[LieToMe] The Best Policy | Depraved Heart

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E tem aquela do papagaio...

Eu já disse antes que tenho um coração frio e duro, certo? Então não vai te chocar se eu disser que torci para que matassem o personagem Marcus, do sétimo episódio de Lie to Me. Ele é aquele turista típico que acha que o mundo tem que se conformar a ele em vez de respeitar os costumes do lugar para onde vai. No episódio, Marcus vai ao Iêmen visitar a irmã.

O Iêmen é um país árabe de maioria muçulmana cujo governo mantém relações com o Iraque. O consumo e o tráfico de drogas são crimes graves no islamismo.  Já pelo lado político, o sofre com o sequestro de turistas para negociação com o governo. Portanto, quando o espectador é apresentado ao personagem-clichê do idiota que viaja a um país muçulmano portando drogas na bagagem e se faz de bobo quando a irmã manda ele jogar fora e calar a boca, apavorada ao ver uma patrulha se aproximar, a gente já adivinha o que vem por aí.

Por mim, ainda torço muito para que o tal dork apanhe bastante e morra também. Falando nisso, que fim levou aquele surfista brasleiro que foi condenado à morte por tráfico num país asiático? Tinha esquecido totalmente dele, só lembrei agora por causa do episódio.

A partir deste ponto há spoilers.

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[LieToMe] Unchained | Do No Harm

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Eu acho que eu vi um gatinho!

Mentira e dubiedade são componentes comuns aos discursos racistas, que transformam o ódio em normas que todos devem observar. É nesta camuflagem que vejo instalada a “hipocrisia”, atitude característica dos racistas em geral; sendo que a hipocrisia sempre se apresentou como uma ótima aliada da mentira.[Carlos Haag, Revista FAPESP, abr/08]

Dois episódios, um post.

Nos dois casos do quinto episódio de Lie To Me o tema é o mesmo: o preconceito ou a discriminação.

Lightman e Torres estudam um antigo chefe de gangue encarcerado para determinar se ele demonstra arrependimento e desejo de redenção reais. O governador planeja libertá-lo em condicional para incentivar um programa de reabilitação de presos que diminua a volência nas ruas, mas Torres emula House e diz que ninguém muda.

A partir deste ponto há spoilers.

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[LieToMe] Love Always

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E você tem certeza que tem bem-casados suficientes?

Eu não estou como Immanuel Kant, propugnando pela eliminação do direito de mentir. Existem diversas situações em que faltar com a verdade é necessário. Elas vão das pequenas interações sociais –você está linda hoje!– a questões mais cruciais. Um exemplo célebre levantado contra Kant é o do alemão que esconde um amigo judeu em seu sótão e recebe a visita da Gestapo. Pela lógica do filósofo prussiano, tal alemão estaria obrigado a dizer a verdade aos policiais nazistas, o que quase certamente implicaria a morte do amigo e a sua própria, por esconder um adversário do regime. [Hélio Schwartsman, 07/06/07]

Esse negócio de assistir diversas séries ao mesmo tempo, um episódio atrás do outro pra tirar o atraso, isso confunde minha cabeça que já não é muito organizada em condições normais. Se o mesmo ator aparece em duas dessas séries no mesmo dia, então, eu fico doidinha.

Foi o que aconteceu no quarto episódio de Lie to Me: eu tinha acabado de assistir à season premiere de CSI e o mesmo ator Brian Tee teve um papel importante em ambos. Por sorte não vi Bones e Dark Blue, senão minhas sinapses teriam entrado em curto: ele apareceu em todas essas séries!

É o carinha ao fundo na imagem acima.

De volta ao que interessa, desta vez a equipe inteira da The Lightman Group se deslocou até a embaixada da Coreia do Sul para ajudar o FBI a identificar um terrorista que ameaçou atacar durante a festa de casamento do filho do embaixador, pré-candidato a presidente.

A partir deste ponto há spoilers.

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[LieToMe] A Perfect Score

Eu vivo num conto de fadas

Eu vivo num conto de fadas

Acompanhar a série Lie to Me tem sido bem educativo pra mim. Em parte pelo mesmo motivo que a Luma comentou no post do episódio piloto [aprender a mentir melhor], em parte porque passo a prestar mais atenção na atuação dos atores em outras obras.

A série baseou o personagem do Dr. Cal Lightman no Dr. Paul Ekman, que também é o consultor da série. Ekman iniciou seus estudos em microexpressões e linguagem corporal entre os anos 50-60 – muito tempo depois que Estranha Passageira [Now, Voyager, EUa/1942] foi filmado. O que tem a ver uma coisa ca outra?

