[The Borgias] Nessuno [Ninguém]

Último episódio da primeira temporada de The Borgias foi igual última semana de novela: o povo correndo pra fechar todas as pontas. Única diferença foi que, em vez do casamento da mocinha, teve a anulação do casamento da Lucrezia Borgia – mas confesso que me deu uma baita satisfação ver a humilhação pública de Giovanni Sforza sendo obrigado a admitir impotência pra não ter de contar coisa pior do que ele fez na noite de núpcias. Palermão, vai mexer com a filha do hômi, vai.

Alias, devo confessar também que assisti ao episódio com um sorriso maníaco de orelha a orelha vendo a surra de tunda que os membros da família davam nos desafetos. É errado torcer pelos bandidos, eu sei, mas me deixa. Os outros são ainda piores!

Eu ri quando Alexandre 6º surpreendeu o Rei da França com o disfarce do frade humilde, pescador de almas, e habilmente reverteu a situação a seu favor – tudo isso graças a um estratagema armado por Lucrezia para separar o rei do Cardeal Della Rovere. A cena do Papa com Charles 8º na catedral, o diálogo no jantar e a incrível passada de perna no Colégio de Cardeais são geniais.

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[The Borgias] Death, On A Pale Horse/The Art of War

Anturdia estava vasculhando a tag “The Borgias” no Tumblr e descobri que a abertura usa imagens de The Tudors [quando aparece o nome da Holiday Grainger a imagem é da Natalie Dormer]. Das duas, uma: isso ou reforça a minha conjectura do post anterior [que as séries resgatam Lucrezia Borgia e Anne Boleyn] ou foi o que implantou essa ideia na minha mente de forma subliminar. :lol:

Qualquer que seja o caso, continuo gostando muito de Lulu. Ela deu um jeito de adiar o retorno do marido às suas funções matrimoniais com uma cara de pau fabulosa. Se ela fosse para Hogwarts é certeza que o Chapéu Seletor a botaria em Slytherin. Tão cara de pau que Giovanni agradece o cuidado e o carinho com que ela trata dele! A única coisa chata são os interlúdios românticos com Paolo: como comentei antes, são redundantes. A gente já sabe que os dois estão dando a volta no marido dela, vamos seguir em frente, por favor?

Em Roma, Papai Papa encarrega Giulia Fernese de  fazer uma visitinha a Pesaro e confirmar se o genro vai colocar seu exército para defender o papado.

Pequena nota pessoal: Eu achei muito estranho ver La Bella viajar sozinha.

Não apenas Giulia Farnese descobre que Giovanni Sforza não moverá um dedinho pelo sogro, como Lucrezia está grávida do Espírito Santo – já que não se deita com o marido há meses. As duas fogem de Pesaro só pra cair reféns do exército francês a caminho de Roma.

No interior isso se chama “sair da frigideira pra cair no fogo”.

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[The Borgias] The Borgias in Love/The French King

A percepção que eu tinha dos Borgia [e aposto que muita gente também] era que ali todos eram uns devassos libidinosos sem-vergonha safados, mas sabe que a série está me fazendo mudar de ideia? :lol:

Veja o Papa Alexandre 6º, por exemplo. Ele pagou ao ex-marido de Vanozza para que ele a deixasse em paz quando ela já não gostava mais dele, criou todas as condições possíveis para que ela e as crianças vivessem com conforto, tentou blindá-la das maledicências da sociedade e continua a respeitá-la e protegê-la após arrumar outra amante. Ele também respeita a opinião de Giulia Farnese, que pouco a pouco vem exercendo influência sobre Rodrigo Borgia.

Cesare, o filho mais velho, é bastante sensível em relação à situação materna. No casamento de Lulu foi ele quem desafiou a determinação do pai e levou Vanozza à festa. Lá, um dos convidados a insultou na frente de Cesare [socorro, Glorinha Kalil!], que ficou com sangue nos zóio e desafiou o tal barão pra um duelo. Pra juntar a fome com a vontade de comer, Cesare cobiça a esposa do barão.

Pequena nota pessoal: Achei esquisitíssima a citação a Abelardo e Heloísa duas vezes, uma para a situação hipotética em que Lulu entraria para o convento e outra na situação real em que Ursula Bonadeo entra pro convento – a não ser que tenha sido proposital, como a semelhança física de Ursula e Lucrezia.

O segundo filho, Juan, é uma besta quadrada. Rodrigo quer torná-lo um líder militar mas o cabra não tem a menor visão estratégica, nenhuma sutileza, e as habilidades diplomáticas inexistem naquela pessoa. Ele é bom em briga corpo a corpo e em fornicar, e só. Papai Papa é obrigado a chamar o filho na chincha depois que ele espanca o ex-marido da mãe, reacendendo a maledicência da sociedade contra Vanozza e contra si mesmo. A soberba de Juan é outro ponto fraco: ele não aceita se casar com as filhas ilegítimas ou primas de aliados, mas se esquece que ele mesmo é visto como bastardo.

