[The Borgias] The Borgias in Love/The French King

A percepção que eu tinha dos Borgia [e aposto que muita gente também] era que ali todos eram uns devassos libidinosos sem-vergonha safados, mas sabe que a série está me fazendo mudar de ideia?😆

Veja o Papa Alexandre 6º, por exemplo. Ele pagou ao ex-marido de Vanozza para que ele a deixasse em paz quando ela já não gostava mais dele, criou todas as condições possíveis para que ela e as crianças vivessem com conforto, tentou blindá-la das maledicências da sociedade e continua a respeitá-la e protegê-la após arrumar outra amante. Ele também respeita a opinião de Giulia Farnese, que pouco a pouco vem exercendo influência sobre Rodrigo Borgia.

Cesare, o filho mais velho, é bastante sensível em relação à situação materna. No casamento de Lulu foi ele quem desafiou a determinação do pai e levou Vanozza à festa. Lá, um dos convidados a insultou na frente de Cesare [socorro, Glorinha Kalil!], que ficou com sangue nos zóio e desafiou o tal barão pra um duelo. Pra juntar a fome com a vontade de comer, Cesare cobiça a esposa do barão.

Pequena nota pessoal: Achei esquisitíssima a citação a Abelardo e Heloísa duas vezes, uma para a situação hipotética em que Lulu entraria para o convento e outra na situação real em que Ursula Bonadeo entra pro convento – a não ser que tenha sido proposital, como a semelhança física de Ursula e Lucrezia.

O segundo filho, Juan, é uma besta quadrada. Rodrigo quer torná-lo um líder militar mas o cabra não tem a menor visão estratégica, nenhuma sutileza, e as habilidades diplomáticas inexistem naquela pessoa. Ele é bom em briga corpo a corpo e em fornicar, e só. Papai Papa é obrigado a chamar o filho na chincha depois que ele espanca o ex-marido da mãe, reacendendo a maledicência da sociedade contra Vanozza e contra si mesmo. A soberba de Juan é outro ponto fraco: ele não aceita se casar com as filhas ilegítimas ou primas de aliados, mas se esquece que ele mesmo é visto como bastardo.

É essa questão genealógica que deu o tom da noite de núpcias da Lucrezia. Ela era pouco mais que uma criança mimada, criada a leite com pera [nunca entendi essa expressão, pra mim leite e pera não combinam] e com expectativas puras e românticas pro casamento, mesmo sabendo que se tratava de uma aliança estratégica e política. Tudo destroçado na primeira noite.

Pequena nota pessoal: The Borgias parece se esforçar para – não digo redimir ou limpar, mas resgatar a imagem de Lucrezia Borgia, assim como The Tudors resgatou a imagem de Anne Boleyn. Eu gosto.

Lucrezia está se mostrando uma mulher forte e sagaz: ela sofre a brutalidade de Giovanni Sforza e não escreve uma linha para se queixar a ninguém da família porque sabe da importância estratégica do seu casamento, mas não é mulher de aguentar quieta e arranja uma forma de domar o marido ao mesmo tempo em que realiza as expectativas românticas com o cavalariço. You go, girl!

Por fim, sobrou até pro coitadinho do Joffre, aquele fofo do caçula. Depois que Juan se recusou a casar com a filha ilegítima do Rei Ferrante, Alexandre 6º firmou a aliança com Nápoles casando o filho de 13 anos com Sancia.

Mas pra que o Papa precisou firmar aliança com Nápoles se ele já tinha casado Lulu com um Sforza, primo dos Sforza de Milão, Tia Batata?

Duas coisas: casar com uma Borgia era uma honra muito menor do que o Papa imaginava – aproximava-se mais da desonra, na verdade – e o Duque de Milão não se sentiu nem um pouco obrigado a alinhar-se com Roma pelas núpcias do primo. De fato, ele ouviu a proposta do Cardeal Della Rovere com bastante atenção.

Della Rovere saiu de Florença sem um acordo com os Medici e Maquiavel, mas deu sorte em Milão com uma ajuda involuntária do próprio papa: Alexandre 6º mandou o Vice-Chanceler convencer o primo a aliar-se a Roma ou Roma apoiaria o outro primo dele a ocupar o ducado. Ludovico, O Mouro, ficou muito fulo com a ameaça e matou o pretendente ao título, cortando qualquer chance de aliança.

Tendo uma passagem para o sul assegurada, Della Rovere enfim leva sua proposta para Carlos 8º, o Rei da França, e aí ocorre uma sequência de diálogos muito boa entre os dois, em que Charles [vou adotar o nome de série dele] explica pro cardeal os fatos da vida: a guerra é um negócio feio; não existe honra na guerra. É guerra o que você quer? Então cuidado com que deseja.

São dois episódios abaixo da média, especialmente comparados com os dois primeiros. Numa temporada tão curta a gente acha que não vai ter “barriga” [é esse o termo técnico pros períodos de marasmo em novela, né?], mas tirando uma cena e outra teve bastante redundância em The Borgias in Love e The French King.

Agora só faltam três, vamo que vamo. Quero ver o Juan se lascar.

Contagem de corpos [relevantes]: 2

Momento didático: Abelardo e Heloísa

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2 comentários sobre “[The Borgias] The Borgias in Love/The French King

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