Banned Books Week

Fechar livros tranca ideias.

Duas notícias envolvendo a retirada de livros da biblioteca e do currículo escolar rodaram o Twitter e outras mídias sociais recentemente:

[1] uma escola na Virginia, EUA, excluiu “Um Estudo em Vermelho” de Arthur Conan Doyle do curso de Literatura porque considera que o livro insulta uma determinada religião originária do país – em vez de debater o contexto histórico e as liberdades criativas do autor [via USA Today];

[2] uma escola no Missouri, EUA, baniu dois livros, tanto do currículo quanto da biblioteca – Twenty Boy Summer de Sarah Ockler e Matadouro-5 de Kurt Vonnegut, um notório crítico anticensura. A Fundação que leva seu nome ofereceu 150 exemplares grátis do livro para os estudantes que solicitassem [The Guardian].

Sei lá, de vez em quando tenho a sensação de que a melhor estratégia para convencer alguém, especialmente um jovem, a ler um livro é proibi-lo. ;)

E lá na terra da liberdade os cabras têm gosto em proibir livros, tanto que a Associação de Bibliotecários criou uma semana inteira dedicada à subversão e incentivo à leitura pública de livros banidos de alguma escola ou biblioteca. Em 2011 a semana acontece entre 24 de setembro e 1º de outubro.

Os livros que receberam mais moções de censura em 2010 foram:

1. And Tango Makes Three, Peter Parnell e Justin Richardson
Motivos: homossexualidade, ponto de vista religioso, inadequado à faixa etária

2. The Absolutely True Diary of a Part-Time Indian, Sherman Alexie
Motivos: linguagem ofensiva, racismo, educação sexual, sexualmente explícito, inadequado à faixa etária e violência

3. Admirável Mundo Novo [Brave New World], Aldous Huxley
Motivos: insensibilidade, linguagem ofensiva, racismo, sexualmente explícito

4. Crank, Ellen Hopkins
Motivos: drogas, linguagem ofensiva, sexualmente explícito

5. Jogos Vorazes [The Hunger Games], Suzanne Collins
Motivos: sexualmente explícito, inadequado à faixa etária, violência

6. Lush, Natasha Friend
Motivos: drogas, linguagem ofensiva, sexualmente explícito, inadequado à faixa etária

7. What My Mother Doesn’t Know, Sonya Sones
Motivos: sexismo, sexualmente explícito, inadequado à faixa etária

8. Nickel and Dimed, Barbara Ehrenreich
Motivos: drogas, imprecisão, linguagem ofensiva, ponto de vista político e religioso

9. Revolutionary Voices, editor Amy Sonnie
Motivos: homossexualidade e sexualmente explícito

10. Crepúsculo [Twilight], Stephenie Meyer
Motivos: ponto de vista religioso e violência

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Banned Books Week 2010

Banned Books Week

O slogan deste ano para a campanha da Semana dos Livros Banidos da Associação Americana de Bibliotecas [EUA] é “Pense por si mesmo e deixe que outros façam o mesmo” [em tradução livre]. O objetivo da iniciativa é combater o cerceamento/retirada de alguns livros das bibliotecas escolares e públicas.

É uma resposta a pais que exigem a exclusão de títulos da biblioteca em que o filho estuda por motivos que variam da inadequação etária ou “incentivo à homossexualidade” [!!], ou aos grupos que condenam o ‘incentivo à prática de bruxaria”, o ponto de vista de outra religião ou o conteúdo sexual de outros livros e exigem sua exclusão das bibliotecas do município ou condado.

Durante uma semana, a associação incentiva a leitura pública dos livros que tiveram maior número de reportes pelo país como forma de protesto contra a censura [em 2010 é na semana entre 25/set e 2/out]. Cá entre nós, eu achei o slogan deste ano perfeito também para a atual situação midiática brasileira, niqui alguns militantes políticos acham que só se pode falar bem de um candidato e falar mal de outro, e que o jornal/veículo de imprensa que fala mal do seu candidato deve ser boicotado – ou, ainda, os diversos movimentos Cala a boca, Fulano.

Começa de brincadeira.