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[The Borgias] The Moor/Lucrezia’s Wedding

O Cardeal Della Rovere busca refúgio em Nápoles após descobrir que o assassinato da testemunha que derrubaria o novo Papa seria atribuído à sua pessoa. O Rei Ferrante já está velho, surdo e ausente da cabeça, e Nápoles é governada pelos conselheiros e pelo Príncipe Alfonso, que também não bate muito bem das bolas. Mas pudera, com um pai que monta uma réplica da Última Ceia com os cadáveres embalsamados dos inimigos não tem Freud que dê jeito!

Alfonso concorda em asilar e apoiar Della Rovere em troca do reconhecimento papal da independência de Nápoles, que vive precariamente e sob ameaça constante da Espanha e da França. Essa questão politica das cidades-Estado italianas ganha uma explicação didática no episódio Lucrezia’s Wedding [e coloquei um linquezinho no fim do post para um artigo com mapa].

Alfonso muda de ideia e expulsa Della Rovere após Michelleto atentar contra o cardeal, que então ruma para o norte e conluia com Pietro de Medici e Nicollo Maquiavel para que Florença permita a passagem de tropas francesas em troca de dinheiro. Tais tropas invadiriam Roma e instalariam Della Rovere no papado; em troca, Della Rovere cederia Nápoles para o trono francês.

Quem dá mais, leva.

Porém, nem foi Maquiavel himself a pessoa mais importante que o cardeal conheceria em Florença, e sim um obscuro frei dominicano chamado Savonarola. Savô cativava os fieis com sermões em que denunciava a corrupção moral da Igreja Romana [e a série não conta, mas o cara curtia queimar livros e pregava contra a arte renascentista também]. Ele inspirou Della Rovere com suas visões de exércitos triunfantes e sangue Borgia derramado. O cardeal então considerou ser um bom augúrio desmascarar o espião que Michelleto botou em sua aba.

Enquanto isso, em Roma…

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[The Borgias] The Poisoned Chalice/The Assassin

Roma, 1492. O Papa Inocêncio 8º está em seu leito de morte, cercado pelos cardeais que ele acusa de corruptos e sedentos pelo trono. Com o seu falecimento, vinte e quatro cardeais com direito a voto são isolados no conclave ["com chave'], inclusive o Vice-Chanceler do Vaticano, o espanhol Rodrigo Borgia.

A série The Borgias é uma sequência da série The Tudors – não historicamente, claro, mas no canal que as produziu The Borgias talvez não existisse se The Tudors fracassasse na audiência. O projeto dessa nova abordagem de uma dinastia poderosa coube ao cineasta Neil Jordan e esse primeiro episódio duplo já demonstra que o cabra não está brincando em serviço só por causa da mudança de mídia.

A começar pelo óbvio, fotografia e caracterização de época impecáveis. Tive de assistir duas vezes porque fiquei encantada com ângulos, jogo de luz e sombra, figurino, cenário… Depois [ou ao mesmo tempo] o roteiro apresenta a situação política, o caráter dos personagens, estabelece os relacionamentos, enquanto as tramas e complôs se desenvolvem.

Pequena nota pessoal: é curioso como ambas as séries [Tudors e Borgias] têm como pano de fundo a decadência da Igreja Católica. Não estou falando da fé, e sim da instituição.

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The Young Victoria / A Jovem Rainha Vitória

A Rainha Vitória foi a monarca que reinou mais tempo na Inglaterra, e a monarca mulher que reinou mais tempo no mundo inteiro. Durante seu reinado o Império Britânico expandiu-se a ponto de se dizer que o Sol nunca se punha em seu território. Foi uma época de grande evolução dos direitos sociais e dos trabalhadores, de florescimento das artes e de um código de conduta moral que perdurou por gerações após a sua morte.

Tudo isso a gente sabe [ou deveria saber], se teve um professor médio de História e/ou tem o hábito de ler romances de época. Nesse último caso geralmente se sabe também que o casamento de Vitória com o Príncipe Consorte Albert foi marcado pelo profundo afeto, que ela ficou tão abalada pela morte dele que usou luto pelo resto da vida. A imagem mais evocada é dela com trajes negros, a miniatura de coroa e o véu branco da viuvez.

Emily Blunt

O filme A Jovem Rainha Vitória aborda uma fase mais remota da vida da então Princesa Herdeira. Antes de comentar o filme em si, vejamos um pouco do histórico. Você se lembra do filme As Loucuras do Rei George [The Madness of King George, Inglaterra/1994]? George 3º, o louco, era pai do pai de Vitória – seu avô, portanto. O Príncipe Regente, também chamado George [apelido Prinny], era o irmão mais velho do pai de Vitória e reinou durante a fase final da doença do pai dele. Os livros de Jane Austen foram escritos entre os reinados dos George 3º e 4º com a Regência no meio.

