Meme Literário 2013 | Dia 1

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Dia 01 – Se você leu algum livro hoje, cite um trecho; se não leu, cite algo do livro que estiver lendo.

O ar condicionado estava frio demais. Fechou a saída de ar que ficava à altura de seus joelhos e olhou para os campos de mato alto, desejando sentir o calor para além desta bolha super-refrigerada. Lá fora uma névoa matutina deitava-se como gaze sobre os campos verdes, e as árvores posavam imóveis mesmo frente à brisa suave. Rizzoli quase nunca aventurava-se à região rural de Massachusetts. Era uma garota da cidade, nascida e criada em ambiente urbano, e não sentia qualquer afinidade pelo campo com seus espaços vazios e insetos picadores. E não era hoje que começaria a se encantar pela vida idílica.

Trecho de O Dominador, da escritora Tess Gerritsen. É o segundo da série de livros que deu origem ao seriado policial norte-americano Rizzoli & Isles – que eu assisti antes de ler os livros, então quando comecei a ler tive de descontruir as personagens na minha cabeça.

Gerritsen é descritiva, como se percebe no trecho acima. Num gênero como o thriller médico, isto significa narrações detalhadas de procedimentos patológicos e necrópsias, modus operandi de assassinos etc. Não é para os de estômago fraco. 😉

Pessoalmente, esse tipo de narração às vezes me distrai. Nessa parte, por exemplo, meu espírito se descolou do corpo e foi fazer outras coisas; mais à frente, ele voltou para ler a lista do Código de Vestuário de uma penitenciária – esse é o tipo de coisa que me interessa.

É proibido entrar nesta instalação: Descalço. Com trajes de banho. Com qualquer roupa que demonstre afiliação a uma gangue. Qualquer roupa semelhante à emitida aos internos ou funcionários. Roupas com bolsos internos. Roupas fechadas com cordões. Roupas com fendas ou de abertura fácil. Roupas excessivamente largas, folgadas ou pesadas…

De qualquer modo, é uma boa leitura.

PS: Desculpe pela cor da fonte na citação. Não achei onde alterar e não quero trocar o lay-out, adorei esse da flor de cerejeira. 😛

Sobre o Meme Literário de Um Mês Quarto Escuro [link]

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Desafio Literário | As Filhas Sem Nome

O segundo livro da jornalista Xinran é baseado na vida de três jovens que ela conheceu enquanto fazia seu programa de rádio, direcionado para denunciar as subcondições em que viviam as mulheres na China pós-Revolução Cultural. A história se passa entre 2001 e 2004 e centra-se nas trajetórias de Três, Cinco e Seis, que tinham então de 17 a 20 anos de idade. As garotas são filhas de camponeses: o pai envergonhava-se tanto delas que nem ao menos deu-lhes um nome, chamando-as pela ordem de nascimento.

[Eu lembrei tanto do Charlie Chan e seus incontáveis filhos…]

Para os camponeses, filhas são palitinhos [hashis, em japonês; não sei como se chamam em mandarim] que se usam e jogam fora, enquanto filhos são cumeeiras que sustentam o telhado. Esse pensamento persiste mesmo no século 21 dentro das comunidades isoladas do interior, onde as pessoas são ou analfabetas ou preferem manter o status quo como é o caso dos tios das garotas, membros da autoridade destinada a fiscalizar a lei do filho único que fazem vista grossa para muitas desobediências civis.

O Tio Número Dois trabalha em outra cidade ao sul e, por viajar e conhecer uma comunidade maior, se compadece do destino da sobrinha Três. Ele a leva para Nanjing [Nanquim, na grafia portuguesa arcaica] e lá ela logo arruma emprego em um pequeno restaurante fast-food de comida chinesa. O livro poderia até encaixar-se em janeiro, mês da Literatura Gastronômica, porque muitos quitutes típicos são citados junto com a sua região de origem. Também se encaixa no tema dos Fatos Históricos porque, apesar de ser contemporâneo, aborda a Revolução Maoísta cujos efeitos ainda são percebidos pela população chinesa.

Três é bem-sucedida no emprego e em menos de um ano consegue o equivalente a dois anos de lucro do pai no campo, o suficiente para que ele consinta em liberar as filhas Cinco e Seis para irem a Nanjing. O choque cultural é uma das facetas abordadas mais a fundo neste romance, especialmente quando as meninas descobrem sua voz, seu lugar no mundo. Pela primeira vez elas são tratadas como indivíduos e essa autodescoberta as faz repensarem o papel do pai e da mãe em suas vidas.

