[TrueBlood] Night on the Sun

Nunca demonstre temor

Nunca demonstre temor

Eu queria mudar de assunto, juro. Queria chegar aqui e comentar apenas “puxa, você viu o que aconteceu com fulano, o que você achou do que sicrano disse, o que será que vai acontecer com beltrano, e que música legal encerrou o episódio!” mas não dá: basta um ep centrar-se um pouquinho mais em Sookie & Bill que o tema do post volta a ser sobre sexismo, machismo, misoginia e violência contra a mulher.

Eu vou entender se você preferir fechar o blog e voltar amanhã, foi a vontade que eu tive de parar de assistir e voltar no próximo episódio também.

A partir deste ponto há spoilers

Sookie retorna do transe e berra ao dar de cara com Bill ao seu lado. Até aí até eu, afinal foi ele quem quase a drenou toda e a deixou naquele estado. “Foi sem querer querendo”, ele se justifica. Arrãm, Juvenal. Os ximbicas que enchem a cara de pinga pra meter a mão na mulher dizem a mesma coisa [“foi a pinga, não era eu, dotô”]. Ela até tenta dar um basta na relação, mas não dura muito tempo com uma espinha dorsal.

Já em casa, acompanhada de Alcide, Sookie se nega a prestar queixa contra Bill à polícia por agressão quando Jason leva o [agora] Xerife Bellefleur até ela. Tara insiste para que ela fique esperta e tem ouvir aquele nhem-nhem-nhem “esse não é o Bill que eu conheço e amo” [“não era ele, foi tudo culpa da cachaça”].

Muita gente, muita gente mesmo, tenta botar alguma razão naquela cabeça vazia e ela continua obstinada. Na boa? Eu vibro toda vez que alguém a espanca, humilha, pisa e cospe na cara. Cheguei a esse ponto de antipatia da personagem. Não sei por que tanta gente se importa com ela se, obviamente, Sookie não dá a mínima para ninguém mais além do amado, muito menos a si mesma.

Uma personagem muito parecida é Melinda Mickens, a mãe de Sam Merlotte. Na verdade são idênticas… Às vezes matuto se a série tem intenção mesmo de fazer uma crítica social, como dizem alguns. A favor desta opinião tem a forma extremamente cuidadosa com que abordaram as rinhas, por exemplo, e a forma como mostram o abuso de Joe Lee sobre Tommy e Melinda e a agressão contra Crystal. São atos promovidos por personagens abomináveis que despertam a reação do espectador mas, ao mesmo tempo, vemos os mesmos atos praticados pelo pretenso herói [Bill] como algo aceitável e até romântico e justificável. A cena final, com Bill&Sookie fornicando, me deu engulhos.

Pelamor, né?

[E tem a corrente de fãs que acha tudo isso uma baboseira e que tem de assistir à série só pelo prazer lúdico e artístico, sem procurar razão pra tudo.]

Voltando ao episódio, outro que mirritou por demais foi [surpresa, surpresa!] Bill Compton. Bem no Dia dos Pais ele resolve se livrar da responsabilidade de maker, liberando Jessica. [Tudo bem, foi Dia dos Pais só aqui, não lá.] Juvenal, se fez filho tem de assumir, não importa se foi acidente ou se foi ordem do Magistrado. Seja homem. Pra quem se apresentou angustiado com questões éticas e existenciais na primeira temporada, o cabra está se mostrando um moral-frouxa de primeira.

Ó que eu atiro, hein? Ó que eu atiro. Não vou avisar de novo. Ó. Senão...

Ó que eu atiro, hein? Ó que eu atiro. Não vou avisar de novo. Ó. Senão...

Eu podia ficar resmungando e ranhetando até meu dedo cair mas não adianta, né? Uma que ninguém da produção/criação lê em português e outra que já tá tudo gravado. Então, vamos seguir em frente.

Eric manobra para conquistar a confiança de Russell e consegue isolar Talbot na mansão. Fui só eu ou mais alguém sentiu uma pontinha de desapontamento porque nosso viking gostosão iniciou sua vingança vitimando a criança do seu inimigo assim, a seco? Eu esperava mais, vindo de alguém que tem um calabouço.

[Não sou uma pessoa boa, nunca disse que era.]

Parece que esse arco se encaminha para um final xinfrim igual o de Dallas na temporada passada… Por outro lado, duas ou três novidades já se apresentaram: uma garçonete nova com poderes [Holly], Lafayette com poderes [huh?] e o filho de Chuck/Rene.

[OK, agora alguém me segura porque tou paixonando no Terry. No Terry, cara!]

