[TrueBlood] Everything Is Broken

Eric, Pam e Miss Flanagan

Eric, Pam e Miss Flanagan

O melhor episódio da série até agora, IMHO. Nem precisarei abrir mão de comentar alguma coisa [leia-se “relacionamentos abusivos”], conforme escrevi na semana passada, porque foi um ep cheio de diálogos ótimos, viradas de jogo, revelações e atuações marcantes.

Antes de começar, xeu só desentalar uma coisa que ando matutando desde o início desta temporada, que é o desperdício de sangue. Na primeira um vampiro disse que se os assassinatos em série fossem coisa deles os cadáveres estariam exangues. Agora o Eric deixa o tapete da Sookie todo molhadinho [hahahahaha!], o festim de Russell, Lorena e Bill chega a vazar da limusine, e o banho de Sookie e Bill vira uma homenagem à cena do chuveiro de Psicose. Nani desuka?? Mottanai desuka! 😆

A partir deste ponto há spoilers.


Como os subnúcleos ainda estão muito segregados, comentarei em tópicos.

De longe, o ponto mais fraco da história continua sendo o que envolve os moradores de Hotshot, a comunidade de fabricantes e traficantes de drogas, abusadores de mulheres, incestuosos e sabe-se lá o que mais. A atriz que interpreta a Crystal, então, é tão fraquinha que perto dela até a atuação do Ryan Kwanten parece a de um Dustin Hoffman [perdão pela heresia, Hoffman]. Daí a guria foge de Hotshot e de Felton, o noivo que a espancou [“não me faça bater em você, você sabe que eu odeio quando me obriga a bater em você”], exila-se na casa do Jason e o acusa de rapto e estupro quando Felton a localiza. Supostamente, eu deveria sentir empatia por ela porque foi o terror que fez ela agir assim, até aí eu entendo, mas a atriz não consegue imprimir carga dramática nenhuma na voz, no olhar, na expressão corporal, e me peguei criticando isso em vez de simpatizar com a sua situação.

Depois de imobilizar Felton, ela e Jason o abandonam para que a polícia o encontre e detenha por posse de V, o que se revela outro erro de julgamento quando o policial Kevin é ferido em ação. Pequena pausa: lembrei tanto da Lucy de Twin Peaks na personagem da Rosie, a escrivã da delegacia que gosta do Kevin. Até fisicamente elas se parecem. Fim da pausa.

O pai de Crystal, Calvin Norris, invade o Merlotte’s para levá-la de volta mas, para azar dele e sorte nossa, o Sam estava acumulando pressão e estourou pra cima dele. Sorte nossa porque um Sam que engole todos os sapos e põe panos quentes em tudo é um Sam chato. O cara expulsou os pais biológicos e teve de pagar a gasolina; resgata o irmão mais novo das rinhas e o cara lhe paga com baderna em casa e roubando a gorjeta das garçonetes; tem que aguentar a Arlene e ninguém merece ter que aguentar a Arlene [talvez o Benjamin Linus], é até de estranhar que ele não tenha explodido antes. Sorte que foi na hora certa, com a pessoa certa.

Por um momento temi que ele fosse descontar na Tara. Eu continuo torcendo para que se acertem no final, sou uma iludida mesmo. Mas, voltando à Tara, achei muito legal o roteiro colocar uma reunião desse tipo, de mulheres que sofreram abuso. Isso meio que foi um bandaid em tudo de ruim que mostraram nesta temporada, mas é melhor do que nada, do que deixar como estava. Vale lembrar que a autora dos livros Southern Vampire Mysteries/Sookie Stackhouse Stories, Charlaine Harris, também é uma sobrevivente de estupro, por isso suas heroínas superam ataques, aprendem a se defender e se fortalecer. A cena em que ela enfrenta Franklin demonstra esse empoderamento da personagem; eu só preferiria que fosse ela a matá-lo definitivamente, mas compreendo que o Jason tinha uma espécie de débito com ela depois do que ele fez com o Eggs. Espere. Jason matou os dois namorados da Tara! 😆

E fiquei surpresa com a participação da Holly tanto nesta cena quanto no conforto que ofereceu à Arlene, que acredita que seu filho com Rene é o próprio Anticristo. Ainda desconfio da Holly, a Maryann também entrou na história como a boazinha e todo mundo se lembra da lambança que ela fez depois, né? Aguardemos.

E agora a previsão do tempo. Tiffany?

E agora a previsão do tempo. Tiffany?