As Filhas Sem Nome é uma leitura bem mais leve e otimista do que As Boas Mulheres da China, mais humorada até. A autora continua a criticar as leis e costumes que degradam a mulher, mas vê as mudanças que ocorrem a partir dos grandes centros urbanos graças à interação dos chineses com os estrangeiros e às próprias mudanças internas, como o fim da exigência de autorização para viajar de uma cidade a outra.

Um ponto negativo, pra mim, é que a vida das garotas na cidade grande acontece sem dissabores maiores do que o tal choque cultural.  Talvez a escritora tenha optado por não desgraçar mais ainda uma situação que já era humilhante, mas mesmo com subempregos e dificuldades as garotas contaram com uma dose extra de sorte. O final acabou meio aberto – meio porque Xinran acabou contando no epílogo o que soube de cada uma das três após os fatos narrados no livro, a pedido da tradutora inglesa Esther Tyldesley.

Apesar de os habitantes locais fazerem piadas sobre a Senhora do Tofu, também reconheciam que o coração dela era mais quente do que seu wok de óleo fervente. Ela jamais aceitava dinheiro de crianças que quisessem fazer uma boquinha e não tolerava ver garotas de famílias pobres serem importunadas. Se uma moça do interior em busca de emprego parasse na loja para perguntar como se ia até o grande salgueiro, a Senhora do Tofu a obrigava a sentar e comer vários espetinhos de cubos de tofu fedorento cravados em bambu antes de deixá-la prosseguir no seu caminho — sem sequer fazer uma pausa para perguntar se a garota gostava da iguaria. [Companhia das Letras]

Sobre a autora
Nasceu em Pequim, em 1958. Trabalhou em Nanquim até 1997, quando a impossibilidade de publicar na China o seu relato fez com que se mudasse para Londres com seu filho. Casada com um inglês, leciona atualmente na School of Oriental and African Studies da Universidade de Londres.

Nota de 1 a 5: 4

Este post faz parte da blogagem coletiva Desafio Literário 2012 [v. lista de livros agendados], tema Escritor[a] Oriental.

Blog do Desafio Literário

Título: As Filhas Sem Nome
Título original: Miss Chopsticks [Inglaterra/2007]
Autora: Xinran
Tradução: Caroline Chang
Ano: 2010
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 296

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SuperBowl XLVI

Tom Brady (QB Patriots) e Eli Manning (QB Giants)

A final de futebol americano que aconteceu ontem foi uma reedição do SB XLII, quando o até então invicto New England Patriots sofreu a única derrota da temporada para o New York Giants – se o placar fosse outro, seria uma revanche. 😆 Em entrevista coletiva antes do jogo, o quarterback do Patriots disse que não queria que Eli Manning,  o QB do Giants, estivesse com a posse da bola nos minutos finais porque isso representaria perigo de touchdown. Foi mais ou menos o que aconteceu, mas estou me adiantando.

O jogo aconteceu no estádio do Indianapolis Colts e grande parte da torcida local era para o Giants porque Eli é o irmão mais novo do QB do Colts, Peyton Manning. Peyton e Brady disputam o posto de melhor QB em atividade e já fazem parte do time de melhores de todos os tempos – Brady quebrou diversos recordes ontem e superou Joe Montana em vários quesitos. Para muitos [eu, inclusive] Montana é o melhor QB da História. Foi por causa dele que passei a torcer pelo San Francisco 49ers na década de 1980. Tenho sorte de poder ver outra provável lenda do esporte surgindo.

Mesmo assim, Brady iniciou a partida cometendo um intentional grounding [quando o QB joga a bola ao léu ao perceber que sofrerá um sack do adversário]; como estava dentro da end zone, a falta reverteu 2 pontos de safety a favor do Giants. Minutos antes do intervalo, o placar estava 9 a 0 para o time de NY, mas não tá morto quem peleia e NE foi pro vestiário na frente do placar depois de marcar 10 pontos. No retorno aumentaram a vantagem com um field goal e deram a bola na mão do Eli Manning a três minutos e quarenta segundos do fim do jogo, exatamente o que Brady não queria – em 2008 Eli precisou de cinquenta e cinco segundos pra virar o jogo.