O mundo Were também tá bem em segundo ou décimo-sexto plano mas, como o Joe Manganiello entrou pro elenco fixo, ainda há esperança de que desenvolvam o tema. Pelo menos o postmortem desta semana fala sobre os lobisomens – do ponto de vista dos vampiros.

[Momento Mastercard: Eric dizendo que tinha uma Were-bitch no escritório de Russell. Referia-se à Debbie, claro.]

Duas cenas me comoveram esta semana: Ruby Jean defendendo o filho no meio da esquizofrenia dela, Tara lidando com o terror do que fez e Russell ao sentir a morte definitiva de Talbot. Ah, é, são três.

Tópico não-relacionado

Graças a uma dica da Mica, acabei comprando o primeiro livro da série em português e acabei entendendo a bronca da Mary: não sei se por culpa da tradução ou da revisão, o texto tá tosco por demais da conta. O original não vai ganhar nenhum Nobel de Literatura, mas a edição brasileira tá triste de ler mesmo.

[Juro solenemente que não abordarei o assunto relação abusiva na próxima semana, aconteça o que acontecer – nem que não sobre mais nada para comentar.]

Postmortem season 3 episode #8


Link http://www.youtube.com/watch?v=_jTDPAYiM-M

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19 comentários sobre “[TrueBlood] Night on the Sun

  1. Eu tenho sentimentos conflitantes em relação a forma que a Sookie reagiu. Sinceramente, se eu analisar o lado vampírico da coisa, o Bill de fato tem uma desculpa. O cara estava morrendo, ela se trancou com ele no caminhão e deu o seu sangue para ele. Acho realmente difícil que um vampiro, por melhor que seja o seu caráter, se controlar naquele momento.
    Por outro lado, a forma como a reação ocorreu (eu digo, como todo mundo reagiu ao ato) deixou muito claro o paralelo entre a atitude do Bill e a violência do homem com a mulher (coisa que eu não vi na cena do livro, por exemplo) e por isso a atitude da Sookie foi vergonhosa. Eu senti vergonha por ela e nojo do final.
    De resto, eu gostei mais desse episódio do que do anterior. Mas se eu fosse eles não faria do Tommy um sujeitinho insuportável. Mas estão de parabéns pela Jessica. Ela é tudo o que o Bill deveria ser e não é.

  2. [Juro solenemente que não abordarei o assunto relação abusiva na próxima semana, aconteça o que acontecer – nem que não sobre mais nada para comentar.]

    ah Naomi, por favor, comente o que vc quiser eu não me importo, porque concordo com tudo que vc diz. E se nós pararmos de reclamar e debater sobre esses assuntos, então para que a ‘suposta’ critica social vale? não vale pra nada
    Sabe eu comecei a assistir TB depois de ler sobre ele no seu blog. Mas confesso que não consigui mais nem assistir os ultimos episódios, fico esperando pra ver se melhora, mas to desistindo.
    Porque não dá pra assistir se vc não consegue gostar dos protagonistas não é?
    pior o que tem de gente que fala: ele é um vampiro, não pode se controlar bla bla bla coitado, ou Sookie é ingênua é seu primeiro amor, por isso que aceita tudo bla bla bla, mas a Sookie nos livros não era ingênua e inexperiente tb? e mesmo assim soube a hora de parar
    Nem dá para apreciar as partes boas da série

    [Eu vibro toda vez que alguém a espanca, humilha, pisa e cospe na cara. Cheguei a esse ponto de antipatia da personagem.]
    idem, e muita gente sente o mesmo tb. é tão triste porque eu queria gostar e me importar com a personagem (como faço nos livros) mas não consigo

  3. eu acho muito válida a tua crítica sobre relação abusiva. tô tentando não me decepcionar com a série, mas tenho a impressão que o Alan Ball não leu os mesmos livros que eu. ao menos no que diz respeito à Sookie, sabe. eu adoro a personagem nos livros, mas tenho um nojo tão grande dela em true blood… aquela cena final do epi passado me deixou com RAIVA – tanto que nem acho que ela mereça ficar com o Eric na próxima temporada. hahahah. e tava achando o epi muito bom, mas aquela cena acabou com a minha noite. ¬¬º
    mas ainda tenho a (ínfima) esperança de que eles estejam fazendo isso de propósito pra intensificar a crítica social e que a Sookie em algum momento caia na real.