É que no filme ca Bette Davis a atriz Gladys Cooper executa um ato que foi estudado nesse terceiro episódio: a automassagem nas mãos. Esse gesto indica que a pessoa tenta se convencer de que ela acredita naquilo que está dizendo.

Outro ganho de conhecimento é perceber melhor a capacidade do artista expressar emoções e sentimentos sem palavras ou gestuais óbvios, utilizando apenas um franzir de sobrancelhas, um sorriso assimétrico, etc. Bette Davis arrasava nesse quesito sem nem ao menos precisar desnudar um ombro.

A partir deste ponto há spoilers.

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[LieToMe] Moral Waiver

Você já teve a impressão de estar sendo observado?

Você já teve a impressão de estar sendo observado?

[...] consequencialismo, cujos grandes defensores incluem Jeremy Bentham e John Stuart Mill. Basicamente, eles dizem que não existem princípios externos abstratos como a ideia de Justiça que possam validar ou invalidar nossos atos. A única forma de julgá-los é através das consequências que acarretam. Vale dizer que são boas as ações que engendram bons resultados. No caso específico de Bentham (conhecido como pai do utilitarismo), o que importa é o princípio de utilidade, que pode ser traduzido na fórmula: “o maior bem para o maior número de pessoas”. [Hélio Schwartsman, 20/08/09]

O título do segundo episódio de Lie To Me meio que entrega de bandeja o destino da trama, mas tudo bem, tem algumas coisas interessantes pelo caminho.

Para começar, ele demonstra que a série não vai se apoiar na tecnologia para resolver os casos e sim na análise humana com o apoio da tecnologia, que pode ser mais influenciável e portanto passível de falha porém é o que apreende melhor a complexidade das ações e reações. E com humor.

A cena inicial mostra o Dr. Lightman e o representante de uma agência a testarem a eficácia de um novo modelo de polígrafo portátil. O polígrafo analisa a resposta corporal às perguntas [aumento da transpiração, pressão arterial, batimentos cardíacos, etc.]. Alguns especialistas dizem que o detetor de mentiras tem de 90 a 95% de acuidade, mas os psicológos reduzem essa margem de acerto para 60%.

O problema desse tipo de mecanismo é que ele deteta as variações corporais mas não o contexto em que essas variações acontecem. Quem tem hipertensão sabe que a pressão pode subir na hora de medir só pela presença do médico ou enfermeiro, por causa da ansiedade. Tem até um nome técnico pra isso: Síndrome do Jaleco Branco.

Por isso nem todos os sistemas judiciais aceitam o resultado do teste do polígrafo como prova comprobatória [eita nóis!]. No Brasil não se aceita, se não me engano, e mesmo nos EUA tem Estado que também não.

Isso não foi dito na série, eu que pesquisei. Por cima. E eu tenho a SJB.

A partir deste ponto há spoilers.

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[LieToMe] Pilot

Olhe para a lente da verdade...

Olhe para a lente da verdade...

Numa simplificação grosseira da história da filosofia, existem duas matrizes de sistemas éticos. A primeira, que podemos chamar de deontológica, têm como expoentes Platão e Immanuel Kant. Para esses autores, são os princípios que importam. Uma regra como “não matarás” ou “não mentirás” valem incondicionalmente, seja porque estão amparadas pela ideia de Justiça, por Deus, pelo imperativo categórico ou por alguma outra entidade metafísica. [Hélio Schwartsman, 20/08/09]

Por uma dessas coincidências do destino [ou "alguma outra entidade metafísica", como diz o amiguinho aí em cima] duas pessoas me indicaram a série Lie To Me, no mesmo dia. Fui atrás de mais informações e me interessei assim que vi um nome associado à série: Tim Roth. Sou fã desse ator inglês, dos papéis de vilão que adoro detestar como o carinha lá do Hulk ou o do Planeta dos Macacos.

O cara é muito bom, mas só aparece em papéis coadjuvantes e em filmes quase sempre obscuros [com algumas exceções, cRaro]. Ele chegou a ser convidado para interpretar o Lord Voldemort da série Harry Potter, imagine. Preferiu o remake do Planet Of the Apes do Tim Burton, o que me leva a pensar que não é um artista que preocupa com fama.

Interesse despertado, fui assistir ao episódio piloto.

Bum!, me conquistou.

A partir deste ponto há spoilers.

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Post secreto

Eu totalmente esqueci que setembro é aniversário do PdUBT, só lembrei agora que recebi o primeiro presente para a blogueira que mantém essa bagaça há oito anos. :o)

E como um segundo presente, desta vez de mim pra mim mesma :lol: , vou [tentar] resenhar Lie To Me com a mesma constância de True Blood. É quase a mesma quantidade de episódios também.