Desafio Literário | Shindô-Renmei: Terrorismo e repressão

Sinopse
Aqui estão os documentos guardados nos arquivos do Departamento de Ordem Política e Social de São Paulo (Deops), oriundos da investigação sobre as atividades da Shindo-Renmei (Liga do Caminho dos Súditos), entre 1945 e 1953. Negando veracidade às notícias sobre o fim da Segunda Guerra Mundial, com a derrota dos exércitos japoneses, essa sinistra organização agia com métodos violentamente terroristas e ameaçadores. Seu objetivo era forçar os integrantes da colônia japonesa a adotar um código de conduta calcado nos mais tradicionais mandamentos da cultura daquele povo, com destaque para a figura do imperador.

Capa

O livro Shindô-Renmei: Terrorismo e repressão faz parte de uma coleção que vasculha os arquivos do Deops [Departamento Estadual de Ordem Política e Social ou Delegacia Especial de Ordem Política e Social, depende do autor], o departamento criado no governo de Getúlio Vargas [Estado-Novo] para controlar e reprimir movimentos políticos e sociais contrários ao regime no poder. A pesquisa foi realizada pela Faculdade de História da USP e dividida em módulos.

Um pouco de História

Em 1945, após os EUA bombardearem as cidades de Hiroshima e Nagasaki, o Japão rendeu-se. O então imperador Hiroito assinou o Ato de Rendição no convés do navio Missouri e fez um pronunciamento pelo rádio em que informava que não era descendente de deuses, exortando os japoneses a “suportar o insuportável”.

Mesmo assim, soldados leais ao Imperador continuaram a lutar na China e nas Filipinas até 1948, por uma rivalidade étnica histórica. Shoichi Yokoi esteve em guerra de 1941 a 1972, quando foi descoberto isolado na ilha de Guam; Hiroo Onoda combateu nas Filipinas até 1974 e só se rendeu quando o governo japonês conseguiu localizar um antigo oficial de Onoda ainda vivo para ordenar-lhe que depusesse as armas [em bom estado e com munição].

Esses soldados sabiam que o Japão perdera a Guerra, mas a sua honra os impeliam a continuar. No Brasil os imigrantes japoneses e descendentes também, só que com a diferença de que aqui poucos na comunidade nipônica sabiam da derrota do Japão.

As raízes desse desconhecimento são um dos temas do livro de Rogério Dezem, que oferece a visão da polícia política brasileira quanto à Shindo-Renmei [Liga do Caminho dos Súditos]. A Shindo-Renmei era uma organização que pregava a vitória do Japão na Guerra e seus membros eram chamados de kachigumi. O grupo mais radical que promovia as sabotagens e ataques era conhecido como tokko-tai [batalhão do vento divino].

Os alvos da Shindo Renmei eram outros japoneses que declaravam que o Japão fôra derrotado e o Imperador, rendido. Esses ficaram  conhecidos como makegumi ou “corações sujos”.

O livro
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