Fico matutando se Holly e Jesus fazem parte do mesmo plot que se prepara para a próxima temporada. Tem a questão dos nomes, pra começar… Tem também as insinuações de que não são humanos comuns, ordinários [quase ninguém mais é, a esta altura!]. Tem um Lafayette surpreendentemente ecumênico envolvido com Jesus [isso nunca vai perder a graça para mim]. Mas, neste episódio, o que me comoveu foi a cena da aceitação protagonizada por Alfre Woodard, a Ruby Jean mãe de Lala. Delicada, fala tudo só com os olhos, a entonação de voz, é um presente assisti-la nem que seja por segundos.

Outra cena que me comoveu muito foi a reação de Russell ao encontrar o que sobrou de Talbot. Dennis O’Hare expressou uma dor tão profunda em uma só palavra, um sentimento de desolação pela perda não só do amor da sua [longa] vida mas também de sua cria, que nem tive coragem de rir da situação grotesca dele tentar abraçar a gosma que sobrou de Talbot. Eu ri na cena em que ele promete vingança à gosma de Talbot numa compoteira, porém.

A Liga Vampira encontra-se num dilema político: precisa manter seus membros em bom relacionamento com a comunidade humana para que o governo aprove a lei de direitos vampiros, o que envolve um trabalho imenso de Relações Públicas. Eric detonou uma guerra interna com um dos vampiros mais antigos [idade = poder] por vingança, mas conseguiu transformar isso em questão política com o assassinato do Magistrado [Arquiduque Francisco Ferdinando, alguém?].

Confesso que fiquei dividida com a parte da audiência do Eric. O que era aquela segurança? Pareciam Robocops! Tivemos um vislumbre do que é A Autoridade, uma junta de vampiros sem rosto, que é movida pelo mesmo poder da autoridade humana: dinheiro. Russell doa muito dinheiro para a causa vampira, não porque ele acredita na convivência entre humanos e vampiros, nem na necessidade da aprovação da lei de direitos civis dos vampiros, mas para controlá-los.

Apenas um ato extremo como o assassinato de um âncora de TV em rede nacional mudaria seu status quo, e mesmo assim oficiosamente, com A Autoridade entregando tudo nas mãos de Eric. E tivemos outra cena tocante criador/criatura quando Eric diz a Pam que ele fará de tudo para mantê-la segura da Autoridade, que ele não quer envolvê-la em sua vingança e que é tempo dela se tornar maker, para não ficar sozinha. É uma relação de amor verdadeiro, assim como a relação de Talbot e Russell ou a do próprio Eric com Godric.

É um sentimento de que Bill é incapaz. Isso ficou mais claro neste episódio, na cena em que ele acorda no Mundo Mágico da Barbie por ter tomado muito do sangue da Sookie: ele se sente atraído pela Claudine e ela lhe diz claramente que o que ele sente pela Sookie não é amor. É uma invenção da série de TV que quem tome sangue de vampiro fique sexualmente atraído por aquele vampiro em especial [no livro apenas há aumento da libido], mas nas duas mídias o sangue da telepata é diferente, viciante, atraente. Assim como Sookie, porém, Bill é incapaz de perceber o óbvio se ele acredita que o que sentem um pelo outro é amor eterno, amor verdadeiro que nem o tempo pode apagar.

Pelo menos a Sookie estabeleceu um novo patamar no relacionamento entre eles ao se posicionar como uma pessoa merecedora de crédito e respeito e enfrentá-lo como uma igual, e não como a vaquinha de presépio dos últimos, sei lá… vinte episódios? Viu só, roteiristas? Não dói nada criar uma personagem feminina decente, né?

Sookie: Eu não sei como vocês faziam no século 19, mas manter um arquivo secreto sobre uma mulher é assustador. […] E você precisa parar de pensar em mim como uma “coisa” para ser protegida.

Agora, só me diz o que vocês pretendem colocando uma pessoa que carrega BONECAS para jantar com o namorado como a Summer faz, levando o Hoyt à loucura e a nossa Jessica às lágrimas? Hein, hein heeein?

Humpf.

Mais dois episódios, o hiato do Labor Day e o final da temporada em 12 de setembro nos aguardam.