Com passes fantásticos, foi o que ele fez outra vez: mais um touchdown e a segunda virada de placar da noite. Devolveram a bola com 57 segundos para o Patriots e partiram pra pressão em cima do Brady, que encerrou a partida num hail mary [jogada em que o QB lança a bola e fica rezando pra dar certo]. Quaaase deu, só que não deu. Eli foi o MVP novamente e agora tem um anel a mais que o irmão mais velho.

Eu perdi a execução de America The Beautiful executada por Blake Shelton e Miranda Lambert; quando liguei a TV já anunciavam Kelly Clarkson, que cantou o hino dos EUA. O show do intervalo foi da Madonna e xeu te contar uma coisa: eu gosto da Madonna, tenho até disco de vinil dela [Blue], mas quando anunciaram no ano passado que seria ela fiquei meio blé, porque pra mim SB é um evento mais roquenrôu – Tom Petty, Bruce Springsteen e The Who foram os shows mais matadores, dos recentes. Black Eyed Peas, no ano passado, foi quase uó.

Aí Madonna entrou em campo.

Aí meu queixo caiu.

Era uma homenagem clara ao filme Cleopatra com a Elizabeth Taylor, sentada num trono puxado por centuriões romanos. A mulher sabe causar impacto, não tenha dúvidas. Apesar de usar autotune e do setlist meio bizarro que montou, ela compensa com pompa, impacto visual e carisma.

Miranda Lambert & Blake Shelton [America The Beautiful] e Kelly Clarkson [Star Spangled Banner]

Link http://www.youtube.com/watch?v=BYwD6z4_DWs

Madonna feat. LMFAO, M.I.A., Nicki Minaj, Cee Lo Green, colaboração de Jamie King, Cirque du Soleil, Moment Factory

Link http://www.youtube.com/watch?v=PyfdoZldrS4

Foi um bom show num bom jogo – sem momentos espetaculares dignos de um Top10, mas ainda assim um bom jogo. O mais legal foi ver amigos descobrindo o prazer de entender, acompanhar e passar a torcer pelo esporte [oooi, Frank! oooi, Junior!] e conhecer outras pessoas que também curtem FA [oooi, Clara! oooi, Mônica!]. É um nicho que a mídia brasileira finalmente começa a perceber que existe e começa a tratar com profissionalismo [v. matéria no UOL].

Post legal
Os personagens que jogam futebol americano [TeleSéries]

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SuperBowl XLIV
SuperBowl XLIII
SuperBowl XLII

It’s caturday!

Não é dia de trabalhar, papai!

Link http://www.youtube.com/watch?v=8t28BrsZeuM

Via LoveMeow

Animais do Pinheirinho – São José dos Campos / SP

A ONG Cão Sem Dono está precisando de doações e voluntários para resgatar/ajudar os mais de 500 animais abandonados ou perdidos na desapropriação da área do Pinheirinho. Quem tiver interesse pode visitar a página  deles no Facebook.

A Marília Toledo está angariando doações para animais e pessoas, quem quiser ajudar me dê um alô que eu passo o contato dela no FB.

 

Domingueiras

Frações de gatos te ensinam matemática.

Imagem: I can has cheezburger

Será que eu ainda sei como se faz isso? Testando, testando. Som. Som. Som.

A Mansão ACBR [Agatha Christie Brasil] agora tem grupo no Facebook.

Falando em AC, no catálogo 3/2012 da Avon tem uma nova caixa com três títulos diferentes de aventuras do Poirot [Os Elefantes Não Esquecem, Assassinato no Beco e Treze À Mesa] por 27 dinheiros. Vai dia 19/1, vem 29/1. Tá na pág. 144; no folheto 4/2012 não aparece.

13 coisas que você julgava saber sobre Agatha Christie que estão erradas [.Livro].

Dois posts bem legais sobre o incentivo à leitura? do Fernando [Abertura Lateral] e do Projeto PDL.

Esse eu salvei pra consultar sempre: concordância do verbo haver [GAPP].

Bolão TeleSéries Golden Globe 2011 [link] com apostas abertas até as 19h de Brasília, hoje. O vencedor levar o box da primeira temporada de Law & Order.

Minhas participações no TeleSéries nessas semanas sem Domingueiras: os melhores de 2011 [link]; os piores de 2011 [link];  Drop Dead Diva [link]; Seinfeld [link] e Two and A Half Men [link].