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Discworld | Small Gods

Capa

O escritor britânico Terry Pratchett criou um mundo paralelo em que parodia a vida na Terra, o Discworld. Esse mundo é plano e vaga pelo espaço equilibrando-se sobre quatro elefantes, que por sua vez estão sobre as costas da tartaruga gigante interestelar Grande A’Tuin. Ninguém sabe para onde ela vai, mas sabem que o Sol gira ao redor do Disco arrastando a luz atrás de si.

Small Gods é o décimo-terceiro livro da série regular [trinta e nove até setembro passado], o que significa que li pouco mais de um terço da série até agora – considerando-se que li uns três posteriores fora da ordem e sem considerar os títulos YA [O Fabuloso Maurício] ou companion [The Folklore of Discworld].

Esse livro faz parte da subsérie dos Monges da História que também aparecem em Pirâmides, The Thief of Time, etc. Os Monges da História da Ordem de Wen O Eternamente Surpreso têm uma missão importante: são os guardiões da História, cuidadosamente compilada em vinte mil livros de 3 metros de altura com a letra tão miudinha que você tem de ler com uma lupa.

A questão filosófica “se uma árvore cai no meio da floresta mas não há ninguém para ouvir, ela ainda faz barulho?” não faz sentido para esses Monges, pois as coisas que acontecem são coisas que acontecem. Porém, se há alguém que observe as coisas que acontecem então temos a História, que, de outro modo, seriam apenas coisas que acontecem. Então, esses Monges não apenas guardam a História, eles a observam também.

E a História que um deles [Lu Tze] é enviado para observar está acontecendo em Omnia, a terra monoteísta regida pela Igreja do Grande Deus Om. Mas vamos falar um pouco sobre os deuses do Disco, sim? Como alguém pode notar, a realidade no Disco não obedece às leis naturais, ela se sustenta mais na crença. É a fé das pessoas que dá o suporte para as coisas que existem e acontecem no Disco, portanto há mais terreno para a percepção de deuses por lá.

Existe o panteão dos deuses maiores que residem em Dunmanifestin como o Cego Io, Offler o Deus Crocodilo, Destino, P’Tang P’Tang, A Senhora e outros; os deuses das montanhas Ramtops como Herne o deus dos caçados; existem representações antropomórficas como Morte, Tempo, Caos, que não são deuses mas que também são moldados pela crença. E existem os deuses esquecidos.

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Desafio Literário | A Volta Ao Mundo Em 80 Dias

Sinopse
Seja bem-vindo á mais fascinante viagem de todos os tempos! Phileas Fogg, um aristocrata inglês, leva uma vida de luxo e ao mesmo tempo solitária.
Até o dia em que resolve fazer uma aposta com os amigos do clube ao qual pertence: dar a volta ao mundo em 80 dias na companhia de seu fiel criado. Nessa jornada ele passa por aventuras sensacionais e tem que correr contra o tempo para completar a tarefa e chegar de volta a Londres no horário estipulado. Um dos livros mais lidos de todos os tempos, filmado várias vezes e citado em diversas obras e desenhos, a ponto de se tornar sinônimo de Júlio Verne e suas histórias visionárias. A experiência de ler esta obra o levará a lugares nunca imaginados. Trata-se de um livro inesquecível e de fácil leitura, que o deixará com a sensação de querer mais.

Capa do livro

Capa do livro

Antes de falar da história em si, xeu comentar um aspecto desta edição que tenho em mãos desde 2003, parte da coleção Obras-Primas da Nova Cultural: durante a leitura, me bateu um incômodo. Eram palavras e construções que me soavam – se não lusitano, pelo menos muito, muito vetusto. Tive até de desenterrar este adjetivo para dar uma ideia mais acurada do que eu senti. :lol:

Diversas vezes eu parei a leitura, voltava e relia, e exclamava: “mas hein?” Sei que é um clássico e, mais, um clássico indicado para jovens. Assim, eu sugiro aos interessados que procurem outra edição. No Skoob achei 30 – alguns são edição condensada, mesmo assim tem muita alternativa. Não sei dizer qual, mas deve ter alguma menos obsoleta – embora, é claro, o vernáculo clássico seja precolendo.

Tá bom, tá bom, parei coas gracinhas.

Outra curiosidade desta leitura é que a história se passa quase na mesma época e nos mesmos lugares que os dois primeiros livros lidos para o Desafio Literário: o período vitoriano, Cingapura, Hong Kong, San Francisco… Parecia até aula de reforço pra fixar bem o conteúdo da matéria, sabe?

