Desafio Literário | Por Enquanto Eu Sou Pequeno

Sinopse
Aqui está um punhado dos mais divertidos versinhos para a introdução da poesia no universo de quem ainda está se alfabetizando. São instantâneos dos pequenos momentos da infância, quando o mundo começa a revelar-se aos olhos daqueles que, apenas por enquanto, ainda são pequenos!

Capa

Quando eu estudava no finalzinho do primeiro grau li “A marca de uma lágrima” do Pedro Bandeira, uma releitura de Cyrano de Bergerac [Edmond Rostand]. Tanto Cyrano quanto Lágrima estão na minha lista de TFF [Top Favoritos Foréva], portanto agarrei a oportunidade de ler outro Bandeira no mês do Infanto-Juvenil.

Só que não pesquisei muito a fundo e acabei com um livro para criança em fase de alfabetização – porém, dentro da proposta do DL [ler junto com as crianças nas férias], tá dentro do tema. ;)

Por Enquanto Eu Sou Pequeno é um livro curtinho [40 páginas] com versinhos para crianças – a maioria quadrinhas, mas tem algumas um pouco mais longas. Cada poema comenta um aspecto diferente da vida pelo ponto de vista da criança, para quem tudo é uma descoberta.

É um leitura leve e rápida, e é interessante por relembrar ao adulto como é estar sempre maravilhado pelas coisas da vida [que é o tema da aula de escrita criativa de Terry Pratchett na Universidade Trinity em Dublin: "The Importance of Being Amazed about Absolutely Everything" - v. vídeo no Youtube].

Entre os temas das poesias tem o circo, o cachorro da família, o irmão mais novo, medo do escuro, o soldadinho de chumbo, o futuro, a famíia, uma adivinha e até uma parlenda. Eu não “testei” com o sobrinho de três anos ainda, mas aposto que a de dez vai gostar.

Tudo tem serventia

Neste mundo tudo serve:
a cadeira para sentar,
nenê pra fazer cocô,
passarinho pra cantar,
a vassoura pra varrer
e o tempo pra passar!

Entrelinhas – Pedro Bandeira

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Desafio de Férias 2010/2011 | Abrangência

Sinopse
Em Abrangência, Marcelo Batalha é, como sua persona internética, impregnado de sensibilidade, sinceridade e sentimentos que passeiam pela afetividade, pelo erotismo, pela paternidade e pela perplexidade humana diante das infelicidades comezinhas. [Carla Cíntia Conteiro]

Capa

Comentar um livro de poesias é complicado para mim porque se trata de uma obra mais emocional do que racional. Como atribuir valor num caso desses? Como medir a qualidade? Estava a me debater com essas questões quando a resposta bateu na minha cara: ora, justamente pelo impacto emocional.

Marcelo Batalha, o autor, é conhecido há mais de uma década na Internet – e não estou querendo dizer que eu o conheça há mais de uma década na Internet*, e sim que você ou um amigo seu conheça no mínimo um texto de autoria dele: provavelmente esse texto seja “Amigo, Um Ensaio”, que começou a correr os emails em 1996.

Difícil querer definir amigo. Amigo é quem te dá um pedacinho do chão, quando é de terra firme que você precisa, ou um pedacinho do céu, se é o sonho que te faz falta.

Em 2010 ele reuniu parte dos poemas que compôs e lançou Abrangência, um livro publicado de forma independente. O título é extremamente feliz porque não é apenas o título de um de seus poemas mas, principalmente, é o contexto do conjunto de poesias: algumas são a voz do homem, outras do pai, do amante, do artista, etc.

O livro está à venda via contato por email diretamente com o autor [batalha.m.rj at gmail.com], o que garante ao leitor que receberá um exemplar autografado igual ao meu. :) E que venha o volume 2!

* Embora eu realmente o conheça há mais de uma década na Internet.

