Gake no Ue no Ponyo

Um dos pôsteres

Um dos pôsteres

崖の上のポニョ ou Gake no Ue no Ponyo ou Ponyo on the Cliff by the Sea [Ponyo no penhasco à beira do mar] – até o título desta nova animação de Hayao Miyazaki é poético! Não chegou a desbancar Chihiro e Castelo animado na minha lista, mas o pior Miyazaki [que não é o caso aqui] ainda é melhor do que muitas animações recentes – o que acontece é que se trata de uma história dedicada às crianças, com uma trama mais simples e personagens igualmente menos complexos do que os Miyazaki anteriores.

O diretor voltou a animar totalmente a mão, depois de testar CG no Castelo [o movimento do castelo em si, que nem ele nem o produtor ficaram satisfeitos no final]. Ele confiou totalmente no uso das cores [azuis e verdes, especialmente] e no movimento para dar a idéia de “filmado sob a água”, já que 80% das cenas são submarinas. Ele não recorreu ao uso de bolhas para isso, pode perceber. Miyazaki é considerado um mestre do ar, suas cenas de aviões e vôos são sua assinatura, mas em Ponyo ele se superou. Joe Hisaishi é o responsável pela trilha sonora novamente e eu não consigo parar de cantar:

Ponyo Ponyo Ponyo sakana no ko
Aoi umi kara yatte kita
Ponyo Ponyo Ponyo fukurannda
Manmaru onaka no onna no ko

V. clipe no Youtube.

Esse é o tipo de filme que traz o melhor de cada pessoa à tona, eu acho, o tipo que faz a pessoa se sentir bem e com vontade de ser um indivíduo melhor – sem apelar pra didatismo ou lição de moral. A crítica ecológica que Miyazaki faz em Ponyo é tema recorrente, lembra do deus do rio em Chihiro?

Atenção: a partir deste ponto podem existir spoilers.

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Ratatouille

Pôster de Ratatouille

Pôster de Ratatouille

Momento confessional: eu nunca me considerei parte do pessoal que detesta o cinemão hollywoodiano só porque é norte-americano, que idolatra filmes cabeuça europeus e asiáticos e desdenha animações da Disney ou da Pixar – porque me divirto com cinemão e animações, e filme cabeuça só em doses homeopáticas que é pra não me pôr em mais crises existenciais do que sou capaz de superar.

Também na contramão, eu achei Ratatouille [Ratatouille, EUA/2007]apenas legalzinho – mas um legalzinho plus, acima de Sem Reservas. Não consigo pôr o dedo no que foi que aconteceu, no entanto…

Não deve ter sido a tática da antropomorfização [eita palavrão], caus que isso me engana direitinho desde, xeu ver… o Mickey? Os ratinhos da Cinderela? Em todo caso, é logo no comecinho do filme que me pego questionando a intenção do roteiro, quando o rato Remy declara sua admiração pelo Homem e a forma como ele emula comportamentos e ações humanas.

Como disse o fabuloso Maurício, era só uma história sobre pessoas e ratos. E a parte difícil era diferenciar as pessoas dos ratos. (O Fabuloso Maurício e Seus Roedores Letrados, Terry Pratchett, Ed. Conrad, pág. 9)

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Tomai e comei

Digestivo Cultural: “”Livros devem ser oferecidos como uma caixa de bombons.
Adélia Prado, em entrevista sobre como despertar o interesse de novos leitores.”

Com esta introdução, a colunista Adriana Carvalho montou três “caixas de bombons”, para três fases da vida. A primeira para crianças, a segunda para jovens e a terceira para adultos. Eu confesso que li poucos dos que ela citou: A Fada Que Tinha Idéias é um dos meus TFF; de Agatha Christie li quase todos; um pouco de Conan Doyle [três, agora! ampliei 300% em relação ao começo do ano], um pouco de Garcia Marquez, Saramago, Clarice Lispector e Cortazar. E muita Turma da Mônica e Tio Patinhas, claro. Assim, minhas caixas talvez sejam bem diferentes das dela. Vam’ver…

A primeira caixa tem a coleção Paraíso da Criança, da Edelbra – que sobrinha adora. São contos de fadas e do folclore brasileiro ilustrados com fotos de bonecos e cenários construídos a mão, um capricho só. Tem também alguns livros de tecido e borracha, com elementos destacáveis, daqueles que os adultos deixem arrastar e puxar pra todo lado sem dar bronca pra não rasgar ou amassar ou rabiscar com giz de cera. Ler tem que ser lúdico, senão vira tortura.

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Pooh e O Efalante

Pôster do filme Pooh e O EfalanteEsse é o tipo de filme que a gente assiste e fica o tempo todo “awmmm, que bunitinho!” ou “awmmm, que fofinho!” – por sorte é bem curto, pouco mais de uma hora, assim quem está do lado consegue resistir bem à tentação de tacar uma almofada na sua cabeça pra parar com isso.

O título deveria ser, na verdade, “Guru e o Efalante”, caus que é ele quem está na maioria das cenas. Cada um dos personagens tem uma característica que sobressai: o Ursinho Pooh é o guloso, Leitão o medroso, Coelho o sabichão, e Guru é o inocente. Eles organizam uma expedição para capturar o *perigoso* efalante, que mora no Vale dos Efalantes ao lado da Floresta dos Cem Acres. É uma historinha fofinha sobre coragem, amizade e, especialmente, sobre a quebra de preconceitos.