O livro do francês Jules Verne foi lançado em 1873, com a trama se passando entre 2 de outubro e 21 de dezembro de 1872 – os tais 80 dias [ou os quatro-vintes do original francês - além de geografia, geopolítica e história, ainda aprendemos matemática, ora pois!].

Phileas Fogg é um cavalheiro inglês fleumático e imperturbável, membro do Reform Club em Londres, onde passa os dias na mesma rotina: almoço, jornais, chá, mais jornais, jantar, uíste [um predecessor do bridge]. No dia 2 de outubro a conversa na mesa de jogo gira sobre o roubo de 55 mil libras de um banco. Fogg defende que o ladrão já deve estar longe, pois o mundo diminuiu de tamanho: com as novas rotas de trem e de navio as viagens ficaram mais rápidas e era possível circundar o mundo em 80 dias.

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Desafio Literário | Lady Dorinda / Rosa do Oriente

Sinopse
Dorinda renunciara à felicidade e ao amor, mas isso fora antes de conhecer Maximus Kirby!
Em sua fria e escura mansão, Dorinda era uma sombra, sempre se esgueirando pelas escadarias, sempre correndo para se esconder quando um convidado chegava. Não suportava ver a repulsa dos que olhavam para seu rosto, deformado por uma doença que nenhum médico conseguia curar. Era Lettice, sua linda irmã, que estava destinada a ter um futuro brilhante como esposa do riquíssimo Maximus Kirby, o homem mais poderoso de Cingapura. Mas, por ironia, a irmã se recusava a cruzar o oceano ao encontro do noivo que a esperava. Só concordou com uma condição: que Dorinda a acompanhasse. Assim, as duas partiram a bordo do Osaka, rumo ao oriente desconhecido. E, em pleno Mar Vermelho, um milagre aconteceu!

Coleção Rebeca

Coleção Rebeca

Dame Barbara Cartland reclinava-se no sófá do seu estúdio todos os dias às 13h30 e ditava seus romances para uma secretária e um gravador durante duas horas. Eram oito mil palavras por sessão: um romance a cada duas semanas. Era tão prolífica que, quando faleceu aos 98 anos em maio de 2000, deixou 160 livros inéditos.” [Times Online, tradução livre]

Cartland é conhecida ainda hoje como a Rainha do Romance, com 723 livros publicados em vida e mais os 160 que estão a sair pela Pink Collection, editados pelo seu filho, ao ritmo de um por mês. Aliás, pink é a cor associada à escritora e jornalista porque era o tom de rosa que ela usava nas roupas e acessórios, destacados fortemente contra o cabelo platinado e a maquiagem pesada.

Sua família não fazia parte da nobreza que ela gostava de retratar nos romances, mas vivia com conforto de classe média alta até que seu avô paterno, banqueiro, foi à falência e se suicidou. Seu pai era miltar e foi morto na 1ª Guerra Mundial; seus dois irmãos foram mortos na 2ª Guerra. Para prover o sustento da casa, sua mãe abriu uma loja de costura.

Barbara supostamente rompeu o primeiro noivado quando descobriu os segredos do intercurso carnal [awww] – nada surpreendente, aqui. Ela nasceu no ano em que a Rainha Victoria morreu, então sua mãe devia guiar-se pelos princípios vitorianos na criação da menina: não falar a respeito. É claro que eventualmente a jovem Barbara superou tais pruridos, vsto que ela casou-se duas vezes e teve três filhos. Não apenas casou-se duas vezes, mas seu primeiro marido acusou-a de ter um affair com o que viria ser o segundo e que era primo dele. Oh, fofoca suculenta! E de fofoca ela entendia, pois seu primeiro emprego foi como colunista da seção de fofocas do jornal Daily Express.

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We didn’t start the fire – Billy Joel

Capa do single
Capa do single

* A redação deste post só foi possível graças a Ivan Freitas. Senquiu!

Visite o site oficial de Ivan Freitas.

Eu costumo prestar atenção nos sinais. Não, não os de trânsito – digo, eu presto atenção nos sinais de trânsito, oras, não me confunda! – quero dizer as coincidências. Tava matutando em procurar clipes do Billy Joel pras Domingueiras porque ouvi Uptown Girl semanas atrás e hoje o Ivan tuitou três versões diferentes de We Didn’t Start the Fire, que eu lóvo.

Sinais.

Mas não vou esperar domingo.

Billy Joel nasceu em 1949, ele faz parte da Geração Baby Boom nascida após o fim da Segunda Guerra Mundial. Os EUA viviam a concretização do american dream nos anos 50-60, mas quando a crise dos costumes surgiu [trazendo junto outras crises relacionadas] os boomers viraram alvo de críticas da geração anterior e da posterior também. O refrão da música é a resposta do roqueiro a essas críticas:

We didn’t start the fire
It was always burning
Since the world’s been turning
We didn’t start the fire
No we didn’t light it
But we tried to fight it

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