Em 2009 os dez livros com mais reclamações foram:

1. TTYL; TTFN; L8R, G8R [série], Lauren Myracle
Motivos: nudez, sexualmente explícito, linguagem ofensiva, inadequado à faixa etária, drogas

2. And Tango Makes Three Peter Parnell e Justin Richardson
Motivos: homossexualidade

3. As vantagens de ser invisível [The Perks of Being A Wallflower] Stephen Chbosky
Motivos: homossexualidade, sexualmente explícito, antifamília, linguagem ofensiva, ponto de vista religioso, inadequado à faixa etária, drogas, suicídio

4. O Sol é para todos [To Kill A Mockingbird], Harper Lee
Motivos: racismo, linguagem ofensiva, inadequado à faixa etária

5. Série Crepúsculo [Twilight] Stephenie Meyer
Motivos: sexualmente explícito, ponto de vista religioso, inadequado à faixa etária

6. O apanhador no campo de centeio [Catcher in the Rye], J.D. Salinger
Motivos: sexualmente explícito, linguagem ofensiva, inadequado à faixa etária

7. Uma prova de amor [My Sister’s Keeper], Jodi Picoult
Motivos: sexismo, homossexualidade, sexualmente explícito, linguagem ofensiva, ponto de vista religioso, inadequado à faixa etária, drogas, suicídio, violência

8. The Earth, My Butt, and Other Big, Round Things, Carolyn Mackler
Motivos: sexualmente explícito, linguagem ofensiva, inadequado à faixa etária

9. A cor púrpura [The Color Purple], Alice Walker
Motivos: sexualmente explícito, linguagem ofensiva, inadequado à faixa etária

10. The Chocolate War, Robert Cormier
Motivos: nudez, sexualmente explícito, linguagem ofensiva, inadequado à faixa etária

E na lista dos cem mais questionados entre 2000 e 2009:

1. Série Harry Potter, J. K. Rowling
8. Fronteiras do Universo [His Dark Materials], Philip Pullman
14. As Aventuras de Huckleberry Finn [The Adventures of Huckleberry Finn], Mark Twain
23. O Doador [The Giver], Lois Lowry
28. Ponte para Terabítia [Bridge To Terabithia] Katherine Paterson
36. Admirável Mundo Novo [Brave New World] ,Aldous Huxley
46. Matadouro-5 [Slaughterhouse-Five], Kurt Vonnegut
49. Um Estranho no Ninho [One Flew Over the Cuckoo’s Nest], Ken Kesey
50. O Caçador de Pipas [The Kite Runner], Khaled Hosseini
69. Fahrenheit 451, Ray Bradbury
88. O Conto da Aia [The Handmaid’s Tale] Margaret Atwood
97. A Casa dos Espíritos, Isabel Allende

Ah, as imagens no topo do post são frente e verso do marcador de páginas para imprimir, cortesia da ALA.

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Recordes e censura
Semana dos livros banidos

Semana dos livros banidos

bks

“A word to the unwise.
Torch every book.
Char every page.
Burn every word to ash.
Ideas are incombustible.
And therein lies your real fear.”
[Ellen Hopkins in Manifesto - clique aqui para baixar o poema na íntegra]

Ellen Hopkins compôs o poema Manifesto depois que uma cidade no Estado de Idaho/EUA baniu seu livro Burned, que conta a história de uma garota mórmon que enfrenta uma crise de fé. Seu livro Crank and Glass, na lista dos mais vendidos no New York Times, conta a história de outra garota viciada em crack [baseada na sua própria filha] e provocou a revolta de pais de alunos de uma escola onde a autora tinha uma palestra agendada.

A reclamação desses poucos pais obrigou a diretoria da escola a cancelar a palestra.

Vale lembrar que amanhã [26] começa a semana do livro banido nos EUA. O evento celebra a liberdade para ler qualquer livro e surgiu como uma resposta para a prática crescente de censura nas bibliotecas públicas e escolares norte-americanas. A Banned Books Week é patrocinada pela Associação Americana de Bibliotecas [ALA].

Segundo dados da ALA, no ano passado foram reportados 513 casos de livros que sofreram censura ou tentativa de censura. Os dez que receberam mais reclamações foram:

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Queimando livros

Capa de Baby Be-Bop

Capa de Baby Be-Bop

Nas semanas passadas, o assunto do momento nos programas de fofoca e sites dedicados à vida das famosidades era discutir a sexualidade de um participante de reality show. Muita gente [eu no meio] ficou chocada com o fato de ele *não* ter ganhado. Muitos acharam que foi resultado de preconceito do público votante, já que vazaram fotos do competidor travestido dias antes da final. Eu quero crer que não tenha sido isso, mas o fuzuê que a tal “saída do armário” provocou na mídia faz repensar essa crença.

Lembrei disso agora ao ler um artigo no jornal inglês The Guardian sobre uma ação jurídica que o grupo religioso Christian Civil Liberties Union move no Estado do Wisconsin [EUA]. A ação pede à Justiça o direito de queimar publicamente uma cópia do livro “Baby Be-Bop” da autora Francesca Lia Block, por ser “explicitamente vulgar, racial [e não racista] e anticristão”. Além disso, exigem indenização de 120 mil dólares da American Library Association por danos provocados pelo fato de terem sido expostos ao referido livro numa biblioteca pública. Reclama que quatro de seus membros sofreram danos no seu bem-estar mental e emocional.

