipaldi] conseguiram. É uma pena que ele tenha tão pouco reconhecimento no próprio país.

Recap da corrida no blog do Vitor Martins

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2 comentários sobre “Indy500 2010

  1. Pingback: Indy 500 | 100 Anos « Pensamentos de Uma Batata Transgênica

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