  4. Já no burning house of love, quando sookie pergunta se precisa dar o pescoço à mordida todos os dias e bill responde que sim (“se não se importa”, rá), eu achei o cabra a little profiteer. De lá pra cá a coisa ficou bem doente mesmo. Gosto muito dos seus posts sobre isso. Quando vi o teaser desse ep, fiquei toda feliz crendo que quisuqui ia expulsar o bill da casa dela, mas nem…

  5. Caramba: essa temporada tá fraquinha mesmo. Os amigos fedorentos são o que mesmo? E a nova garçonete? ô bichinha esquisita (e ser esquisito dentro de uma série de esquisitisses é muito). A baby vamp continua ótima. Mas Beal e Sukie my ass estão de dar nojo mesmo.
    Quem será a autoridade? eu não consigo deixar de pensar na Akasha da Anne Rice.
    Tomara que volte a melhorar no próximo episódio. (quero mais Jesus X Lafaiete / aquela loura dos brincos Tiffanys do Fangtasia que esqueci o nome e Jessica).
    E o maravilhoso mundo de Barbie? Agora que Sookie decidiu que quer mesmo é ver a coisa preta, o que acontece?

    Beijim
    Mary

  6. cara, seus comentários são divertidos, vc dá umas dicas ótimas, me divirto muito… mas essa história de ficar comentando seriado não dá. parece coluna de novela. tudo bem, quem não gosta não lê, mas acho um desperdício usar suas sacadas num assunto tão MEANINGLESS.

  7. Não me conformo, cara… eu adoro a Sookie dos livros, como é que na série transformaram ela nessa lesada?
    E acho que a Mica tem razão quano à diferença na reação dos outros, no livro e na série. No livro o ataque é pior, mas todo mundo reage do tipo “ela foi trancada com um vampiro faminto, claro que isso ia acontecer”. Ao mesmo tempo, a reação da Sookie no livro também é o oposto. Ela não dá chilique nem fica com medo do Bill, mas termina com ele de vez – e nem é pelo ataque, é mais pela Lorena.

    A Jéssica tá ótima, uma das poucas coisas boas na série.

    Ah, fiquei com dó do Talbot, eu gostava dele. E também queria fazer isso, de virar pro A.S. e dizer “I’m bored. Take off your clothes.” ai ai…

  8. O Emmy tá chegando! Até o Jornal Nacional foi indicado, pela matéria sobre o apagão em 2009!
    😉

    Naomi, Nelson Rodrigues é que tem razão, tem mulher que gosta de apanhar.
    Né brincadeira, não!
    Claro que não aprovo. Mas, posso compartilhar dessa historinha com cara de “vampirização”. Uia! 😦

    Uma amiga de adolescência, casou e teve uma filha. Anos se passaram entre separações e retornos.
    Por fim, a própria filha, já adolescente, pediu para a mãe se separar do pai.
    As brigas eram horrendas, segundo soube, porque eles moravam longe, e só nas separações eu os via, por aqui.
    Passou-se o tempo. Essa então amiga se casou de novo.
    Saiu de casa e terminou o segundo casamento, porque nas brigas do casal, ele respondia com o silêncio.
    O tempo passava e voltavam às boas.
    Até que ela se cansou do silêncio dele.
    Literalmente, ela me disse que ela preferia levar porrada do primeiro marido, do que ficar ao lado do segundo, em silêncio.
    Mas, aí ela já estava fazendo terapia e finalmente estava abrindo o jogo do silêncio de anos e anos…
    Eu cai fora dessa amizade! Ô loco, sô!

    Moral da historinha? Nelson Rodrigues conhecia algumas dessas almas femininas destrambelhadas.

    Graças a Deus nunca mais soube notícias dessa “Sookie” ruiva e brasileira, de carne e osso.

  9. Grande Naomi, Suas resenhas são excelentes! Sabe que estou gostando do livro “Crepúsculo”? Comecei a ler e, quando vi, já estava na página 70! É bem light, a tradução tá ótima, e descansa um pouco a cabeça da “stravaganza” de True Blood. Tem horas que repenso se vou continuar assistindo TB. Mais uma vez, parabéns pela resenha, viu?

  10. Só hoje eu consegui ver esse episódio. Vou sentir saudades do Talbot. Aliás, a melhor frase foi dele “I’m bored, take your clothes off”, ai Eric. Eu concordo que o Eric poderia ter feito ele sofrer mais um pouquinho.

    Sookie e Beeel. Argh. Sem contar que eles são muito melhores separados. A Sookie é muito mulher de malandro nessa série, a Tara tem toda razão em dizer que ela é que nem letra de música country.

    Foi digno a Jessica matar o lobo irmão do Patrick Sawyze. 🙂

    Acho que o poder do Lafayette vai se justificar quando as bruxas aparecerem.

  11. Sinceramente,assistir a True Blood e ficar procurando critica social é osso viu glr..desculpem ai mas n vejo nada disso mesmo!Parece revista de fofoca……mas se é p fzer isso vamos lá:a Sookie namora um vampiro pq quer,certo?E honestamente a Tara é a personagem mais insuportável……porra garota uó!!!!Mas gosto não se discute,né..respeita-se!

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