A ação judicial segue-se a uma campanha do grupo religioso que pretende proibir o acesso a livros com temática sexual aos jovens e adolescentes da cidade de West Bend. O diretor do programa Freedom to Write do PEN America diz que o ato é meramente teatral, que não tem possibilidade de seguir adiante e cujo maior objetivo é ganhar publicidade, porém é preocupante a motivação por trás da ação.

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Se ficar o bicho pega

A Young Girl Reading, Jean-Honoré Fragonard, 1776

A Young Girl Reading, Jean-Honoré Fragonard, 1776

Na semana que passou o assunto mais frequente no monitor de Miguelito foi o caso dos livros paradidáticos do projeto Ler e Escrever, da Secretaria de Educação de SP, destinada aos alunos da 1ª à 4º série [7 a 10 anos, mais ou menos].

Não é o mesmo problema do ano passado, quando descobriram num livro didático que o Equador virou Paraguai no mapa da América do Sul. Daquela vez foi um erro factual presente num livro de uso obrigatório; desta vez são livros inadequados para a faixa etária e de leitura opcional. Isso não significa que um caso é errado e o outro certo – no caso atual, é erro foi de avaliação por parte do[s] responsável[is] pela escolha.

O governo de São Paulo mandou retirar mais quatro livros das escolas da rede pública estadual nesta sexta-feira. De acordo com a secretaria de Estado da Educação, as obras, que faziam parte do programa de melhoria da alfabetização, tinham conteúdo preconceituoso e eram inadequadas para a faixa etária a que estavam destinadas. Não foi informado o número de exemplares que foram distribuídos. Até agora, seis dos 817 livros do programa “Ler e Escrever” foram recolhidos. [O Globo, 29/05/09]

Os livros “recolhidos” são:
. Um campeonato de piadas – Laerte Sarrumor e Cuca Domenico;
. O triste fim do menino ostra e outras histórias – Tim Burton;
. Memórias inventadas: a infância – Manoel de Barros;
. Manual de desculpas esfarrapadas: casos de humor – Leo Cunha;
. Manual de autoajuda para supervilões – Joca Reiner Terron;
. Dez na área, um na banheira e nenhum no gol – coletânea de quadrinhos de artistas brasileiros.
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Higienização

Estava a assistir à Entrevista com o vampiro ontem e fiquei de cara:  o canal Warner censurou as cenas no Teatro dos Vampiros, adicionando efeitos gráficos nos seios e bumbum da vítima. Só não foi parecido com aquelas bolinhas pretas das pornochanchadas dos anos 70 porque a tecnologia evoluiu e permitiu substituir as bolinhas pelo borrão.

De-ca-ra.

E isso porque o filme começou às 23h e a tal cena passou à 1h [nem comento a quantidade de intervalos comerciais].

Decadente.

Recordes e censura

A mais lida por protesto

A mais lida por protesto

No mesmo dia que sai a notícia de que a autora JK Rowling foi a mais bem paga do mundo em 2007, descubro também que existe toda uma semana dedicada à leitura de livros banidos das bibliotecas e escolas norte-americanas, em protesto contra o tal banimento e censura. Esse protesto acontece sempre na última semana de setembro [em 2008: de 24/9 a 4/10] e é promovido pela American Library Association. A idéia é ler, em local público, um livro banido – não precisa ser em voz alta, o objetivo não é provocar distúrbio.

Os motivos para um livro ser banido de uma escola ou biblioteca pública são ou religiosos [a série Harry Potter é citada por "incentivo à bruxaria", uma coisa bem Inquisição], ou de caráter sexual ["incentivo à homossexualidade" no topo], por linguagem ofensiva [palavrões] ou por qualquer outra razão que o cidadão achar que prejudique uma criança em seus princípios.

V. FAQ no site da ALA.

Na lista dos 10 livros mais contestados de 2007 estão:

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Poison Uncensored

Buscando o videoclipe da música citada abaixo, descobri que existem duas versões disponíveis: a asséptica pra passar na MTV e a original, que mostra a menina-veneno nua e de frente, ou seja, com os bicos dos seios aparecendo. Isso em 1989. Oh, certo, se considerar que outro peito provocaria tanto escândalo mais de década depois [Janet Jackson no intervalo do SuperBowl] isso nem seria de se espantar tanto; mesmo assim ainda acho que o único fator que desabona Alice Cooper não é o alcoolismo [superado], o assassinato de galinhas [superado - e falso, além de tudo], o sexismo ou a fase glam-rock – e sim o apoio a George W. Bush. Mas como ninguém é perfeito…

O clipe embutido no poste é a versão censurada, com a modelo vestindo um corpete e sem as cenas de simulação sado-masoquista. Tou tentando subir os 90MB da versão sem censura na Videoteca. Versão disponível.