The Blind Side / Um Sonho Possível

Sinopse:
Michael Oher (Quinton Aaron) era um jovem negro, filho de uma mãe viciada e não tinha onde morar. Com boa vocação para os esportes, um dia ele foi avistado pela família de Leigh Anne Tuohy (Sandra Bullock), andando em direção ao estádio da escola para poder dormir longe da chuva. Ao ser convidado para passar uma noite na casa dos milionários, Michael não tinha ideia que aquele dia iria mudar para sempre a sua vida, tornando-se mais tarde um astro do futebol americano.

Pôster

Pôster

A primeira vez que ouvi falar neste filme foi através de um comentário do Paulo Antunes, comentarista de NFL da ESPN, isso ainda na temporada 2008. Foi ele também quem deu a dica do livro Playing for Pizza, do John Grisham. Ele e o Paulo Mancha [Bandsports] vivem passando essas indicações nas transmissões e eu goscho mutcho!

The Blind Side é um filme baseado em fatos reais, adaptado do livro The Blind Side: Evolution of a Game, do jornalista e escritor Michael Lewis. O livro segue duas linhas: em uma, analisa a evolução das táticas defensivas do futebol americano nos últimos trinta anos; o filme se concentra na segunda linha, que é a trajetória do atleta Michael Oher desde sua entrada num colégio católico até o draft [quando o atleta universitário é contratado por um time profissional] para a posição de left tackle, o segundo maior salário de um jogador [só perde para o quarterback – aliás, a função do tackle é defender o quarterback].

Oher é filho de mãe viciada e pai ausente; ele e os irmãos são afastados da família a entregues a famílias provisórias. Sem conseguir se fixar em um lar, Oher é passado de uma família para outra. Sua natureza é a de um protetor, mas ele acaba criando um mecanismo de autoproteção ao evitar envolver-se com o mundo e as pessoas, para não magoar-se quando forem separados.

Leigh Anne Touhy: You should really get to know your players. Michael scored in the 98th percentile in protective instincts.

Um desses pais provisórios o leva junto quando vai matricular o filho biológico num colégio religioso. O responsável pela admissão vê Oher praticando esporte, percebe sua aptidão e convence a diretoria a aceitá-lo como aluno, mesmo sem ter a nota mínima. A história se passa no sul dos EUA, aquela região que fã de True Blood conhece bem pelo preconceito de raça/cor – só que essa questão não é abordada no filme.

O roteiro é bem linear e se esforça para se manter no campo neutro e transformar-se num Feel Good Movie, um filme que faz as pessoas sentirem-se bem consigo mesmas, voltar [ou confirmar] a ter fé na humanidade, sem cutucar feridas ou provocar debates. ou conflitos. Devo dizer que, no meu caso, alcançou seu objetivo totalmente, eu que estava me sentindo bem deprimida depois de assistir dois episódios de Doctor Who que denunciam o egoísmo e a egolatria humana frente ao desconhecido e o diferente.

Leigh Anne lê 'Ferdinando o Touro" para os filhos

Leigh Anne lê 'Ferdinando o Touro" para os filhos

Uai, quer evidência maior do que se pegar simpatizando com o símbolo do que a intelligentzia adora espinafrar, que é a personagem da Sandra Bullock? Perua, ex-cheerleader, religiosa, sulista, “da direita” [pró-Bush], defensora das armas? É praticamente uma Sarah Palin loira, e mesmo Hollywood não tem muita simpatia por este tipo. Mesmo assim, é a heroína da história, a que resgata o menino negro e pobre e, sem nenhum preconceito, o encaminha na vida.

Eu bem que torço para que existam mais histórias assim.

Lá em cima eu escrevi que o filme conta a trajetória de Michael Oher, certo? Eu menti. A história dele é apenas um detalhe na história da personagem de Bullock, que acabou levando o Oscar pelo papel [bateu Helen Mirren, Carrey Mulligan, Gabouré Sidibe e Meryl Streep], além do Critics Choice, Golden Globe e SAG. The Blind Side foi indicado para o Oscar de Melhor Filme [perdeu para The Hurt Locker/Guerra ao Terror]. Podia ser grande, podia ser inesquecível, mas é praticamente inofensivo.

