Jane Eyre [1949]

Jane Eyre 1949

A rede de TV norte-americana CBS tinha uma série que se propunha a apresentar adaptações dos clássicos da literatura em uma hora [ou pouco menos, tirando os comerciais] chamada Studio One. Essa série apresentou duas versões de Jane Eyre, uma em 1949 e outra em 1952. A de 1949 é fácil de achar no arquivo de obras em domínio público, a de 1952 eu ainda estou à procura.

A proposta da tv é interessante, até acharia o máximo ver algo parecido para o público brasileiro, mas, dentro do meu desafio de assistir ao máximo de adaptações possível, essa versão de 1949 fica no fundo do poço das que já vi.

Olhe para as minhas coxas, Jane, e apaixone-se loucamente por mim.

Eu já comentei algumas vezes que não consigo identificar períodos de época pelo figurino, mas neste caso nem preciso ser uma especialista em história da moda para perceber que está tudo errado. E não apenas as roupas:  o cenário é o de uma casa classe média ianque, a “biblioteca” é uma estante de livos, Mr. Rochester nem ao menos tem um quarto e Bertha bota fogo num jornal debaixo da poltrona dele.

Aliás, repare no trupicão que a atriz leva ao descer a escada quando vai incendiar o marido, hilário! Ela para, dá uma olhadinha espantada e continua a descer com cara de louca.

Não se case com ele, eu ainda estou aquiiii!

Outro erro é o sotaque ianque. Crendeuspai, estava vendo a hora que Mr. Rochester ia cuspir tabaco no chão. Eu acharia o máximo se fosse uma transposição geográfica-temporal, lembre-se que gostei de Patricinhas de Beverly Hills, 10 Coisas Que Odeio Em Você, etc. Tudo bem transpor/modernizar se se respeita o espírito, mas nesse caso não foi transposição, os personagens falavam em Inglaterra mesmo.

E acho que não é necessário falar da atuação, né? Deixe-me apenas citar o nome do intérprete de Mr. Rochester: Charlton Heston.😆 Mary Sinclair também não fez muita coisa pela nossa heroína romântica e tornou-a subserviente, fraca, chorona, tímida e sem nenhuma força interior. Ah, é, eu já tinha mencionado fraca… Mas eu acredito que isso se deva justamente à época e ao lugar da produção, os EUA pós-Guerra e a sociedade dominante que queria fazer as mulheres voltarem “ao seu lugar” dentro do lar, obedecendo ao marido/pai/irmão/tio/qualquer homem.

Oh, não me abandone, sem você eu vou morrer! GAAAH!

Claro que muita coisa teve de ser cortada para caber em menos de uma hora: praticamente o livro inteiro. A ação toda se passa em “Thornfield” em cenários bem limitados, é óbvio que o orçamento não era nenhuma maravilha. Mesmo assim, dói no coração ver a história ser mutilada dessa forma.

Heston e Sinclair protagonizaram a adaptação de O Morro dos Ventos Uivantes para essa série nos papeis de Heathcliff e Cathy; talvez eu assista um dia, só espere passar o assombro que sinto no momento.

No iMDB

Título: Jane Eyre
Título original: Jane Eyre
• Direção: Franklin J. Schaffner
• Roteiro: Charlotte Brontë (romance), Sumner Locke Elliott (roteiro)
• Gênero: Drama/Romance
• Origem: EUA
* Ano: 1949
• Duração: 0h59min

Elenco
Charlton Heston … Edward Rochester
Mary Sinclair … Jane Eyre
Adelaide Klein
Ethel Remey … Mrs. Fairfax (as Ethel Everett)
Viola Roache … Blanche Ingram
Joan Wetmore … Grace Poole

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12 comentários sobre “Jane Eyre [1949]

  1. Assistir essa versão deve ter sido algo próximo à tortura. Já que vc falou de Patricinhas de Beverly Hills e 10 Coisas que Odeio em Você, será que existe um no estilo para Jane Eyre?

  2. Oi, Naomi;

    Eu conheço duas “atualizações” de Jane Eyre:

    “Jane: a modern retelling of Jane Eyre” (April Lindner)
    “Jillian Dare: A Novel” (Melanie M. Jeschke)

    O primeiro foi mais bem recebido que o segundo.
    Bjs,

    Suzana

  3. Realmente admirável a coragem da Naomi de ir até o fim nessa adaptação… tem uma hora lá que a Jane Eyre de tão submissa sai praticamente flutuando em passinhos de gueixa… depois ela demora mais pra botar os sapatinhos do que pra salvar o sr. Rochester daquele caso literal de “fogo no rabo” (sorry my french…) A Bertha, então… sem comentário.
    Se o Saturday Night Live tentasse fazer uma paródia do livro não conseguiria ser tão engraçado… Mas gostei do comercial do fogão… em 1949 era muito mais moderno do que qualquer modelo que nós, tupiniquins, tenhamos conhecido apenas muitas décadas depois.

    • “fogo no rabo” HAHAHAHAHAH!! tv pirata rlz!!

      mas é verdade, aquele fogão é [era] muito legal. só mudaria duas coisas: o detalhe dos botões longe do alcance das crianças é uma boa ideia a princípio, mas impraticável para cadeirantes; mudaria pra GLP em vez de elétrico.🙂

  4. Pingback: Jane Eyre [1934] « Pensamentos de Uma Batata Transgênica

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