[Sons of Anarchy] Out

Jax Teller: The bond that holds this club together isn’t about love or brotherhood anymore. We lost that a long time ago. It’s just fear and greed now.

Já que eu oficialmente desisti de True Blood, decidi testar “resenhas” de outra série no lugar. Sons of Anarchy começou no mesmo ano que TB mas, em vez de perder o rumo, ficou mais forte com o passar do tempo. A primeira e a segunda temporadas foram claramente influenciadas por Hamlet, de William Shakespeare, e O Poderoso Chefão, de Mario Puzo. A partir da terceira temporada o criador Kurt Sutter distanciou-se dessas fontes e a história ganhou ainda mais profundidade.

A quarta temporada começa 14 meses após os fatos ocorridos no final da anterior, com os membros da SAMCRO deixando a penitenciária [e eu sempre arrepio quando vejo a equipe em formação na estrada, é sinal de que vem muita bad-ass motherf*ckery pela frente]. Quando Sam Crow chega à entrada de Charming logo percebe a mudança de ares: o outdoor dos empreendimentos Hale & Oswald e a recepção do novo xerife mostram quem são os inimigos a serem combatidos desta vez.

Os membros estão em liberdade condicional, por isso Clay deve organizar a volta aos negócios com ainda mais astúcia para evitar que voltem à prisão. O personagem de Ron Perlman é um dos mais complexos da TV: assassino frio, marido devotado, líder, político… e realmente ama Jax como a um filho. Suas estratégias estão sempre cinco movimentos à frente dos adversários e é  isso que torna o Clube tão letal e respeitado, mesmo quando sofre revezes. Os inimigos que subestimaram a resiliência do Clube e a força de recuperação de Clay são os que acabaram derrotados por ele, mais cedo ou mais tarde.

Com esse histórico, eu já fiquei curiosa pra saber quais danos a força-tarefa do Agente Potter provocará em Charming e como Clay e Jax vão derrotá-los – desculpe, porque eles vão. Em todo caso, gostei desse novo personagem que não se enquadra no estereótipo do agente federal de terno e gravata todo durão e certinho que carrega uma Glock no coldre do peito. Quero dizer, talvez carregue, mas definitivamente Lincoln “Linc” Potter promete.

As subtramas também são promissoras: uma nova “old lady” une-se ao grupo quando Lyla casa-se com Opie e não sei se irá interagir com Gemma e Tara, mas sempre fico feliz com essas mulheres fortes e determinadas. Por outro lado, fiquei deveras intrigada com a expressão no olhar de Lyla antes do casamento… Será uma infiltrada?

Gemma é uma personagem incrível, sou megafã. Ela é mais do que a primeira-dama do Clube ou a figura materna para os seus membros, ela é a cola que os mantém unidos e, de certa forma, o cérebro por trás do destino que o Clube tomou. Junto com Clay, formam o casal mais fofo das séries que assisto: há companheirismo, respeito e carinho entre os dois, o bastante pra brincarem sobre o tempo que Clay passou na prisão sem mulher. Ao mesmo tempo, mantém suas personalidades individuais, fortes e determinadas, sem se anular pelo outro.

Tara parece seguir as mesmas características. Eu admiro Sutter por não permitir que o relacionamento de Tara e Jax mude os ideais de cada um – eles se ajustam para ficar juntos, mas seus personagens se desenvolvem um ao lado do outro para que seus ideais se encontrem e se concretizem. Essa é, afinal, a minha grande crítica aos casais de TB, que se despersonalizam e se corrompem pelo outro.

O desenvolvimento de Jax e a relação com Tara não é uma subtrama, é o fio principal da série desde o episódio piloto. Conforme ele lembrou no diálogo que abre este post, ele quer sair de SAMCRO como seu pai, mas, ao contrário de John Teller, ele não vai sentar e escrever um manifesto – ele vai agir, construindo seu caminho para fora. Sutter publicou [não lembro se no blog ou no Twitter] que planejou concluir SoA em sete temporadas; estamos bem no meio, então.

E para começar a pavimentar a estrada pra fora, que tal terminar os negócios que os russos começaram na temporada passada? Vamos deixá-los acreditar que são águas passadas, que nosso interesse é o lucro e retomar o tráfico de armas. Tamo de boa, chap, traz tudo pro casório do Opie pra despistar os meganha que estão no nosso rab… errr, encalço. De boa? De boa. Tome ra-ta-ta-tá ao som de What A Wonderful World.

Te disse, cinco movimentos à frente.

Celebrante do casamento de Opie e Lyla: I’d like to share with you a blessing of the Apache. “Now you will feel no rain, for each of you will be shelter for the other. Now you will feel no cold, for you will always be warnth for each other. Now you will feel no loneliness, for you will always be each other’s companion. Now you will be two persons, with only one life before you. May beauty and peace surround you both in your journey ahead and through all the years to come.”

13 comentários sobre “[Sons of Anarchy] Out

  1. Ótimo post!
    Eu adorei o Agente Potter! Acho que quem vai melar tudo é o xerife novo (não lembro o nome).
    O casal Jax e Tara é um dos meu favoritos pelos motivos que vc citou acima. O casal Gemma e Clay também. Gemma rocks!

    Eu quero saber o que tem escrito naquelas cartas.

    Só tem uma coisa que me impressiona nessa série (e nada a ver com os personagens): o que fazem essas pessoas com tantas armas?? E armas poderosas! (ontem no desfile do 7 de setembro o exercito passou com umas armas que pareciam de brinquedo perto dessas da série)

    • kaká, pelo que me lembro samcro vende arma pra traficante de drogas. aí o clube tem o próprio arsenal pra se proteger e atacar concorrentes, sem contar as ‘armas pessoais’ de cada membro… até hoje rolo de rir da gemma tirando as pistolas da caixa de chapeu, devia ter meia dúzia ali!

      vedade, esqueci de comentar mais sobre o xerife eli roosevelt [e, de quebra, do antigo também. fiquei com o coração apertado coa situação do wayne…]

      torcendo pra série continuar forte!

  2. Que texto ótimo! Expressa muito do que sinto sobre Sons of Anarchy, mas nunca escrevi (faltaram palavras tão boas como as suas!). A análise sobre Clay e a resiliência do clube é perfeita. Esta é uma série que deveria ter muito mais atenção, mas pouco me importo se não é reconhecida como merece. O que é realmente importante: ela seguir excepcional a cada episódio.

    • obrigada, alê! estava em dúvida se me arriscava a postar sobre a série [afinal não sou resenhadora], mas é como você bem disse: a repercussão é pouca. até o blog brasileiro dedicado a soa que eu conhecia parou de atualizar os posts, legendas em pt-br demoram, e o fx nem mesmo exibiu a 3a temporada ainda.

      hay que haver resistência!

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