Q: O que mantém você motivado?
Oher: Eu não quero voltar para o lugar de onde vim. [Entrevista de Michael Oher, tradução livre, 24/05/10]

Para quem curte futebol americano vale como curiosidade; para quem não curte ou desconhece, o esporte é mero detalhe.

The Blind Side / Um Sonho Possível – Trailer legendado


Link http://www.youtube.com/watch?v=oQfTU-CGOY8

Serviço
Ficha no iMDB
Resenha de Tommy Beresford no blog Cinema é Magia
Verbete na Wikipedia
Website oficial de Michael Oher

Ficha técnica:
Título: Um Sonho Possível
Título original: The Blind Side
Gênero: Drama
Duração: 02h08min
Ano de lançamento: 2009 [2010 no Brasil]
Estúdio: Alcon Entertainment / Zucker/Netter Productions
Distribuidora: Warner Bros. Pictures
Direção: John Lee Hancock
Roteiro: John Lee Hancock, baseado em livro de Michael Lewis
Produção: Broderick Johnson, Andrew A. Kosove e Gil Netter
Música: Carter Burwell
Fotografia: Alar Kivilo
Direção de arte: Thomas Minton
Figurino: Daniel Orlandi
Edição: Mark Livolsi
Efeitos especiais: Custom Films Effects / Digiscope / Furious FX

Sean Tuohy, Michael Oher e Leigh Anne Tuohy

Sean Tuohy, Michael Oher (com o uniforme do Baltimore Ravens) e Leigh Anne Tuohy

Elenco:
Sandra Bullock (Leigh Anne Tuohy)
Tim McGraw (Sean Tuohy)
Quinton Aaron (Michael Oher)
Jae Head (S.J. Tuohy)
Lily Collins (Collins Tuohy)
Ray McKinnon (Técnico Burt Cotton)
Kim Dickens (Sra. Boswell)
Adriane Lenox (Denise Oher)
Kathy Bates (Srta. Sue)
Catherine Dyer (Sra. Smith)
Andy Stahl (Diretor Sandstrom)
Brian Hollan (Jay Collins)
Sharon Morris (Investigador Granger)
Omar J. Dorsey (“Big Tony” Hamilton)
Paul Amadi (Steve Hamilton)
Hampton Fluker (David)
Rhoda Griffis (Beth)
Eaddy Mays (Elaine)
Ashley LeConte Campbell (Sherry)
Tom Nowicki (Professor de literatura)
Melody Weintraub (Professor de história)

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12 comentários sobre “The Blind Side / Um Sonho Possível

  1. Pingback: Um Sonho Possível: Resenha que vale a pena « Cinema é Magia

  2. Parece ser bonzinho, já saiu em DVD? Se bem que acho que vou acabar esperando passar na TV a cabo, ando tão sem tempo…

    Gosto desses ‘feel-good sport movies’, lembrei de dois agora: Meu nome é Rádio (com o Cuba Gooding Jr) e Desafiando os Titãs (acho que é esse o nome – remember the titans), com o Denzel Washington, de quem sou fã de carteirinha. Já viu algum deles?

    Beijocas!

  3. Foi o melhor filme que vi este ano, e a melhor parte é que ajudou muito a passar as longas horas de voo entre Sampa e Ciudad de México =]

    Meu Nome É Rádio também é muito bom.

    Outro filme ótimo que é feel good, mas que não tem nada a ver com ainda acreditar na humanidade é The Boat That Rocked. Inglês, repleto de atores de primeira e trilha sonora maravilhosa.

  4. Pingback: Invictus « Pensamentos de Uma Batata Transgênica

  5. Pingback: The Replacements / Virando O Jogo « Pensamentos de Uma Batata Transgênica

  6. Olá tudo bem,to passando aki pra dizer de esse filme é uma liçao de vida pois ja vi ele 12 vezes e quando vejo me choro pois esse filme me marcou ate a musica dele parabens a todos vcs
    abraços!!!!

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