Lost in Austen

Lost in Austen

 É uma verdade universalmente conhecida que todos nós desejamos escapar.

A primeira frase da personagem Amanda Price parafraseia a famosa abertura do romance Orgulho e Preconceito de Jane Austen. Amanda recorre ao livro para escapar da realidade do emprego tedioso, do apartamento que divide com a amiga Pirhana, do namorado desinteressante, da vida mais-ou-menos que leva. Ela recusa o pedido de casamento de Michael porque aspira por um romance igual ao de Lizzie Bennet e Mr. Darcy.

Amanda chega a preparar noites especiais para reler o livro quando Pirhana e Michael têm outros compromissos [e eu não consegui evitar, lembrei de Renee Zellweger cantando All By Myself na cena inicial de O Diário de Bridget Jones]. Numa dessas noites ela encontra Elisabeth Bennet no banheiro, que tem uma porta interdimensional atrás da banheira. Amanda acaba indo para a Longbourn de 200 anos atrás e Lizzie permanece na Londres moderna.

Essa é a premissa da minissérie em quatro episódios exibida pela ITV em 2008 e que de certa forma realiza o sonho de leitoras fãs de Jane Austen, que imaginam como seria se pudessem entrar nos livros e viver aquelas aventuras.

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Os 10 herois românticos da literatura

Orson Welles e Joan Fontaine, Jane Eyre (1944)

Orson Welles e Joan Fontaine, Jane Eyre (1944)

A editora inglesa Mills and Boon é especializada em publicar romances em papel jornal no estilo Harlequin [Julia, Sabrina, Bianca, etc.] – de fato, a casa inglesa fundada em 1908 foi comprada pela norte-americana em 1971. Juntas, a Harlequin Mills and Boon dominam 75% do mercado britânico no gênero.

Eles fizeram uma enquete entre seus leitores perguntando qual o personagem literário mais romântico. O resultado foi divulgado no início deste mês durante o festival literário de Cheltenham: para surpresa de muitos, o primeiro lugar ficou com o cruel, amargo e impossível de ser amado Mr. Edward Rochester, do romance gótico Jane Eyre escrito por Charlotte Brontë em 1847.

O Telegraph ilustrou o artigo em que a novelista Penny Vincenzi comenta sobre a paixonite que tem pelo rude Rochester com uma imagem da série exibida pela BBC em 2006, com Toby Stephens no papel. Eu já comentei antes que Toby Stephens é bonito demais para interpretar…

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Cabeça oca

Nas listas de filmes eu sempre marco “não vi” em The postman always rings twice. Ontem programei no TCM, lá na série The Essentials, e descobri que já tinha assistido, sim, só que não ligava o nome à pessoa.

Nhé.

Mas não foi desperdiçado, caus que foi uma sessão bem instrutiva: aprendi que os astros e filmes da MGM e da Warner Brothers era diferentes, antigamente. Os da MGM, como Lana Turner, eram sex symbols. Os da Warner, como John Garfield,  mais rústicos, “de rua”.Também aprendi que o ator morreu jovem, muito provavelmente em decorrência da perseguição que ele sofreu na caça aos comunistas que acontecia no meio cinematográfico na época.

No dia 30 vou assistir Pride and Prejudice [1940] de novo, pra aprender mais alguma coisa. Vou pular a sessão do dia 23 porque bate com o Miss Universo.

Prioridades.
:lol:

Gente, acho que eu tenho kafunsho. Todo ano fico mal depois que os dois ipês ao lado de casa florescem. A cabeça parece recheada de algodão, destacada do corpo de chumbo.

Prestenção. Kafunsho. Não caruncho. Da lista de sintomas eu tenho:

Sintomas nasais comuns:
• Estou espirrando → kushami ga deru /くしゃみが出る; [sim]
• Tenho secreção nasal → hana-mizu ga deru / 鼻水が出る; [sim]
• Sinto coceira no nariz → hana ga kayui / 鼻がかゆい; [sim]
• Tenho obstrução nasal → hana ga tsumaru / 鼻が詰まる. [não]

Sintomas comuns nos olhos:
• Olhos avermelhados → me ga juketsu suru /目が充血する; [não]
• Lacrimejamento dos olhos → namida-me / 涙目; [sim]
• Sinto coceira nos olhos → me ga kayui /目がかゆい). [sim]

Outros sintomas possíveis:
• Sinto a garganta seca → nodo ga kawaku / 喉が渇く; [sim]
• Sinto coceira na garganta → nodo ga kayui / 喉がかゆい; [não]
• Sinto coceira no ouvido → mimi ga kayui / 耳がかゆい; [sim]
• Sinto dor de cabeça → zutsu ga suru / 頭痛がする; [sim]
• Não consigo dormir bem → jukusui dekinai / 熟睡できない; [sim]
• Tenho falta de concentração → shuchu-ryoku ga nakunaru / 集中力がなくなる. [sim]

Terei de apelar pras máscaras cirúrgicas em tempos de paranoia contra a gripe suína?