Página pessoal do autor

http://marcelobatalha.wordpress.com/


Nota: 4

(de 1 a 5, sendo: 1 – Péssimo; 2 – Ruim; 3 – Regular; 4 – Bom; 5 – Excelente)

Este post faz parte da blogagem coletiva Desafio de Férias 2010/2011 [v. post].

Desafio de Férias 2010/2011

Ficha bibliográfica
Título: Abrangência
Autor: Marcelo Batalha
País: Brasil
Ano: 2010
Páginas: 100

Feliz Solstício de Inverno!

O verão lá em cima e o inverno cá embaixo.

O verão lá em cima e o inverno cá embaixo.

Solstício [Do latim: solstitiu = Sol Parado]: São correspondentes aos extremos máximos do deslocamento do Sol, o qual inverte o seu sentido de deslocamento, portanto o Sol precisa parar seu movimento para retornar. [ USP]

O Inverno
Eugénio de Andrade

Velho, velho, velho,
Chegou o Inverno.
Vem de sobretudo,
Vem de cachecol,
O chão onde passa
Parece um lençol.
Esqueceu as luvas
Perto do fogão:
Quando as procurou,
Roubara-as um cão.
Com medo do frio
Encosta-se a nós:
Dai-lhe café quente
Senão perde a voz.
Velho, velho, velho.
Chegou o Inverno.

Feliz Yule, Feliz Inti Raymi, Feliz, errr… Sol Invictus, seus romanvs. :)

[E se estás no hemisfério norte, um feliz solstício de verão pra tu!]

Obs.: Foi coincidência escolher um poeta português bem no dia da goleada da seleção de Portugal contra a Coreia do Norte na Copa, mas fica como homenagem aos amigos tugas. :)

Dia nacional da poesia

E eu nem sabia que existia, veja só! Segundo o site IBGE Teen, a data coincide com o aniversário de Castro Alves.

Cá entre nós, eu prefiro a singeleza de Adélia.

Explicação de poesia sem ninguém pedir
Um trem-de-ferro é uma coisa mecânica,
mas atravessa a noite, a madrugada, o dia,
atravessou minha vida,
virou só sentimento.
Adélia Prado (in Bagagem)

Ranxerox

RanxeroxSabe esse cidadão aí? É o Ranxerox, criação de uma dupla de italianos. Parece mal-encarado, hu? Mas é capaz de gestos tão inesperados quanto gentis, como o de me enviar a Ode ao Gato de Neruda.

São os dois extremos da criação:

O gato,
só o gato apareceu completo
e orgulhoso:
nasceu completamente terminado,
anda sozinho e sabe o que quer.

Originalmente criado na década de 80 pelos italianos Libertatore & Tamburini, Ranxerox é um miserável Frankenstein futurista que, com a menor de idade, Lubna (13 anos, drogada e prostituída), formam uma versão grotesca de “A Bela e a Fera”.

Sim, sim… É importante não julgar a aparência das pessoas. Ainda mais quando é o chefe da sua equipe de Quiz.
;o)

Poesia Liberdade

Nem tudo o que penso e medito
Posso dizer por papel e tinta
O poeta já nasce conscrito
Atento às fascinantes inclinações do erro
Já nasce com as cicatrizes da liberdade
Murilo Mendes.

Silviano Santiago
LIVRO: “Crescendo durante a guerra numa província ultramarina”
EDITORA: Francisco Alves
LOCAL E DATA: Rio de Janeiro, RJ – 1988

Poemas aos Homens do nosso Tempo

de Hilda Hilst

Amada vida, minha morte demora.
Dizer que coisa ao homem,
Propor que viagem? Reis, ministros
E todos vós, políticos,
Que palavra além de ouro e treva
Fica em vossos ouvidos?
Além de vossa RAPACIDADE
O que sabeis
Da alma dos homens?
Ouro, conquista, lucro, logro
E os nossos ossos
E o sangue das gentes
E a vida dos homens
Entre os vossos dentes.

(Júbilo Memória Noviciado da Paixão(1974) – Poemas aos Homens do nosso Tempo – II)