Falem mal, mas falem de mim: se depender de mim não, violão

Anturdia estava a ler um release que dizia assim: “Como ser influência na web? MITI Inteligência avalia a relevância nas redes sociais”. Pouco à frente, a jornalista citava o caso de um comediante, participante de dois programas televisivos em rede nacional, recentemente envolvido em polêmicas no universo feminino e apontado pelo NYT como “a personalidade mais influente do Twitter”.

Eu me abstenho de declinar o nome da pessoa por motivos que explico adiante.

“No período do estudo, foram capturadas 1.866 interações sobre RB nas redes sociais – Twitter, Facebook, blogs e Youtube – e 15,5% delas foram relacionadas a polêmicas envolvendo o comediante. De todas as interações, ainda, 44,3% foram negativas, mais que o dobro dos comentários positivos capturados (19,25%).”

O grifo é meu.

Daí fiquei matutando: comé que alguém sobre quem se fala mal pode ser influente? Por que alguém que diz coisas preconceituosas só pra gerar burburinho e menções ao seu nome ganha relevância? Mais ainda: por que alguém desejaria ser como ele?

Já que o negócio é estatística, bamos lá. Eu sigo 189 pessoas no Twitter. Desconsiderando os lurkers [digamos, uns 20 a 25%], os que deliberadamente ignoram o que ele diz [outros 25%] e personalidades de outros países que nunca ouviram falar dele [15%, talvez], exatamente duas pessoas acham graça e retuitam algumas coisas do que esse comediante posta [mas nunca as mais grosseiras, e sim as de cunho político/econômico – por isso escaparam do meu unfollow :lol:]. Todo o restante revolta-se com as declarações do cidadão – com justa razão, dado o grau de babaquice do cara – só que no processo acabam, como diz o Millôr, “ampliando a voz dos imbecis”.

No fim, quem colocou o cara no topo do ranking das personalidades mais influentes do Twitter no New York Times foram os detratores, e não os fãs; é por isso que me recuso a usar o nome dele.

Então resolvi que não, não quero ser relevante para uma massa de seguidores. Prefiro saber que ajudei a Rê a se apaixonar por Agatha Christie, a Érika a começar a ler Discworld, a TatiLie a assistir Doctor Who, a Adrina a curtir Harry Potter, a Sweet a descobrir O Morro dos Ventos Uivantes, a Jess e a Kaká a lerem Jane Eyre do mesmo modo que tanta gente relevante pra mim me influenciou a descobrir tanta coisa legal.