Os vampiros e os clássicos

Píramo e Tisbe, Gregorio Pagani (Galeria Uffizi, Itália)

Píramo e Tisbe, Gregorio Pagani (Galeria Uffizi, Itália)

O blog BrontëBlog [um dos favoritos de Titia Batata] chamou a atenção para vários artigos jornalísticos que mencionam as inspirações da escritora Stephenie Meyer para escrever os livros da série Crepúsculo.

Não, não se trata das diversas acusações de plágio porque, você sabe, ela declara não ter lido nenhum livro de vampiro antes, nunca. Ever.

Mas muitos perceberam semelhança no padrão narrativo de seus livros com algumas obras clássicas, a saber:

. Crepúsculo com Orgulho e Preconceito, de Jane Austen;

. Lua Nova com Romeu e Julieta, de William Shakespeare [que já era uma releitura do mito grego Píramo e Tisbe];

. Eclipse com O Morro dos Ventos Uivantes, de Emily Brontë;

. Amanhecer com O Mercador de Veneza e com Sonhos de Uma Noite de Verão, de Tio Shakes também.

Um artigo do britânico The Telegraph ainda se lembra de Razão e Sensibilidade [outro Austen] e de Jane Eyre [Charlotte Brontë], mas daí honestamente eu achei forçação de barra demais. Se bem que seria legal se jovens leitores de Meyer lessem os clássicos, então tudo bem, façam todas as associações que conseguirem. As novas edições de Wuthering Heights da HarperCollins e HarperTeens tentam atraí-los pela capa.

Voltando à questão, o que eu quero saber é se alguém que tenha lido os livros pode comentar a respeito dessas semelhanças, plis?

Outro assunto relacionado, desta vez com mais ênfase no AustenBlog [outro favorito], são os romances clássicos como base para versões modernas vampirizadas – no sentido literal, não figurado. Livros como “Pride and Prejudice and Zombies” de Seth Grahame-Smith e “Mr. Darcy, Vampire” de Amanda Grange.

Quase posso ver você se contorcendo na cadeira.

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[Filme] Orgulho e Preconceito – 1940

Pôster do filme

Pôster do filme

A primeira coisa que se comenta quando se fala desta adaptação hollywoodiana do livro da escritora inglesa Jane Austen é do figurino equivocado. Devo admitir que até eu, que sou desligada quanto a períodos – nunca soube identificar georgianos, eduardianos, vitorianos, etc.; se você me disser “um coador de chá de prata Rainha Anne” pode ter certeza de que não tenho a menor idéia do que se trata -, então, até eu percebi algo errado nos vestidos enormes e de mangas tão bufantes que dariam pra montar uma tenda de casamento para muitos convidados.

Segundo o iMDB, são roupas reaproveitadas de …E O Vento Levou, filme lançado no ano anterior. Isso significa que são trajes típicos da sociedade norte-americana durante e pós-Guerra de Secessão [1861-1865], enquanto Pride and Prejudice foi escrito no final do século 18 [1797] durante o reinado de George 3º, o que tinha porfiria. Orgulho e Preconceito foi um filme de orçamento baixo.

No entanto, a conexão com Gone With The Wind mais conhecida [e mais saborosa] está nos bastidores: o protagonista de Orgulho Laurence Olivier era amante da atriz principal de Vento Vivien Leigh. Ele se mudara de Londres para Holywood a fim de filmar outra adaptação literária [foi Heathcliff em O Morro dos Ventos Uivantes de 1939, do mesmo estúdio responsável por este Orgulho] e tentou de todas as formas substituir Merle Oberon por Leigh mas a estrela principal era norte-americana e o filme era feito para ela, e Olivier não teve poder de veto no caso. A inglesa Vivien Leigh acabou ganhando o papel da mimada sulista Scarlett O’Hara, nesse meio tempo. Pequenas ironias da vida!

Mrs. Bennet: A single man in possession of a good fortune must be in want of a wife.

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Jane Austen para todos os gostos

Além da versão de 1940 de Orgulho e Preconceito no TCM [quinta, 23h45], o canal AXN exibirá Razão e Sensibilidade durante o mês de abril em diversos horários [v. a lista no site deles].

Eu confesso que fiquei meio surpresa caus que sempre associei o canal às séries e filmes policiais ou de ação, mas não tou reclamando, não! Qualquer oportunidade para rever Alan Rickman, Hugh Laurie e Hugh Grant tá valendo.