Everything Is Broken [5/5]
Direção: Scott Winant
Roteiro:Alexander Woo

Postmortem season 3 episode #9


Link http://www.youtube.com/watch?v=v5P0HqbdlrQ

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15 comentários sobre “[TrueBlood] Everything Is Broken

  1. a holly nós já sabemos ser uma bruxa (se forem seguir mesmo os livros), e tenho pensado seriamente no Jesus tb ser um. mas daí saber se ele é bom ou mau e o que ele quer com o Lafa. porque eu sinceramente não confio nele.
    achei digno o Jason protegendo a Tara, mas confesso que vou sentir MUITA falta do Franklin, ele como personagem era uma delícia de assistir – completamente doido e obcecado, aquilo que o Beeel tem potencial pra ser mas que ainda não foi mostrado.
    outra coisa que tenho adorado nessa temporada é a relação maker/child. tenho amado de paixão as cenas eric/pam, eles tem tanta química em cena. morro pra ver um flashback deles. (L)

    ah, adoro vir aqui ler seus comentários sobre true blood. depois do 3.02, esse foi o meu favorito não só da temporada, mas da série inteira. mesmo com todos os “wtf” em relação à claudine, sookie e bill, essa tem sido minha temporada favorita.

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  3. Tá, eu disse que não ia mais assistir mas….quem disse que resisto a essa porcaria?

    Bem, episodio muito mais suportavel esse, apesar de ainda achar muito forçado o fato de Bill e Sookie tentarem ser um casal. Depois de tudo oq passou a Sookie não vai ter motivo p/ terminar nem quando descobrir o ultimo segredo dele.

    E falando em relação, a do Bill e da Jessica parecia que ia melhorar, mas isso não é mostrado. Nem sabemos se ele a Sookie tem conhecimento do trabalho da babyvamp no Merlottes.

    Concordo que foi bom ver o Sam liberar tuda a raiva acumulada, mas todos esses plots tão cansando.

    E vamos falar da parte que realmente interessa: Eric/Russel/Autoridade.

    Numa palavra: decepção.

    Quer dizer,esse era o grande plano do Eric? Todo aquele trabalho p/se aproximar do Rei, p/ convence-lo de sua lealdade, para matar o Talbot e depois sair correndo, sem nem um esconderijo ja preparado?
    Fala sério.

    E o proprio Russel, sendo Rei e com 3 mil anos, ele não poderia ter pensando um pouqinho mais antes de achar que a liga dos vampiros estava envolvida?

    Tb fiquei meio assim com a Autoridade. Eu esperava algo mais grandioso, mistico e não uma simples junta corporativa. Espero estar enganado e que eles demonstrem ser mais que um bando de engravatados.

    Quanto ao ataque do Russel achei muito toscamente feito, mas sem duvida é um ponto de virada num contexto muito mais amplo.

    Vamos esperar para ver.

    Em resumo o episodio foi melhor que os anteriores, mas ainda não gosto da direção que o Ball tem conduzido o seriado.

  4. Oi Lu: eu tb fiquei comovida com Russel “nadando” na gosma de Talbot e ri muito com a compoteira/Talbot. Russel e Eric estão puxando a série totalmente pra eles, né? Eu também quero um flashback da Pam com o Eric.
    O plot de Jason Crystal e etc… tá chato pra cacete.
    O grupo de ajuda de Tara também me pareceu curar hemorragia com band-aid… mas como tudo passa (até uva passa) vemos que Lafaiete superou seu vamp-trauma e até aceitou Jesus. A mãe dele dá um show de atuação!
    Beeeeel dando uma de Ken no mundo de Barbie eu achei esquisito. Aliás aquele mundo das fadas é uó. a série deu uma subida boa essse episódio. Tomara que feche bem pra dar vontade da gente seguir pra 4a temporada.
    Beijão

  5. Eu também quero um flashback do Eric e da Pam!

    A Crystal com aquela cara de velha não convece mesmo. Saudades do Franklin, sacanagem trazer ele de volta só para morrer.

    Beeeel em Fairyland, ZZZzzzzzz…

    Eu também adorei a cena do Rei Russell prometendo vingança a gelatina do Talbot na compoteira. 🙂

    Essa reta final vai ser boa!

  6. Benjamim Linus? Kakakakaka! Falar nisso, viu o epílogo de Lost? Não? Táqui: http://dudewearelost.blogspot.com/2010/08/vaza-o-new-man-in-charge-o-epilogo-de.html

    Concordo, a cena de Dennis O’hare chorando em cima das sobras do Talbot foi sim grotesca, mas memorável.

    Quanto ao Alan Ball, True Blood está fazendo Six Feet Under (que gostei muito) parecer uma novelinha das seis, né? O carinha é chegado a um grotesque mesmo…

    Quanto aos livros, ok, anotada a dica de ler os originais. 🙂

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