A estudante que mantém uma biblioteca de livros banidos no armário da escola

Pela liberdade de ler

Pela liberdade de ler

Dica da @laconics: um artigo da BoingBoing referia-se a uma estudante norte-americana que empresta livros banidos pela escola católica aos colegas. Ela mantém 62 livros em seu armário na escola – são tantos que passou a usar o armário adjacente, que estava desocupado.

Crianças que nunca se interessaram pela leitura por lazer passaram a pegar esses livros para ler depois que foram proibidos. Muitas não têm coragem de pegar na biblioteca pública ou os pais não permitem que comprem os livros proibidos.

Faz sentido, né? Eles optaram por pagar uma escola católica, donde se infere que pelo menos boa parte deles deve acreditar e praticar as mesmas ideias propostas pela direção da escola.

I go to a private school that is rather strict. Recently, the principal and school teacher council released a (very long) list of books we’re not allowed to read. I was absolutely appalled, because a large number of the books were classics and others that are my favorites. One of my personal favorites, The Catcher in the Rye, was on the list, so I decided to bring it to school to see if I would really get in trouble. Well… I did but not too much. [Is it OK to run an illegal library from my locker at school? Yahoo!Answers]

Um colega da aula de Inglês pediu o livro emprestado porque ouviu dizer que era bom *e* porque estava na lista de banidos. A história se espalhou pela escola e os estudantes passaram a pegar os livros da garota. Conforme ela especifica na questão, apenas metade dos 62 títulos no armário faz parte da lista de banidos, isto é, não é o fato de ser banido que serve como critério para ser escolhido: ela menciona um topseller que está na lista mas que não frequentará a sua biblioteca underground.

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Se é politicamente correto, provavelmente não é boa literatura

É mau, mas é bom

É mau, mas é bom

“Poemas épicos podem ser racistas e romances europeus, sexistas e sádicos”. É assim animador que o escritor Andy Martin inicia seu artigo para o The Times. Ele chega mesmo a comparar algumas das obras mais [con]sagradas aos filmes do tipo Rambo. O Ramayana, um épico escrito em sânscrito que narra o resgate de uma bela mulher seqüestrada no meio da guerra entre o povo claro do norte da índia contra os escuros do sul, ganha um viés racista quando analisado; na Bíblia e no Corão a morte do infiel é autorizada e a guerra acontece entre os que acreditam e os que não acreditam; o autor não perdoa nem os gregos, que discriminavam os não-gregos. O genocídio está na formação da civilização ocidental desde o princípio dos tempos, não foi uma invenção nazista.

A Eneida de Virgílio mostra como os troianos que escaparam do holocausto grego velejaram, estupraram, invadiram outro país onde fundaram um império maior e pior do que os gregos. O autor ainda se declara abismado com a cena principal de Sonhos de Uma Noite de Verão, de Shakespeare, quando a rainha é raptada, drogada e estuprada enquanto as fadas dançam e cantam ao redor. Quanto aos franceses do século 19, Balzac admitia que aspirava a ser um novo Napoleão; Stendhal vestiu um personagem com roupas da Igreja enquanto seduzia mulheres casadas e Flaubert transformou sua Madame Bovary numa adúltera serial antes de envenená-la.

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O Senhor das Moscas

Uma ex-blogueira havia passado a dica do livro quando lançaram o filme – e, não sei porquê, ficou arquivada no fundo do meu depósito mental até recentemente. Resolvi fazer uma faxina naquele canto e aproveitar a promoção de frete grátis para conhecer O Senhor das Moscas.

Comecei a ler e grudei; foi outro que me fez varar a noite até terminar o livro. A história de um grupo de meninos que sobrevive a um desastre de avião numa ilha deserta e daí desenvolve uma espécie particular de sistema de governo é interpretada por alguns como uma alegoria bíblica e por outros, moral ou filosófica. Eu li um romance de aventura que cutucou as minhas idéias de certo/errado e torci pelo Porquinho, ao contrário de Santiago Nazarian, que escreveu a apresentação do volume.

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