Em notícia do blog Jane Austen em Português, a Raquel informa que a BBC começou as gravações da minissérie Emma [cê sabe, As Patricinhas de Beverly Hills]. O papel de Mr. Knightley [que foi de Paul Rudd na adaptação moderna] deve ser de Jonny Lee Miller, ex-Eli Stone.

Já tou na fila!

Atualização
Razão e Sensibilidade também será exibido no canal VH1 no sábado, 18/04, às 22h.

Orgulho e Preconceito no TCM e na L&PM

Em Pride and Prejudice (1940)

Em Pride and Prejudice (1940)

Duas boas notícias para fãs de  Pride and Prejudice, o clássico de Jane Austen.

A editora L&PM lançará nova tradução em português no segundo semestre de 2009 pela coleção Pocket, graças à iniciativa do blog Jane Austen em Português. O meu exemplar [e acho que o da maioria, também] foi traduzido por Lúcio Cardoso e, segundo comentários no blog, há 70 anos.

Muito provavelmente comprarei essa nova edição, não porque tenha algo contra a tradução anterior e sim porque a diagramação da que eu tenho me deixa aflita: não tem margem superior. Fico com a impressão de que “comeram” a primeira linha de cada página.

No dia 9 de abril às 23h45 o TCM exibirá a versão de 1940 de Orgulho e Preconceito, com Sir Laurence Olivier no papel de Mr. Darcy. Vai ser interessante caus que tou acostumada com o rapaz no papel de caras atormentados como Heathcliff ou Hamlet. Cai  numa quinta-feira mas o dia seguinte é feriado – mesmo se não fosse, vale totalmente o sacrifício!

O escritor Aldous Huxley [Admirável Mundo Novo] foi um dos roteiristas responsáveis pela adaptação. Ele também adaptou a versão de 1944 de Jane Eyre, então tou com altas expectativas.

Dica do blog Line-Up .

Trívia
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Se é politicamente correto, provavelmente não é boa literatura

É mau, mas é bom

É mau, mas é bom

“Poemas épicos podem ser racistas e romances europeus, sexistas e sádicos”. É assim animador que o escritor Andy Martin inicia seu artigo para o The Times. Ele chega mesmo a comparar algumas das obras mais [con]sagradas aos filmes do tipo Rambo. O Ramayana, um épico escrito em sânscrito que narra o resgate de uma bela mulher seqüestrada no meio da guerra entre o povo claro do norte da índia contra os escuros do sul, ganha um viés racista quando analisado; na Bíblia e no Corão a morte do infiel é autorizada e a guerra acontece entre os que acreditam e os que não acreditam; o autor não perdoa nem os gregos, que discriminavam os não-gregos. O genocídio está na formação da civilização ocidental desde o princípio dos tempos, não foi uma invenção nazista.

A Eneida de Virgílio mostra como os troianos que escaparam do holocausto grego velejaram, estupraram, invadiram outro país onde fundaram um império maior e pior do que os gregos. O autor ainda se declara abismado com a cena principal de Sonhos de Uma Noite de Verão, de Shakespeare, quando a rainha é raptada, drogada e estuprada enquanto as fadas dançam e cantam ao redor. Quanto aos franceses do século 19, Balzac admitia que aspirava a ser um novo Napoleão; Stendhal vestiu um personagem com roupas da Igreja enquanto seduzia mulheres casadas e Flaubert transformou sua Madame Bovary numa adúltera serial antes de envenená-la.

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Orgulho e Preconceito – série

Colin Firth e Jennifer Ehle

No catálogo da Ediouro do final da década de 80 em que achei Jane Eyre tinha outro clássico romântico obrigatório: Orgulho e Preconceito da escritora britânica Jane Austen, da mesma coleção [não encontrei com a mesma capa e tradutor (Lúcio Cardoso) da minha pra botar linque aqui... As edições atuais disponíveis, da Ediouro e a da Martin Claret, foram traduzidas por outros profissionais (ótimo motivo para ter esperanças de um dia ler a série Harry Potter com uma tradução decente, heh)]. Também faz parte da minha lista de Top Favoritos, algumas posições abaixo de Jane Eyre.

Nada mais natural, portanto, que eu aproveitasse pra baixar os seis episódios da minissérie da BBC pra assistir, ainda mais porque [não me atirem pedras!] a minha versão favorita da história é O Diário de Bridget Jones, niqui o ator Collin Firth interpreta a edição moderna do Mr. Darcy que fez tanto sucesso em 1995 [a propósito, a famosa cena do mergulho no lago está no episódio 3: nham nham!].

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